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setembro 22, 2006
[ Sorrisos ]
Sorrisos são como códigos de barras. Dizem quem você é, quanto você vale, o que você traz consigo. São etiquetas permanentes, com todas as informações necessárias para que um possa reconhecer o outro.
abril 11, 2006
[ Mais o que Fazer ]
Tenho mais o que fazer com a saliva
do que babar dormindo
aos sonhos insanos
em travesseiros velhos.
Tenho mais o que fazer com o pensamento
do que lamentar as guerras perdidas
os pedidos de adeus
e os dias enfermos.
Tenho mais o que fazer com as palavras
do que usá-las em vão
em vãos de frases nunca ouvidas
mesmo grifadas em amarelo.
Tenho mais o que fazer com o tempo
do que olhar os ponteiros correndo tontos
sem saber o quanto nos afligem
e infringem nossos dias mortos.
Tenho mais o que fazer com meus cabelos
do que lavar e secar ao vento
podendo usar mecha por mecha
para sufocá-lo com o mais puro prazer
que me resta.
Se eu pensar mais
vou descobrir
que tenho mais
o que fazer da vida
(dívida).
fevereiro 17, 2006
[ Esperto de um Jeito Estúpido ]
Ela tinha olhos como diamantes
E você correu com os pés de barro
Ela tinha sonhos algodão-doce
E você brincava com mundos-bola de gude.
Percorreram a janela
O mais perto que podiam
Era um dia nublado
Ela olhou pra você e perguntou
Se você já tinha um amor
Que não tivesse traído.
E você ligou o rádio.
Olhou para o lado
E ela disse: “Você é esperto de um jeito estúpido”.
Este é o preço que você paga
Por ser esperto de um jeito estúpido
Você fica ali olhando enquanto o seu amor se afasta.
E a frase que ela disse permanece aos seus ouvidos:
“Você é esperto de um jeito estúpido”.
Ela tinha os olhos como diamantes
E mais um trem acabou de partir
Às vezes você sente o perfume ao seu redor
Mas quando olha em volta
Repara que ele se desprende das flores que ela mais gostava
Fica imaginando se algum dia
Amará alguém da maneira como a amou
E você segue o seu caminho lembrando do que ela disse:
“Você é esperto de um jeito estúpido”.
Talvez um dia você cresça.
Talvez um dia você se torne um cara especial para alguém.
Talvez a dor que você sinta, vá passar.
Talvez a lembrança do cheiro e do olhar diamante também.
E esse é o preço que você paga
Por ser esperto de um jeito estúpido.
Você fica ali olhando enquanto o seu amor vai embora.
Esperto de um jeito estúpido.
dezembro 26, 2005
[ Sweetness Follows ]
Então é assim que você disfarça a tristeza? Sobe em um banco e canta a noite inteira. Sem vestígios alcoólicos pela garganta e estômago você invade a noite com o olhar de gata borralheira e a voz de sereia cantante (não aquela estranha-macho da praça da Mariquita no Rio Vermelho). E cativa a todos ao seu redor que esperam por qualquer movimento seu, seja para roubar um beijo da lua ou ajeitar a saia.
Então é assim que você viaja pela avenida? Através do cheiro que desprende dos cabelos encaracolados entorpecendo os trausentes das calçadas e desviando os carros das ruas. A sua melodia acompanha e se mistura a brisa do mar seguindo outra direção e se perdendo nas voltas que o mundo dá.
Então é assim que você esquece o dia de hoje? Pra que lembrar, não é? Pra que lembrar do natal, se a sua referência de lar nesta vida não existe mais? Pra que lembrar as datas comemorativas, se ela não está aqui para passar em sua companhia?
Soundtrack: Sweetness Follows - R.E.M.
[ Finalmente ]
Desde os 19 anos tomei essa música como lema de vida. Não há nada de excêntrico com ela, a não ser a companhia que a ouvia comigo na época.
A única diferença de lá até os dias de hoje é que finalmente aprendi a usar os meus botões: "apaga" e "desliga".
setembro 26, 2005
[ O Dia ]
Hoje o dia amanheceu rosa-algodão-doce, mas poderia ser também azul-sem-nuvens-no-céu. O dia abraçou carinhosamente o meu tronco, estendeu o seu corpo sobre o meu, e beijou-me por toda a face. O dia me disse “bom dia” e se auto-entitulou de dia perfeito, dia completo, dia feliz. O dia simplesmente se fez especial pra mim, por mim. Ele é o meu amor, ele é o DIA.
agosto 03, 2005
[ Pelo Mar ]
Há duas maneiras de alcançar o seu destino: de navio ou de camelo. O que prefere enfrentar: uma longa estrada de terra ou ondas pelo mar?
A segunda opção lhe parece mais atraente por causa dos desafios, então ela segue o seu rumo, marinheiro. Navegando só com seu lençol amarrado na proa. Sempre de olho no horizonte, sempre com a famosa frase entalada na garganta “Terra à vista!”. E ansiosa pelo momento de ancorar.
[ Sonho de Consumo ]
Moro numa cidade montanha-russa. Com as suas subidas e descidas radicais. Com as suas pedras antigas e escorregadias. Ela convive em harmonia mesmo com a variedade de estilos em sua arquitetura. Percorre durante anos do barroco ao moderno pelo lado de fora do grande elevador.
O meu sonho de consumo era ter uma casa na parte baixa da cidade. Com todos os seus rococós e arcadas. Ampla, florida e com uma vista maravilhosa para a baía, de todos os santos, do meu bem querer.
julho 20, 2005
[ Dia do Amigo ]
Eu e Minha Melhor Amiga.
Fica essa homenagem para uma pessoa muito importante na minha vida.
Feliz Dia do Amigo para Todos!
junho 30, 2005
[ Troféu na Estante ]
Eu sou volúvel. Eu reconheço. À noite eu o amo. De dia eu o deixo. De lado. Numa estante. Uma paranóia global entre querer, poder, e realmente conhecer o que há por trás de tantos porém’s. Você me olha da estante enquanto passeio pelas esquinas. Divirto-me com outras possibilidades. Perco-me nos braços de tantos meninos procurando você, um só. Antes eu o tinha como um ídolo. Um homem perfeito desde a minha adolescência até a fase adulta, mas não o tenho mais. Você desintegrou o que tinha de melhor: a inocência e o caráter dentro da minha cabeça. Ter dormido contigo, só o transformou num troféu. E eu não o queria dessa forma, não na estante. Ao meu lado. Deitado. Para eu desenhar na sua barriga.
Agora não sonho mais com você. Sonho com vários rostos, toques, suspiros. Mas, e você? Você se envolve tanto quanto eu nos relacionamentos platônicos destilados pelo espaço e pelo tempo? Costume de não sofrer, talvez. Não sofrer é o meu lema. Amar é sofrer.
Obs: "I'll be your plastic toy"
junho 19, 2005
[ Ronildo Jorge e os Ladrões que Não Roubam Só Bicicletas - A Decadência de Um Cenário Virtual ]
Enquanto a discussão rola sobre o cult baiano e a falta do que fazer da mídia local:
“Você gosta de Ronei Jorge?”
Sempre vejo um cara alto e magro passar comendo sanduíche de tapioca, parece ser uma pessoa calma, pacífica e solitária, não a cabra berrante dos shows. Não curto as letras deprês dele, não acho que tenha nada de jazz no som e abomino os gritos histéricos. Prefiro ouvir arrocha, mil vezes.
“Como você têm coragem de chamá-lo de cabra?”
Chamo-o do que quiser. E o som que ele emite – berros, uma cabra também faz.
“Então por que o cenário rock o curte?”
Eu não entendo o porquê. Aliás, entendo, o que a mídia não faz com as pessoas. Para você se sentir incluso, ainda mais num espaço tão pequeno desta cidade, você tem que gostar do que está na moda. Só que o rock que ele faz é extremamente chato, ninguém se mexe e a voz dele é ridícula. A música é tão repleta de informações que confunde mais do que passa alguma mensagem. Não me importo nem um pouco com o cenário intelectualóide e rock’n roll da cidade. Pra mim, esse cenário não existe. Ele foi criado por gente da antiga (antigos freqüentadores do Calypso) que virou jornalista, e quer bancar “os diferentes no reino do axé” em suas colunas. Só isso. Não sabem nada de música, e querem tentar se promover através do circuito alternativo. Até hoje eu não me conformo sobre aquela palhaçada que ocorreu no show do Placebo. De onde tiraram aquela porra de banda “os perdidos no fim da casa da p. que os pariu”???? Não era um concurso? Não tinham vários pré-requisitos para entrar??? Como é que uma banda desconhecida e ruim daquele jeito entra? Depois que me contaram que a ridícula da vocalista era irmã do Roninho Jorge e por isso a banda entrou. Que o Roninho não precisou enviar material nenhum e que quem estava promovendo o show perante a Claro, saiu convidando todas as bandinhas amigas para participar. E que tudo ali foi armação. Não teve concurso nenhum, tudo armado, desde as bandas convidadas até o júri. Realmente... para Ronei Jorge ganhar da Theatro de Séraphin, definitivamente tinha que ter alguma coisa muito errada.
“E o que você me diz da antiga banda dele, a Saci Tric?”
A única coisa que ele fez e que prestou foi a Saci Tric, coincidentemente (?), porque era uma banda e não um projeto ou alguma merda de carreira solo (!!!!?) alimentada, endeusada e superdimensionada por amigos dele que, infelizmente, têm influência na mídia e, conseqüentemente, em grandes festivais alternativos do país, etc. Se você gosta mesmo do “Marcelo Camelo” baiano (Ronei Jorge é anunciado aos quatro cantos do país por jornalistas, donos de loja e donos de selo daqui como a "revelação do rock local", como o "Marcelo Camelo" baiano) vá ouvir Jardim da Saudade e dizer que é bom.
Ahhhhhhhh, na boa, me poupem. Vou voltar a escutar jazz, eu ganho muito mais do que ouvindo essas bandas compradas. Essa gente de merda daqui, eu tô fora!!! Tô louca para ler sobre a confirmação da vinda da Flaming Lips em outubro para Curitiba.
março 07, 2005
[ A Cidade e Os Desejos ]
A mulher que voa por densas nuvens e permanece presa ao solo por horas no aeroporto sente o desejo de pertencer, novamente, há algum lugar. Finalmente, chega a Salvador. Ela caminha a passos lentos por ruas e ladeiras selváticas da cidade. Onde as igrejas têm paredes incrustadas de ouro e as casas foram construídas com arte européia, onde o povo na rua lhe retribui sorrisos e corre livre nas veias o sangue de escravos, onde é fácil encontrar nas esquinas baianas rendadas vendendo acarajés e barraquinhas de água de coco verde, onde há as fitas originais e coloridas do Senhor do Bonfim para pôr no braço e algumas nos cabelos trançados da menina-mulata, onde a cor azul predomina, tanto pelo céu claro, quanto pelo mar que está por toda parte.
A mulher pensava nessas coisas quando desejava uma cidade. Essa foi a cidade dos seus sonhos que a possuía jovem. Em idade avançada espera encontrar uma praça com um banquinho para idosos verem a juventude passar. Ela quer sentar ao lado de algum deles, tranqüila. Os desejos serão recordações, e os corações (rosa e azul agarrados) estarão na gaveta guardados.
 [ Recado Direcionado ]
Carioca em Pelotas, de sotaque gaúcho com interjeições nordestinas, brasileiramente tão misturado quanto eu, a cada dia que passa teu espaço cresce mais e mais no meu coração.
janeiro 18, 2005
[ Simples Mesmo ]
amo rock
amo rolar
amo você
lhe interessa
saber por quê?
você alimenta quem quer
mas não quer
que eu faça o mesmo
sempre me cobra
sempre me come
sempre com palavras
nunca me vê
amo rock
amo rolar
amo você
ah, você
o charme
a doçura
o tesão
isso!
numa cama
sós na cama
sós sob os lençóis
janeiro 06, 2005
[ Não Quero lhe Falar do Meu Amor ]
dezembro 04, 2004
[ Retornando da Casa de Doris ]
Eu adoro a minha cidade.
É tão bom voltar para casa uma hora dessa, passeando pela orla, vendo as estrelas brincando de escorregar no mar com a cabeça cheia de conceitos e cálculos de GRP's.
Dizem que os habitantes das cidades que possuem orla marítima são mais tranquilos. Eu espero.
novembro 26, 2004
[ O que faço durante os dias? ]
Estudo, trabalho, leio, danço, escrevo, corto as unhas, tomo banho, arrumo o quarto e problemas, dessarumo o quarto e mais problemas e me despeço cotidianamente dos segundos.
E a vida continua...
outubro 05, 2004
[ Reflexo no Chão ]
 Lembre-me do que não posso ter.
Esfregue na cara toda a arrogância do mundo as minhas costas.
Mostre a minha derrota. O meu desestimulo. O meu rancor.
Cegue os meus olhos melancólicos com mais amargura.
[ Por que a Minha Vida está Destinada a Ter Finais como Esse? ]
 Quem assistiu esse filme, sabe sobre o que estou me referindo.
setembro 14, 2004
[ Laranja e Amarelo ]
Olho para a sala onde me encontro e vejo porta-retratos se multiplicando assim como as versões cronologicamente entrecortadas dessa menina, de você e dela. Todas as cerimônias, individuais e conjuntas, estão ali: formaturas, nascimento, batizados, aniversários, casamentos. Alguns no singular, outros no plural.
Você fala comigo alguma coisa sobre como anda a minha vida, e eu, eu só me preocupo com a dela. Com a reserva de dor e preocupação que ela anda guardando no peito e na cabeça. Elas têm se multiplicado e se espalhado por toda família. Fico a espera dela para cuidar da menina.
Eu respondo um “bem” por default e você ri do quarto adivinhando que eu não havia prestado atenção em nada do que perguntou. E então entra na minha semana, levanta a menina do chão e faz algum dengo que deflagra carinho para ambos que amenizam as profundas agulhadas na alma desta menina laranja e amarelo desespero.
Preciso que ela volte a olhar para mim, com aqueles doces olhos castanhos e eu, finalmente, acredito em tudo, reviro o mundo se for necessário para fazê-la feliz.
agosto 17, 2004
[ Em meio a Neblina ]
A partir de hoje a minha respiração nunca mais será a mesma.
julho 29, 2004
[ Reforma ]
Estou colocando um novo telhado na minha casa.
Favor aguardar na sua residência calma e confortável para não pegar um resfriado nesses dias com temporais intermináveis.
Os pingos contínuos estão inundando o banheiro, a cozinha e o quarto.
Não sei direito onde colocar as canecas e os baldes pelo chão.
Minha visão está meio turva.
Pela chuva e pelas lágrimas.
julho 02, 2004
[ A Teoria da TPM ]
A teoria que falei lá embaixo: a TPM é uma vantagem evolutiva sim. Nos tempos das cavernas, devia ser uma vantagem matar o macho que não foi bem sucedido na tentativa de reprodução - pra isso os instintos assassinos que a gente tem logo antes de ficar menstruada. Caso o macho tivesse sido tão eficiente a ponto de fertilizar o óvulo e engravidar a fêmea (método macaco de avaliar se um macho é bom), ela não teria TPM e eles poderiam constituir um casal, pelo menos até a mulher voltar a menstruar de novo.
Hoje em dia eu acho que ter TPM ainda é uma vantagem. A TPM, meninas, é nosso direito mensal ao surto. É a época em que ninguém discute - podemos chorar, matar, comer, reclamar, xingar, e jogamos a culpa disso tudo na tensão pré-menstrual. Prático, não? Os homens não têm esse direito, pelo menos não fora das finais de campeonato. Essa convivência com nossos altos e baixos nos faz pessoas melhores, mais adaptadas para lidar com emoções, as nossas e as dos outros.
Tenho convicção de que TPM é mesmo uma vantagem evolutiva, tanto que as mulheres que não têm causas orgânicas pra isso absorvem o conceito da "época de surtar" e acabam surtando também. Não são todas as mulheres que têm TPM, dizem os médicos e eu concordo. Mulheres que tomam anticoncepcional (e, portanto, não têm hormônios flutuando como as sem-pílula) também sofrem com TPM, o que não deveria acontecer. Às vezes nem percebem que já absorveram este conceito e somatizam (doutoras, dá pra falar assim?) a mardita. Seria um jeito constitucional de extravasar as emoções e a fúria que milhares de anos de cultura patriarcal tentaram sossegar?
...
Assinado, Luciana, a quase-feminista que surta em qualquer época do mês.
julho 01, 2004
[ Enquete ]
Qual a vantagem evolutiva da TPM? No que uma fêmea acometida pela tal tensão é melhor (evolutivamente falando) do que um sereno espécime não-tpmístico?
Deve haver um motivo. Minha teoria eu posto daqui a pouco.
junho 17, 2004
[ Não, Mais Uma Vez ]
Ao reconhecer a voz do outro lado, eu começo a imaginá-lo caminhando pelas ruas do bairro onde moro. Um sujeito alto, moreno claro, magro, cabelos cacheados, calça jeans e camiseta colorida de malha. Todas às vezes que ele pisa os pés por aqui ele liga. Pergunta como estou enquanto caminha em direção a uma das ladeiras com o objetivo de me alcançar. Faz tempo que eu não o vejo. Que eu não desejo vê-lo mais. Mas é difícil para ele continuar a sua vida sem a minha voz, sem os meus números, sem o meu endereço, sem os meus beijos, sem o meu contato. Ele acha que ainda faço parte da sua vida, e por isso sempre procura maneiras de me pôr a par da sua existência e dos seus progressos. Eu gosto dele como pessoa, e gosto de ser a pessoa que ele me tornou. Mas ambos sabemos que não existe a possibilidade de amizade entre nós. Não entendo porque ele não assimila a palavra “adeus” pronunciada pelos meus lábios.
Ao desligar o telefone, eu termino a visualizá-lo tomando outro rumo... Depois de responder que não o veria. Mais uma vez.
junho 09, 2004
[ Compromissos ]
Tenho sim, de sair mais, visitar endereços, dizer alôs telefônicos, calar minha telepatia. Difícil companhia, só a de meus escuros, meus escritos, meus sabores e meus cheiros.
maio 12, 2004
[ Princesa das Ruas ]
Sentada na frente de uma porta onde a tristeza chega para olhar e volta trazendo lembranças.
A pobre menina feia, diante de tanta beleza e luxúria, chora.
Chora baixinho e enxuga as lágrimas com a ponta do velho vestido.
Ela sonha com um príncipe que nunca chegará...
... até cansar.
Então ela virará, fará esse gesto abaixo em direção a porta e irá embora.
maio 06, 2004
[ Aspirina ]
Tem algumas partes do corpo que a gente não sabe que existem até elas doerem. Baço, por exemplo. Primeiro que eu não sei para que serve o baço, depois que não sei onde fica. De repente eu nem tenho baço e não sei. Nunca ninguém apontou para algum lugar no meu corpo e disse 'aqui é seu baço, ó' e nunca tive 'dor de baço', então não tenho provas concretas de que ele existe.
Seguindo esta regra de 'não doeu? Não existe', hoje descobri a existência de uma veia na minha cabeça, que depois de extensas explorações tomográficas imaginárias, provou estar exatamente a 2,5 centímetros do olho direito, 48 graus para dentro da cabeça. Sua frequência de pulsações é de 8 a 12 apeRtos poR minuto (poRque quando eu fico meio neRvosa eu gosto de dar mais ênfase as palavras, hoje será puxar os R’s).
Que mundo maravilhoso este, não? Um dia você não sabe que tem baço nem veia na cabeça. No outro, a tal veia já é sua amiga e confidente. InfeRno. E dá-lhe aspirina. Pelo menos depois posso trocar a dorzinha na veia por uma interessante dor de estômago. É sempre bom variar.
Até agora não entendi porque comecei falando do baço.
abril 29, 2004
[ Untitled, um lugar sem nome ]
Gostaria agora mesmo de arrumar minha mochila colorida e seguir. Para um lugar que não fosse esse. Nem aquele. Não tivesse sido fotografado e nem impresso nos folhetos de viagem. Seria tudo. E não saberia por onde começar. O que me separaria do guichê seria apenas uma passarela. Ele (o guichê), cada vez mais perto, e eu consideraria que talvez, talvez, ali estivessem todas as minhas respostas. Mas, e aí? Chegaria e perguntaria para a moça de cabelos esticados: Me dá uma passagem? Ela responderia com outra pergunta: Para onde, senhora? Um lugar que não seja, eu diria. Talvez, para minha surpresa, ela achasse tudo muito natural, tirasse a passagem, e me falasse quanto custa. Eu pagaria os determinados reais. E me lembraria daquele sorriso de canto de boca.
As placas me indicariam o portão de embarque. Como restariam alguns minutos, compraria um refrigerante na máquina. Pegaria minha mochila e subiria para o ônibus. Por sorte o número do meu ticket seria na janela. Sentaria quieta, colocaria os meus fones para ouvir algum rock triste. E esperaria a hora em que começaria a ver um monte de matinhos e placas. Essa paisagem permaneceria por muito tempo. Provavelmente, esse lugar aonde eu iria... Estaria bem distante de mim.
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