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agosto 03, 2005
[ Você sou Eu ]
Você mexe os cabelos e embala o corpo junto com a música.
Você escreve poesias ao mesmo tempo em que seu cérebro grita “besteira”.
Você se entristece sentado na cadeira vendo o seu prato cheio de comida.
Você não gosta de ser enganado pela mídia, nem por qualquer político, por isso idealiza rebeliões.
Você acredita na poesia da alma, mas a sua está oca.
Você espera por uma pena suave para todos os pecados que cometeu, porém não crê que isso aconteça.
Você pensa em tocá-lo, mas ele está tão perto e tão longe.
Você anda por cada esquina com a sensação de que vai encontrá-lo... Ele vai sorrir?
agosto 01, 2005
[ O Espelho ]
Um espelho suspenso na parede oposta.
Ela não pensa nele,
mas sim o espelho nela.
junho 23, 2005
[ O Melhor Texto da Minha Vida ]
Coletâneas do Cure não são mais cura para tua dor. Teus poemas têm erros de concordância e tua boca tem gosto de cereja. Seria melhor se teu gosto fosse de cerveja pra eu poder me embriagar em tua saliva e fazer disso um mero recurso literário sem valor. A arte é um esforço inútil e ser útil só é útil pra quem se preocupa com os ponteiros no relógio e os números nos calendários.
Caminho quilômetros quando tenho saúde e sais de cobre nos dentes.
Quero colorir meu ombro e quero que minhas calças sejam todas pretas e minhas camisetas com estampa amarela sejam vermelhas.
Quero te conhecer, preciso de tempo, tenho que conseguir mais tempo, estou delegando tempo, compilando segundos, ampliando minutos e pensando mais rápido e agindo mais devagar, até porque assim dá mais tempo pra divagar.
Tenho tempo, quero falar contigo, tenho que te ligar, quero te atender, te ouvir se espreguiçar, bocejar e rolar na cama lá do outro lado, naquela voz macia toda picotada por vento cor-de-mel. Não queria que o sol brilhasse por um tempo na minha casa, então mantive as cortinas fechadas. Mas teus olhos me mostram o sol e eu tenho agora que deixar a luz entrar. Eu quero agora deixar a luz entrar.
Quero ainda poder, te dizer no ouvido improvisos que nunca dirás a ninguém e de que eu sempre me lembrarei, e de que tu sempre te lembrarás, e que servirá de água e alimento para a flor que eu guardei no meu peito para ti, e para aquela que plantei em teu sentimento com meu nome.
Quero ainda poder descansar em paz, pois, depois da chuva, sempre sempre sempre vem o sol. Ainda que tímido e fraco, vem o sol.
Recrio-te em mundos que invento ao meu bel-prazer. Nesses mundos eu ouço os sons verdes da minha infância e os sons azulados da minha juventude. Penso em doze dias na semana e sete meses de inverno. Quero mais tempo, preciso de mais tempo e de flores na minha janela. Colo, abraço e passeios matinais. Penso nas músicas de voz doce quando penso em ti. Acalmo os olhos no horizonte que parece infinito e penso artes pelos cantos do meu quarto. Sorrio.
Invento-te em mundos que recrio, de meus dias de papel. Escrevo a minha história, lembro de horas, desenho novas nas minhas nuvens. Recebo ódio - falo, grito e tusso. Depois me camuflo e finjo que estou longe. Visto preto para queimar no sol e saio na chuva sem agasalho pra buscar o resfriado.
Desenho-te em pranchetas que não existem, faço cada contorno, curva e suspiro real. Tatuo na pele nua e quente as letras do teu nome em código de barras, para que não sei. Grito, grasno, transpiro.
Escrevo-te em poesias, quando penso que sou poeta e me engano pensando que sou sagrada. Quase sinto teu gosto quando te vejo sorrindo. Confundo meus olhos no teu passo manso indo embora, e desisto de imagens e ícones pelo simples prazer de te ouvir por algumas horas.
Fatio-te, me perco, de propósito, em todos os meus atos. E minto pra mim mesmo que não é verdade. E minto que minto, pois meus atos são sempre sinceros. E passo horas imaginando frases ou jogos de palavras com a palavra "mentira", só pra te fazer sorrir, dormir bem, te fazer pensar.
Como um envelope, cheio de palavras pra você.
Cheguei. Aliás, já estou lá há muito tempo. Esperando que a porta abra. Vou pensando e do jeito que me vem os pensamentos, te escrevo essas linhas. Penso em rosas, onças e vermelho tinto. Nada de novo. O meu dia me cansa, me diminui e me torna chata. Meus extensos desagravos desabafos sem fim sempre me causam determinado cuidado. Cuidado com o conteúdo, pois é raro.
Sabe, tem dias em que todo o universo faz sentido, em todas as pequenas coisas que acontecem. Tem dias em que, voltando pra casa, caminhando pela rua de noite, as luzes da lua e do comércio são mais fortes que o teu desespero e tua falta de vontade. Tem dias em que teu dia se completa com um sorriso. Tem dias que o dia acaba tão cedo, apesar de acabar tão tarde.
E eu mesmo pergunto, "Por que não?”.
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Não há nada para se comemorar esse ano no meu aniversário (26.06). Estou indo daqui há pouco para uma cidade do interior passar o São João, e espero amenizar com isso um pouco a dor e a saudade que sinto da minha mãezinha.
junho 01, 2005
[ A Espera de Um Milagre ]
abril 24, 2005
[ Uma Canção para Você Lembrar de Mim ]
*Uma canção escrita por mim para tocar no meu headphone.
Você pode inventar estórias
Só para se distrair.
Você pode fazer tipo
Contar mentiras, fazer bobagens.
Você pode contar segredos
Para estranhos.
Você pode tudo,
Menos me esquecer.
E toda vez que o céu
Mudar de cor
E a lua deitar com as estrelas
Você vai lembrar de mim.
E toda vez que um headphone
Passar ao seu lado
Em uma garota de cabelos cacheados
Você vai sim, lembrar de mim.
Você pode chorar
Pelos motivos errados.
Procurar o seu momento
Numa música triste (rock triste?).
Sorrir ou chorar num show,
Lembrar dos murros que dei.
E se perder,
Tentando não me encontrar.
Você pode tudo,
Menos me esquecer.
E toda vez que o mar
Beijar a areia
E uma onda se acalmar.
Trazendo para perto de ti
Um brejeiro siri
Você vai lembrar de mim.
E toda vez que um beijo
For roubado
E um sorriso insistir em sair
Você vai sim, lembrar de mim.
Porque o nosso amor é diferente.
É inerente.
E vai estar para sempre,
Na sua mente
E no meu coração.
abril 10, 2005
[ Amor à Moda Espumante ]
Conquiste-me como se fabrica um vinho branco: de maneira rápida e avassaladora.
Engarrafe-me junto a ti.
Misture depois mais doçura, levedura e deixe o gás natural da nossa relação acontecer.
Ponha o meu mundo de ponta a cabeça.
Cuide para que a garrafa seja virada e revirada dia-após-dia.
Encha-me de surpresas e alegrias.
Observe que a tristeza começará a descer para o gargalo.
Congele-a junto com todos os nossos medos e o nosso passado mal-assombrado.
Em seguida, abra-a rapidamente e arranque a parte sórdida fora.
E, então, force a tampa e deixe-a estourar, transbordar com força e vontade a nossa paixão. Uma paixão repleta de borbulhas de respeito, carinho, poesia e amor.
fevereiro 19, 2005
[ Cansei de Ser ]
Cansei de ser boazinha, sair como a coitadinha ou a miserável da história.
Cansei de ser colocada em caixinhas, como se eu fosse um objeto de uso particular ou algo lagardo de escanteio.
Cansei de ser confundida, endeusada, modesta e de me sentir o pior ser humano da face da Terra por causa das situações que me envolvo.
Cansei de ser o background, a opção perfeita e a imperfeita, mas que não chega nem a próxima esquina, quanto mais recebe um tchau.
Cansei de ser os amores e os desamores de gente que não se envolve, não entende e não percebe metade das coisas ao seu redor, que renega a própria sensibilidade por problemas de carência afetiva.
Cansei de ser folhas de papel amassadas, jogadas pelos cantos do quarto à espera de uma bela faxina.
Cansei de ser a menina dos olhos do papai. Quando o que quero, na verdade, é me libertar, me jogar ao mundo e brincar só com o fogo.
Cansei de ser cheia de princípios e solícita com quem não merece, com quem não me dá o mínimo valor e não marca a minha história.
Cansei de ser a que esquece das datas dos aniversários, mas tem sempre uma, duas ou dez palavras amigas para dizer a todos os momentos.
Cansei de ser a que deve procurar, implorar, deitar no colo em busca de carinho e algo mais. Agora quero me sentir uma estátua, tomar conta apenas do meu umbigo e um pouco ao redor dele.
Cansei de ser a que espera e nunca alcança, a que chora de rir de felicidade e por tomar apenas um gole de grapa, a que deseja o bem sem olhar a quem e sempre recebe de volta apenas um pacote de bolachas quebradas.
Cansei de ser apagada, solitária interna e intensa num paraíso montado dentro da minha cabeça.
Cansei de ser colorida. Preciso ser bem preta no branco ou vice-versa, e deixar claro o quanto certas coisas me incomodam.
Cansei de ser a brincalhona, a palhaça e uma das três mosqueteiras de um rei que eu não faço idéia de quem seja.
Cansei de ser virtual, anormal, ET na Bahia, musa e louca.
Cansei de ser eu mesmo.
Cansei de ser, só.
A resposta de Seth:
Espero
Espero que volte a ser boazinha, sem ser a coitadinha ou a miserável da história.
Espero que seja livre, e mesmo livre tenha sempre um lugar para voltar e chamar de seu.
Espero que seja a melhor pecadora da face da terra, mas que seja por cometer bem pouquinhos e que seja amada por ser quem é.
Espero que vá até a esquina e veja o outro lado dela, e que você goste do que veja.
Espero que se envolva com quem se envolve, que acredite, que tenha força e sabedoria para ver a verdade e enfrenta - lá.
Espero que minhas folhas se acabem.
Espero que não se queime, e que mesmo livre, ame e seja amada pelo papai...
Espero que reconheça e seja solícita e cheia de princípios com quem merece.
Espero que esqueça as dez palavras amigas, mas lembre do meu aniversário.
Espero que não se transforme nunca numa estátua, e deixe-me cuidar do seu umbigo, e também de um pouco ao redor dele...
Espero que espere... Mas alcance. Que chore de rir... Mas que não seja por nada tão fútil... E que não quebre as minhas bolachas.
Espero que iluminada, seja intensa comigo na nossa cama dentro da minha cabeça.
Espero que seja da cor que quiser, e que seja clara quando as coisas lhe incomodam.
Espero que seja a D'artanha de um reino do qual você saiba quem é o rei.
Espero que seja real, normal, et em qualquer lugar, seja musa... Mas não louca.
Espero que seja você, de qualquer jeito.
Eu vou enfiar uma uva no céu da sua boca.
E ai? Chupadora!
janeiro 20, 2005
[ Tenho ]
Tenho rosto e cabelos de menina
Rosto com sardas no nariz
Sorriso moleque, cabelos assanhados
E franja pintadas por giz de cera.
Tenho boca e língua de mulher
Daquelas que provocam delírios na pele
E marcam forte a alma
Com mordidas e palavras malcriadas.
Tenho os olhos castanhos-chocolate
Sem que eu precise falar
Eles transmitem mensagens
Que ressoam por onde quer que eu passe.
Tenho um mar de saudades
Que, às vezes, transborda...
E me afoga
Começando a alagar pelo peito.
Tenho dias de solidão
Misturados à tristeza
Nesses dias eu me sento, bem quietinha, no chão
E nem uma boneca me consola.
Tenho estrelinhas espalhadas
No céu das quatro paredes
Observo elas se apagarem
Quando a manhã se acende.
E quem sabe, hoje pode chover?
janeiro 11, 2005
[ Eu sou Ana ]
Eu sou ana e anas carregam a intensidade do mundo. Toda ana ama demais e tem enxaqueca. Toda ana dorme pouco e esconde as olheiras.
Eu sou ana e toda ana precisa de porquês. Anas são sempre sozinhas e estão sempre cercadas de gente. Anas estão num constante movimento.
Eu sou ana e anas se relacionam com a vida sem querer e profundamente. Anas têm esse hábito de fingir que não estão ligando, que não têm noção do perigo. Anas se importam. Anas se prendem em detalhes.
Anas são cada, tudo, amiúde. Excessivas. Anas são muito.
Eu sou assim, extremamente ana. E toda ana há de ser um poço sem fundo.
setembro 05, 2004
[ Canção Para A Minha Morte ]
Acordo com o teu soluço a me perturbar
O sonho se transformou em pranto
Me reviro ao avesso com este dolorido canto
E mesmo que a minha face ofereça um amplo sorriso
E o brilho intenso dos meus olhos não mais seja reconhecido
Minhas gargalhadas ecoem por paredes de mármore
E as flores sejam sempre iguais, sem cheiros, nem cores
Mesmo que o jasmineiro, hoje, seja erva-daninha
O meu alimento seja o verme que de minha carne vive
e transforme a cada dia este corpo que um dia junto ao teu estremeceu
Mesmo que meus gélidos dedos não possam mais os teus entrelaçar
E minha respiração não mais se descontrole
e nem meu peito se descompasse
Só do teu nome ouvir falar
Mesmo que o meu arrependimento se prenda junto à cruz
que guia os passos teus em meio há tantas vidas
que se confundem em meio ao breu
e te faça refém de um sofrimento, já bem depois do esquecimento
Mesmo que os pássaros não cantem mais, nem mesmo a cotovia
Nem as cigarras, somente o coaxar de uma orquestra triste
De um solitário, que como eu a vida inteira se escondeu
E no afã do leito solitário sinto novamente o perfume de meus jasmins
Na lembrança doce de um sorriso teu
Não há mais canção, nem soluços, as noites são eternas
Só há silêncio, nem mesmo o vento vem me tirar para dançar
E, se nesse santuário impuro que um dia foi meu coração
E que nunca quiseste sua fronte repousar,
nem mesmo uma prece ousaste balbuciar
em uma singela ode a esta face que tantas vezes viste chorar
Mesmo assim...
Ainda trago no peito disforme o espaço nunca preenchido pela esperança
De um dia quem sabe me amar
E os sinos hão de dobrar, apenas quando em meus braços vier descansar.
agosto 10, 2004
[ Quem Tem Medo do Lobo Mau? ]
Ah, eu já tive medo de dormir no escuro, de brincar com os espíritos e de dar o meu primeiro beijo. Até os sete anos eu dormia com o abajur ligado. Os meus amigos me chamavam para aquela brincadeira de pendurar o anel por um fio de cabelo e saber as respostas do além às perguntas da gente. E o meu primeiro beijo aconteceu também no meio de uma brincadeira, de supetão, quando estava correndo para me esconder. De repente o Alexandre apareceu no meu esconderijo (atrás do guarda-roupa), me imprensou de uma forma que eu fiquei contra a saída e me beijou. Eu tinha uns dez anos na época, acho.
Hoje, eu tenho medo de ferir e ser ferida pelas pessoas que amo. De não saber consertar as minhas cagadas. E de ver sorrisos desaparecendo por n motivos fora do meu controle. Através da força da natureza e do destino. E, claro, a de não encontrar respostas para minhas perguntas existenciais.
Mas ter medo é bom. A adrenalina liberada pelo corpo faz seu ritmo cardíaco aumentar, testando o seu coração que parece querer sair pela boca, você fica a beira de entrar em pânico ou de ter um ataque histérico. Todas essas sensações permitem que você abra os olhos e perceba a vida de modo diferente, de modo estranho, de modo “revelador”. Descobre sempre algo novo. Além da fronteira do umbigo.
A minha mente tem andando como uma vitrola, tocando discos antigos. Às vezes ela sempre pára na mesma canção e fica entre muitos scratches e repeats. E muitos sorrisos. Ainda tenho uma vitrola em casa, por incrível que pareça. Coloquei para tocar um disquinho-pequenino-amarelo-infantil. E tenho o maior cuidado com a agulha. Mesmo com lugares para comprar se ela vir a partir... Será que ela, a agulha, já teve medo de um dia deixar de existir? Às vezes gostaria de resumir tudo a um jogo de computador em que para avançar para o próximo nível, eu tenho de completar todos os enigmas do nível anterior. Só que isso não é viver. Procuro por respostas, mas talvez esteja me concentrando em demasia nas questões, e não na música. Há-há. Acho que vou ler aquelas revistas de jogos que dão as dicas de como pular de fase ou ganhar super poderes!
Agora, sério, compreendo esse medo que a maioria, assim como eu, possui de tentar encontrar indefinidamente respostas, tapar ou atenuar as dúvidas e inseguranças. Não é de todo mau, desde que isso não te faça “perder” o presente e não te deixe voltar às folhas brancas e pálidas, sem escrever uma letra nelas, ou fazer desenhos sem cor. Viva as canetas coloridas da esperança. Elas me fazem continuar insistindo a escrever, desenhar e pintar (praticamente a Faber Castel). Procurando minhas respostas. Sem saber o que esperar. Só o silêncio. Meu silêncio. Meu medo. Meu friozinho na barriga. Minha impaciência com uma pitada de rebeldia. Sem esquecer os “porque’s”. Respondendo “não” e “não sei”. Vivendo de atitudes não coerentes. Soletrando palavras ao vento. Tentando complicar coisas simples. Beijando, às vezes, o azulejo. Enfim, tentando revelar-me aos poucos para quem me lê e nada me entende.
março 10, 2004
[ Ficção ]
Eu queria ser igual ao vento.
Mais rápida do que um avião
Mais feroz do que qualquer leão
Mais gelada que você
Mais serena que a morte
Mais constante na nossa vida.
 [ Recado Direcionado ]
Obrigada pelos dois presentes nesta manhã.
Como é bom ser acordada por alguém que a gente gosta. Às vezes, eu tenho impressão. Às vezes, eu sonho. Às vezes, eu espero que você torne isso real sempre...
março 08, 2004
[ A Alma da Mulher ]
Não há nada mais paradoxal do que ser Mulher. Quando eu era adolescente, eu jamais pensei em generalizar ou me encaixar em algum perfil. Mas é tão simples se enquadrar em todas as qualidades e defeitos de ser Mulher.
De pensar na maior parte do tempo com o coração. Esquecer de vez a razão e agir motivada pela emoção do momento e terminar vencendo graças ao amor.
De viver milhões de novas expectativas num só dia e transmitir cada uma delas num único olhar. Às vezes, num gesto ou num mero sussurro. Às vezes, o melhor é calar-se, e deixar que a situação ocorra de acordo com o imprevisível depois de um sorriso.
De cobrar de si a perfeição e viver arrumando mil desculpas para os erros daqueles a quem ama. Dar um tratamento especial no cantinho virtual ou não até ficar “redondo” e com “seu jeito”.
De hospedar no ventre outras almas; dá a luz e depois ficar completamente cega diante da beleza dos filhos que gerou. Mesmo ainda sendo uma semente tem que se conversar e colocar músicas suaves. Interligar ainda mais o contato para que o bebê sinta-se protegido e acarinhado. [Quando eu tiver minha filha, colocarei a música com o seu nome para ela escutar todas as noites até o seu nascimento. Ela ouvirá também música clássica e alguns gêneros do rock, e acompanhará a mãe pelas noites no RV quando crescer].
De dar as asas e ensinar a voar, mas não quer ver partir seus pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem mais. Acostumar a deixar solto tudo o que se ama. É complicado e só se aprende com o tempo. Mas aprende-se, isso é fato.
De se enfeitar toda e perfumar o leito, ainda que seu amado não perceba tais detalhes. Não importa. Nada como um dia após o outro.
De transformar, como uma feiticeira, em luz e poesia as dores que sente na alma só para ninguém notar. E de alguma forma arrancar de dentro forças para ainda oferecer o seu ombro para quem nele precise chorar.
Feliz do homem que por um dia souber entender a alma da mulher. Ou por um dia tê-la.
Parabéns para todas nós, misteriosas e doces mulheres!
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