:[ Sin To Win ]:
 

agosto 30, 2005

[ Ao Menino Vento ]

O menino do Piauí esteve aqui com a sua graça, doçura e pés de vento. Trouxe a Salvador um brilho intenso, um colorido diferente ao final de semana. O Farol da Barra, mesmo não estando tão iluminado no sábado, parecia o ponto mais interessante da cidade. No ar havia um cheiro insistente de caranguejo e siri que nem água e sabão tiraram. O som das risadas alcançava toda a orla, não de ponta a ponta, mas apenas nos lugares em que os aventureiros da madrugada passavam.

Adorei a surpresa, Vento.
Estou com saudades.



janeiro 30, 2005

[ Saudades do Barulho da Máquina ]

Eu queria aprender a falar delicadezas que não fossem tão tristes, nem fizessem a gente se sentir pequena e escura por dentro e com medo de tirar as meias e pisar no chão frio. Eu acordei com saudade. Saudade é bom pra acordar com a gente. A gente levanta e deixa a saudade dormindo quietinha na cama, com medo dela assustar com o barulho do vento entrando pela janela - para colocar as mãos pra fora e sentir se frio, se calor, se azul - com o barulho da roupa sendo vestida e do perfume voando no ar até o colo. A saudade enrolada na colcha de retalhos dos sonhos, os vários sonhos que eu tive com a minha mãe, nós duas conversando enquanto ela fazia correr a agulha nos panos, nos vestidos com desenhos de flores, com estampas das mais variadas. Tinham até uns tecidos com arco-íris e com girassóis, uma camisola de bolinhas em flanela e outra com corujinhas de olhos grandes, sorrindo. Dava medo de acordar a saudade dormida com o barulho da lembrança da máquina de costurar. Eu queria aprender a falar delicadezas que fossem silenciosas e tristes como se fosse uma agulha guiando os fios de sedas azuis e amarelos e de outras cores também, a agulha, o dedal. O ponto de cruz das flores no sereno. O sereno.



dezembro 23, 2004

[ For You ]

Era uma garota que, como eu, amava os Beatles, os Rolling Stones e as músicas francesas.
Foi essa garota que me fez perceber a doçura e a alegria do mundo. Deu-me o carinho e o amor necessário para que eu pudesse distribuí-lo para quem eu conhecesse. Acolheu-me em seus braços quando eu estava doente ou precisando apenas me sentir protegida. E como eu estava protegida! Fez-me aprender sorrir, mesmo nos momentos de tristeza e desespero. Cuidou tanto de mim, minha nossa! Foi mais que uma mãe. Foi uma irmã, uma amiga. Tanto zelo, tanta confiança e tantas conversas. Queria poder ligar o som alto no meu quarto e chamá-la pra dançar comigo novamente. Ensinou-me a fazer o bem sempre, não dizer mentiras e acreditar nas pessoas. Fez-me gostar de verduras, doces e, principalmente, de comida baiana. Fez eu acreditar que Deus existe, mesmo que Ele a tenha levado tão cedo do meu lado. E também que é possível senti-la presente, mesmo há dois meses separadas, mesmo não ouvindo mais a sua voz me acordando de manhã ou a sua presença na cozinha me esperando quando eu chegava tarde da noite.


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Por mais que as pessoas me digam que o tempo conforta, mãe. Nesse caso, eu não sinto isso. A saudade fica cada vez mais insuportável, e as lágrimas descem sempre sempre sempre. Todos os dias eu continuo sonhando com você e se eu pudesse fazer qualquer coisa nesse mundo para tê-la de volta, acredite, eu faria. O nosso cordão umbilical jamais será cortado. Nunca.

[ Recado Direcionado ]

Estou indo viajar, e só retorno no dia 03 do ano que vem. Como todos devem ter notado, não escrevi mensagens de natal e de ano novo, não estou no clima, e eu nem preciso dizer o por quê. Gostaria de agradecer muito muito mesmo aos meus amigos, por terem me aturado, me dando tanto apoio, carinho e abraços. Um beijo especial a Lidiane, Paulo Kruel Schaun, Sérgio e Andréa. Vocês sabem que já deixaram há muito tempo a categoria de amigos para a de irmãos de coração.
De modo geral, para todos que acompanham pessoalmente e virtualmente a minha vida, segue os meus votos nesta singela mensagem. Beijos, e até o ano que vem.



outubro 27, 2004

[ À Minha Mãe ]

Hoje, pela segunda vez, eu consegui conversar com você. Está sendo muito difícil tentar algum diálogo depois da sua partida. A dor é muito forte dentro do peito e a saudade é imensurável. Engraçado, ninguém tem noção do quanto temos uma da outra. Não era apenas uma questão de aparência física. Temos gênios fortes e muita teimosia. Somos mais que mãe e filha, somos irmãs-amigas-confidentes. Você era o chão e a âncora que só me causavam bem. Se aqui estivesse provavelmente eu estaria pertinho de ti. Choraríamos juntas essa separação, todos os momentos angustiantes que vivemos, e você me diria que também me ama acima de qualquer coisa. Que o nosso amor é incondicional e a nossa ligação é eterna.
Sinto tanta falta de não poder ver os seus olhinhos brilharem ao me ver, ou como eles demonstravam felicidade ao ver a família reunida. Quando acendo uma vela e rezo, eu imagino o quanto de luz existe no seu caminho. Porque se existiu alguém bondosa e perfeita na Terra, esse alguém foi você. Você é um anjo mãe, com seus doces olhos castanhos cor-de-mel e os seus cabelos encaracolados.
Você tinha a mania de acolher a todos nos seus braços-mundo. E eu sentia ciúmes no início (coisa de filho único, eu acho), queria sempre a sua atenção, o seu sorriso, o seu olhar voltados para mim. Era impressionante como não conseguíamos ficar muito tempo chateadas uma com a outra. Logo arranjávamos uma desculpa para nos vermos, nos falarmos ou nos sentirmos.
Não tive coragem ainda de mexer nas suas coisas, nem de pegar nos seus cd’s. A casa toda possui um toque seu, uma lembrança sua, um momento seu comigo. Na rua, todos os lugares me dão pelo menos um motivo para me lembrar infinitas vezes de você. Se eu me conformo com o lugar, tem uma música tocando, e eu sei de todas as quais você gosta e o quão musical você é.
É mamãe, você se foi muito cedo. Sem a chance de aplaudir pelos meus sonhos concretizados (os quais nós conversávamos tanto). Sem a chance de vivenciar os seus netos, netas, bisnetos. Sem o prazer de acompanhar seus passos, de curtir no dia a dia as companhias, e tudo que você mais desejava. E eles perderam a chance de conhecê-la melhor. De participar diariamente com sua vivência de exemplo. Seus conselhos importantes de máxima serventia, cercados da sabedoria de seus ditos preciosos. Provérbios falados no tempo usados pela vovó e pela bisa.
Você partiu deixando uma lacuna aberta. Espero que sempre escute as minhas declarações de amor eterno. Obrigada por todos os momentos que passamos juntas. O que me consola nesse momento é saber que o seu sofrimento acabou rápido e que um dia eu voltarei a lhe encontrar.
O meu pai pode ser o homem da minha vida. Mas você era a razão do meu viver. Você era o meu mundo. E, agora, eu me encontro aqui, perdida, sem saber que caminho eu devo seguir...

A BARCA
Pe. Zezinho
Ouvir canção

Tu te abeiraste da praia
Não buscaste nem sábios, nem ricos,
Somente queres que eu te siga

Refrão: Senhor, tu me olhastes nos olhos
A sorrir pronunciastes meu nome
Lá na praia eu larguei o meu barco
Junto a ti, buscarei outro mar.

Tu sabes bem que em meu barco
Eu não tenho nem espada, nem ouro
Somente redes e o meu trabalho

Refrão
Tu minhas mãos solicitas
Meu cansaço que a outros descanse
Amor que almejas seguir amando

Refrão
Tu pescador de outros lagos
Ânsia eterna de almas que esperam
Bondoso amigo que assim me chamas

Minha mãe partiu no dia 23.10.2004, levando consigo o meu coração. A Barca era uma das músicas que ela mais gostava de ouvir e cantar. Que o Senhor a tenha recebido com muito carinho e muita luz. Que ela esteja em paz.



setembro 01, 2004

[ Saudade ]

A saudade entra no momento em que você desliga o telefone. Aproveita meu descuido ao pegar as correspondências em cima da mesa e invade o quarto. As gavetas, a pele e a memória. Assim, sem pedir, sem avisar. E me acompanha pela casa, pela cozinha, pela varanda, pelo banheiro. Queima a pele enquanto sinto a água escorrendo quente pelo corpo embaixo do chuveiro. Agarra o pescoço no momento em que me seco. Beija o peito no momento em que me visto. E quando me olho no espelho, lá está ela. A saudade que chega tão rápido, e que consome segundo a segundo nesta ausência, neste vazio que parece não ter fim até você colocar um fim. Porque você é as letras, as palavras, as frases, os parágrafos, os diálogos de meus textos. É o ponto de exclamação que me faz querer mais, e é a vírgula para que eu possa recuperar a respiração cada vez que lhe vejo. Sem você, agora, existem apenas páginas em branco. Sem você o meu dicionário possui um único verbete. Por isso, venha logo. Preciso ligar ou atender ao telefone. Preciso marcar um encontro. Entregar uma flor. Abrir a porta para você entrar. E deixar que a saudade fique lá fora, ouvindo a música de nossa paixão. Não, não é mais aquela em italiano.

[ Recado Direcionado ]

Kruel, não estou conseguindo lhe responder via MSN. Nem Freud explica esse mistério. Ah, e a resposta é: CLARO QUE EU VOU. “Eu tambémmmmmm não sou nada sem você... Que eu tambémmmm não sou nadaaaaaaa”. Risos.



março 22, 2004

[ Quando o Sol Enlouquece ]

Enquanto o corpo só pede cama, a mente não pára. Exige um esforço tremendo para que eu não perca o entusiasmo e toque adiante os vários projetos dentro dela. O final de semana foi extremamente importante. Ganhei forças e amor de uma pessoa especial e tão, ou mais, louca do que eu.
Um sol que se desloca do céu de uma cidade no interior do Piauí, e nasce à noite na capital da alegria. Se mistura entre as estrelas do céu da minha boca, e transborda todo o seu calor para o meu corpo.
Poderia ficar sentada ouvindo o barulho do mar durante horas ao lado dele. Inconformada, pois o tempo passa depressa demais quando há felicidade. Mesmo a distância pairando entre nós como um fantasma, o que nos separa é apenas físico. Eu espero. Eu creio. Eu estou com saudades. Eu também te adoro.
Enquanto você não volta a nascer perto de mim, o calor e o brilho pernacem comigo do lado esquerdo do peito.



março 04, 2004

[ Saudade de Mim ]

No meu canto adormecido nasce a saudade de mim. Um canto cheio de sorrisos e brigadeiro, vontades e magia. Enquanto esse pedaço adormece, o resto permanece num eterno estado de alerta inconsciente. Vivo com a consciência alterada. Já não é só a meu pensamento que a distância maltrata, e a minha estrada, meu pisar sentido. Sinto falta dos meus dias de sonhos e daqueles de pedra. Faço somente a prece do dia como se queria; esperança. Cansei de esperar por uma luz no fim das horas. De olhar para o relógio e me preocupar se ainda alcanço os ponteiros. Subo devagar a escada dos problemas. A resolução aparece enquanto passo leve por eles. Mesmo acabada. Perdida nos meus devaneios, eu nasço e renasço quando medito e afasto de mim o que se espera... E o que eu espero? Você. Quero ouvir tua voz em meu grito. E tua face à do meu coração. Intacta em mim sem tempo. Não traço a incerteza, o medo, o limite do meu ser invisível no mistério do ar, na formação e transformação de toda beleza inacabada do meu sentimento.





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