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março 30, 2006
[ Bocas Secas ]
Bocas secas. Dias intermináveis. Sonhar acordado. Palavras que formam frases que encontram olhos e beijam bocas. Música descartável e música inebriante. Abraços próximos e vidas que se cruzam. Eu venho daqui e você vem dali. Em algum ponto dessa canção você me enxerga e eu estou lá dizendo coisas que chegam a doer de tão boas de dizer a alguém. E você me leva como se esses fossem os dias que nunca chegariam e as casas passam por nós e os postos de gasolina e os carros desfilam faróis vermelhos em madrugadas quentes e vazias de testemunhas. Dizem que vivemos fugindo da vontade de ter vontade e das coisas que nos são delicadas e arrebatadoras ao mesmo tempo. Eu vejo um cartão postal e quero mandar pra você, mesmo que isso signifique somente estender a mão e entregá-lo com o silêncio que desfila entre copos de cerveja e luzes esverdeadas. Não há uma história perfeita, pois o mundo entrou em fermata, aquele sinal que habita as pautas musicais e avisa o instrumentista que ele poderá tocar aquela nota e deixá-la soando por quanto ele quiser. Por quanto ele quiser. É como rasgar as duas últimas páginas de todos os romances já escritos e juntá-los num só grande livro que vai falar dos finais em que todos buscam ou todos encontram, onde poucos sobrevivem ou todos se perdem. É como se perder numa floresta de literatura fantástica, onde árvores têm rostos e crianças vivem com a energia que só a infância pode dar. As bocas só estão secas para se encontrarem outra vez e não se afogarem em ficção, pois o mundo que criamos é o que precisa sobreviver.
fevereiro 20, 2006
[ Unchained Melody ]
Se eu soubesse inventar palavras, eu as faria ao mesmo tempo fortes como nossos abraços e suaves como o vento que visita a noite quente na cidade de Salvador. Feito um presente para aqueles que acreditam em poesias e amor incondicional. Se eu soubesse parar o tempo, eu faria com que ele andasse ao teu redor, enquanto eu ficaria te olhando, sorrindo. Mas eu sei pensar sobre essas coisas, e tantas outras. E eu gosto de imaginar que essas cenas vão criando novas estrelas em um céu muito escuro, que abriga nossos momentos como uma coleção de anéis, brincos, pulseiras e todas as coisinhas que eu uso e são ofuscadas pelo brilho dos teus olhos. Eu gosto de ver esse brilho em ti. Esse brilho que pra nós é feito uma melodia que se dança lentamente, em meio a tempestades na beira da praia ou onde a gente quiser. E então agora eu sei. E você também.
Soundtrack: Unchained Melody - U2
dezembro 20, 2005
[ I was blind before I met you ]
É mais ou menos assim.
Às vezes eu vejo os seus olhos castanhos refletindo o monitor as minhas costas. Vejo os seus olhos se voltarem aos meus de um jeito que não posso acreditar que eles podem brilhar desse jeito. Desse jeito tão único. Desse jeito tão sincero. Desse jeito tão viciante. Desse jeito tão carinhoso. Desse jeito para mim. Eu mereço tanto? Já pensei que não. Afinal, o que tenho a oferecer? Uma coleção de cd’s, livros, cartas, filmes piratas, algumas palavras supostamente bem escritas, uma amizade que se confunde com amor que se confunde com tesão que se confunde com o infinito. Mas, se alguém aqui quer saber a verdade, sim, agora sei que mereço tudo isso. E mereço mais. Merecemos mais e, sobretudo, nos merecemos.
Não está sendo tão fácil. Vai ser cada vez pior, eu sei. A correria tem me sufocado, amor. O ano de 2006 promete dezenas de caminhos e encruzilhadas. Mas, eu sei que nós dois conseguiremos percorrer e acertá-los, e, então, estes olhos castanhos-doces-mágicos se encontraram com os meus, em uma noite de sexta, na varanda e com um beijo sabor cacau que durará a noite toda. Ou melhor: a vida toda.
E agora estou aqui. Nesta sala com ar condicionado, sentindo frio, sentindo falta do seu sorriso, do seu olhar. Não consigo imaginar presente melhor do que este que ganhei dia 10 de agosto de 2005, e que ganho todos os dias.
Eu não queria mais escrever posts tão melosos assim, não queria mais escrever a nossa vidinha. Mas, se estivesse aqui ao meu lado, eu colocaria a sua mão em meu peito e aí todas as suas dúvidas deixariam de existir. Porque o meu coração não bate mais. Ele não pulsa. Ele apenas diz estas duas letras que me fazem acreditar que a vida, enfim, é a vida.
Jê, meu amor, você não precisa se preocupar com o meu presente de natal. Muito menos se estou bem aqui longe de você. O fato é que não preciso de mais nada. E muito menos estamos longe. Nunca vamos estar. É só eu fechar os meus olhos, ouvir a canção que você fez pra mim ou a do Depeche Mode, It’s only when I lose myself in someone else that I find myself, e pronto.
Nós estamos juntos.
E você me dá os seus olhos assim... de presente.
outubro 11, 2005
[ Pra Perto de Mim ]
"Fugindo por uma estrada
como outra qualquer
Quase sempre é alta madrugada
Por isso leve sempre
O seu pé de coelho
Ferradura com sete furos
Trevo de 4 folhas
e uma arruda atrás da orelha
Que o destino traga você então...
Pra perto de mim."
Eu posso sentir o vento me libertando-congelando-meu-corpo enquanto sigo de madrugada para o aeroporto com as janelas do carro abertas. Fico sentadinha numa mesinha da praça esperando você desembarcar. Os segundos são minutos. Os minutos são horas. Até que a moça-com-a-voz-metálica anuncia a chegada do seu vôo. Corro para o portão. E lá está você com aquele sorriso do tamanho do mundo e os braços abertos que abrigam o universo do nosso amor.
setembro 28, 2005
[ Matinal ]
Sentados na mesa da sala. Faces suaves. Imersos em seus pensamentos eles comem pãezinhos frescos com manteiga. Pouco sal. Goles pequenos e contidos em seus cafés. Fracos. Aguados. Cafés translúcidos e quentes e perfumados. Pedacinhos da casca do pão, dele, espalhados em sua camisa de algodão. O miolo do pão, dela, sobre o prato.
O olhar dele perdido em prédios, horizonte geométrico da cidade. O dela, encontrado na pequena mancha cinza ao lado do interruptor.
As mãos dele trançadas por sobre a xícara, sabonete recendendo brancura imaculada. O jornal à sua frente. Ela, sem barulho na cadeira, apóia-se nas mãos e levanta o quadril, nádegas no assento acolchoado da cadeira. Aquieta-se.
Eles se encaram.
Ele o jornal com as duas mãos e tudo em pedacinhos, palavras divididas quebra-cabeças econômicos, sem barulho tudo para o alto. Pássaros.
Ela o dedo na geléia de morango a parede amarela ao lado da porta, riscos doces. Mar.
Ele pedaços de acidente pelo ar, o presidente em cada canto da sala de jantar, a persiana preto e branco e letras em segredo. Som.
Ela flores de miolo de pão e guardanapo de papel o cor-de-rosa da camisa dele com flor de papel e pão. Jardim.
Ele palavras tão bonitas e os cabelos encaracolados dela enfeitados. E ela tão linda assim, tão cheia de palavras, tão sem significado. Nuvens.
Ela as xícaras em cascata de leite, branca. Ouça o barulho das águas, ela diz. Ouça os segredos que escorrem nas gotas brancas.
Ele ouve. Agudos.
Sorrisos espalham-se de mãos dadas.
E as xícaras esperam, pacientes, a hora de serem lavadas, enxutas e guardadas.
[ Enamorada ]
Eu gosto de te ver assim enamorada, guria. Os seus olhinhos parecem dois holofotes acesos, mesmo sob o sol forte da manhã. As suas sandálias caminham mais leves pelas calçadas. Os sons da natureza acompanham a brisa passageira pelo seu corpo. E o dia transcorre numa calma... mesmo com toda a correria em que ele a envolve.
setembro 21, 2005
[ Without You, I'm Nothing ]
Você diz que é seu o que eu nem sei se realmente existe. Olho de dentro de mim e não sei quem é essa sua mulher. Por isso peço inúmeras vezes para você me explicar. E você fala de cada parte do meu corpo que não é de mais ninguém a não ser de você. É tudo meu, você murmura. E aí você me tem por partes e eu me percebo por partes, só que o todo, nunca se encaixa. Por isso preciso ouvir sempre e sempre e sempre que eu sou sua, preciso ter essa certeza. Eu preciso de você. Sem você, eu não sou nada.
 [ Recado Direcionado ]
Sinto tanta a sua falta Kruel! E pensar que ainda faltam alguns meses para eu te abraçar de novo...
setembro 16, 2005
[ À Noite ]
Já deitada, o passado a deixa branco e preto.
O presente a cobre colorido.
E o futuro adormece ao seu lado misturando tudo numa aquarela de beijos.
setembro 13, 2005
[ Canções de Ninar ]
Canções de ninar, tuas palavras no bate e volta dos travesseiros, troncos, coxas e pernas, meia-lua à espera de teu abraço.
Canções de ninar, sono que chega devagar, em ondas feitas de lençóis, rugas de juventude, manchas aqui, acolá.
Canções de ninar, dedos entre dedos, aceito o teu caminho, de olhos fechados, confiança cega, não vejo a hora.
Canções de ninar, hálito que viaja do pescoço à boca, a suave melodia do teu corpo sobre o meu, leves piscadas são vaga-lumes à noite.
Canções de ninar, portas abertas, armários desarrumados, agora que sou alimento, durmo sem medo do bicho papão, durmo com o teu braço em volta dos meus seios.
setembro 09, 2005
[ Banho ]
Ela escreve versos no vidro do box do banheiro. A água quente-fervendo queima em jatos as suas costas, mas a dor da espera é maior. Ele disse que chegaria para assistir dois filmes, para ficar enrolado no edredom com o ar condicionado ao máximo, e que deixaria ela desenhar eternamente nas suas costas com as unhas até adormecerem. E mesmo assim a pele dela estará limpa. Porque mesmo a rinite obstruindo as narinas, quando se está perto demais da alma o perfume é mais forte. E ela quer que ele a sinta crua. A porta abre devagar. Como pôde entrar tão violentamente em minha vida e ser assim tão discreto? Ela o abraça bem devagar. E vai moldando o suor do corpo e da camisa dele com as gotas de água que escorrem pelo corpo dela. A mochila entrega o seu atraso: trabalho. As roupas caem sobre o azulejo. No box, as unhas vermelhas ainda versam. Meias brancas, rabiscos poéticos. Acompanhada, ela abre ainda mais o chuveiro. Quero jatos mais fortes. Ela diz jatos. Mais fortes.
setembro 03, 2005
[ Uma Canção pra Mim ]
Ele não foi simplesmente uma caça, uma paixão imediata.
Ele é uma canção.
Uma canção escrita pra mim. Uma canção de medidas perfeitas. De versos belos. De solos prazerosos. Uma canção pop. E glam. E punk. Uma canção elétrica. E eletro. E sertaneja. E acústica. Uma canção de amor. Uma canção que explode. Que dança. Que seduz. Que me faz delirar. Que me acalma e silencia.
Uma canção que me diz algo diferente toda vez que a ouço com os olhos, com os dedos, com a pele, com a boca.
A minha escolha, meu amor, é colocar você no repeat. Sempre. Sempre. Sempre.
agosto 30, 2005
[ O Que Eu Sei ]
Pele doce, a sua.
(ainda tenho dúvidas sobre a doçura da carne, sobre a sua doçura)
Esperei tanto...
(sempre esperei)
E quando vejo você, assim, aqui, assusto-me.
(quero amar você entre parênteses, num sussurro ser sua pra sempre)
Será recíproca a dúvida?
Não, você é chão,
é sim ou não.
Eu,
(questões idiotas questões infantis questões femininas)
nem lá nem cá,
meio de caminho,
vôo e volto.
Você,
diz/age querendo-me sempre.
(quero ter você só meu, mas não possuo nem a mim mesma)
É só isso que eu sei.
agosto 20, 2005
[ Segredos ]
Mas se eu descobrir os seus segredos, se eu os encontrar, como, distraída, uma criança dá com seus brinquedos em recônditos insólitos da cozinha, da sala, do quarto de dormir- Como uma criança que um dia os escondeu e que depois saúda-os, dá-lhes as boas-vindas, como se não os tivesse visto ainda nunca em sua curta vida.
Mais curta que sua vida de menina era sua memória, o que lhe proporcionava novidades cotidianas que, apesar de serem-lhe constantes, não lhe causavam a perda do espanto – ela já não era mesmo capaz de recordar-se de que fazia tão pouco ela se havia surpreendido. A menina vivia uma vida de espantos e sorria-lhes, alienada e distante, e depois dava-lhes as mãos e saía para brincar com eles.
Não me tome por essa menina: não que eu não me surpreenda. Ah, como eu sei me espantar, eu aprendo o sobressalto a cada momento, eu sou tão descuidada. Eu me lembro de tudo, de tudo eu quero uma memória, um fiozinho de lembrança renovada, de recordação que sou capaz de reinventar mil vezes, sem esquecimento. Minha história de lembrar é assim, parece um reguinho d'água que brota muito lá longe, numa nascente persistente. Barulho de história é bom de escutar, de embalar para dormir, samariquinha maroquinha tinha uma linda casinha nos tempos do amor, minha história lembrada faz encher uma canção de ninar. Mas eu não sei e acho que não quero aprender a não inventar.
E se eu der com os seus segredos, essas histórias feitas em novelos, enquanto percorro os corredores da sua casa, sonâmbula e silenciosa, seguindo o som chiadinho da sua máquina de fiar, e neles enroscar meus pés como gatos que se embolam enlaçados nas histórias, boas de fazer correr pela casa, de meter as garras, e depois modorrar, em fim de tarde? Eu sou tão descuidada no caminhar. E se os seus segredos se enroscarem nos meus pés feito raízes de plantas aquáticas, por baixo do escuro de um rio que correu do reguinho d'água e que agora se demora porque tem preguiça de ir um pouco mais além? Se eu colher, distraída, os seus segredos que brotam nas frestas do seu chão, pés de mato que você se encarrega de semear durante o sono, mato que cheira bem feito dama da noite, o que será do que um dia sonho chamar de meu e de seu? História lembrada de inventar mil vezes começa com a tosquia da lã, com o tingimento em cores que nossos olhos viram – agora ainda não é tempo de lã, não é estação de colorir, acredito que não, digo que acredito que não querendo dizer opostos, tentando chegar ao fim do novelo pela ponta de cá, inventar estações mais avante. Eu sou tão descuidada.
Se eu agora aceitar os seus segredos, se eu chegar com a violência arrebatadora de quem vem para violar o que se não desejou ainda expor, eu estaria indubitalvemente presa ao chão, ao seu chão, pior que raiz de árvores velha em praça de igreja matriz em cidade no interior. Se eu tomar os seus segredos, eles me pesariam mais que uma mala cheia de uma infância toda triste e todos sabem e se você ainda não sabe, escuta, presta atenção, os segredos alheios, os que nos são dados, fazem a gente ficar levinha, é o jeito mais simples de aprender levitação: o mistério de tudo, os seus mistérios.
Eu aguardo, eu sei isso também, fazendo das tripas coração, porque não tenho paciência milenar, ela se consome em segundos. Será preciso que eu a encomende de longe e que a guarde dentro de um relicário que atarei ao meu pescoço enquanto eu deitar antes do sono. A paciência, a paciência é muito escura, às vezes tem lua, e sempre aclara de manhãzinha. Vou continuar olhando você enquanto dorme e prossegue na sua semeadura noturna, samariquinha maroquinha, eu te vigio mas prometo nada encontrar, não toco em nada com medo de quebrar, eu sou tão descuidada com as mãos, eu aguardo a estrela da manhã, como se eu dormisse para acordar numa poesia, eu espero seu sinal.
O seu segredo vai então estar me esperando, me olhando, em cima da mesa, ele estará embrulhado em fino papel de seda, vai ser pôr minha mão sobre ele, ele vai se rasgar, eu não tenho muito jeito, em volta dele haverá uma fita, um laço que desfarei sem que me oponha resistência, uma linha que não conheceu e não conhecerá a antiga história dos renitentes nós. Haverá uma dedicatória invisível, que não encontrará nem tinta nem papel que a suporte ou traduza -- vai ser preciso aprender a língua das lãs coloridas: " E são seus. São meus os seus segredos?", eu ouvirei você dizendo, como quem me pede uma pista, como quem quer fiar comigo e eu te direi: "tem também paciência: os meus segredos, eu só os guardo para que você os procure, para que os queira encontrar". E assim, com esse pacto invisível, poderemos nos casar.
Adventurous Life II - Dawnfine e Captura - Automata.
agosto 09, 2005
[ Costura ]
Costura o seu corpo no meu corpo só pra ver se eu aumento. Com pontos de cruz para ficar artesanal. Com um beijo para colorir. E um abraço demorado e sensual para não escorregar.
Embola a linha entre os braços, e as pernas se entrelaçam para firmar ainda mais os desejos e as vontades. Cuidado com a agulha, ela transpassa apenas as nossas laterais. Dentro de mim, só a tua carne.
julho 25, 2005
[ Invenção Sem Sentido ]
Amor não é.
É sonho.
É invenção dos suspiros, meu produto.
Meu erro. Foi um erro.
Foi um leque que se abriu e esvoaçou o mundo.
Foi sem motivo.
Sim.
Amor não foi.
E, amor, não será.
julho 16, 2005
[ O Tempo de Um Filme ]
cento
e
oitenta
mil
imagens
espalhadas
em
vinte
e
quatro
quadros
por
segundo
e eu vejo em grande angular sua boca em outra voz e seu olhar em outra face e eu em outro corpo e a gente fazendo amor como nunca e gemendo e gozando com a mão no lençol e a maldita música que tem a sua cara e eu viajo em sons que estimulam sentidos sensações excitam meu sexo minha mente meus sonhos meus desejos minhas lágrimas minhas risadas todas as possibilidades inimagináveis de alguma coisa comum,
sonho.
o tempo de um filme.
 [ Recado Direcionado I ]
Eu quero você. De verdade.
 [ Recado Direcionado II ]
Eu sinto muito pela sua dor, mas como tudo neste mundo, ela vai abrandar. Pode até não ser esquecida, mas suavizada ela será. Estou aqui para um colo virtual, se quiser. Se sentir vontade de voar por essas terras não tão ensolaradas como em outras épocas do ano, pássaro, estarei por aqui. Beijos poeta.
abril 01, 2005
[ A Menina Que Dormia Na Diagonal ]
Eu poderia começar essa historinha com era uma vez. Mas por que sempre nos contam do passado? Será que a magia da vida não acontece mais nos dias de hoje? Pois então. Essa historinha começa assim no presente: é uma vez uma menina que só conseguia dormir na diagonal. Ok, ok, ok, você quer que eu explique melhor o que anjinhos significa dormir na diagonal. É simples, presta atenção. Cada vez que os pais da menina a colocavam para dormir direitinho na cama, retinha, retinha, no meio da noite ela começava a girar o corpo feito um ponteiro de relógio até ficar assim \. A mãe ficava preocupada porque o cobertor caía e o friozinho da madrugada não fazia bem para a asma da filha. O pai se perguntava o que havia feito de errado para que a sua princesinha dormisse daquele jeito. Ele tinha medo de que os seus sonhos ficassem todos tortos. Afinal, existem aqueles casos de pessoas que sonhavam de forma torta e acabaram se tornando adultos que nunca mais conseguiram realizar tarefas em linha reta. Eu sei que tem gente que não acredita nisso. Mas pense naquele seu amigo que vive caindo da bicicleta. Ou na sua avó que já bateu o carro na lixeira da rua umas vinte vezes. E o que dizer do tio que não consegue levar um garfo à boca sem sujar toda a calça de comida? Então, todos eles dormiam na diagonal. Por isso, a preocupação dos pais da menina. Consultaram médicos, cientistas, computadores, oráculos, fantasmas até. Mas nada. A menina continuou dormindo na diagonal. Só que, por um desses milagres da vida, ela se tornou uma adulta normal. Menos em um quesito: o beijo. Sempre que vai beijar alguém na boca, acaba beijando a bocheca. Ou o nariz. Ou a orelha. Qualquer coisa, menos a boca do coitado que está esperando um beijo todo apaixonado. Ela tinha que segurar com força a cabeça do garoto que queria beijar para que conseguisse tocar os seus lábios. Só que a força era tanta que ela já estava cansada. Até que um dia a menina conheceu um menino que não se importava com beijos. Ela não entendeu muito bem como alguém não se importava com beijos, afinal beijar é tão bom. Mas gostou do menino mesmo assim. E começaram a sair juntos, a dançar juntos, a caminhar juntos. Um dia o menino estava cansado demais e a sua casa era muito, muito longe. Aí a menina o convidou para dormir em seu castelinho. Ele ficou envergonhado, mas aceitou o convite. E, assim, os dois deitaram na cama. Qual foi a surpresa da menina quando, de madrugada, viu que não havia apenas um ponteirinho sobre o colchão e sim dois! Dois \\. Simetricamente tortos. O final dessa história é muito óbvio. Mas a gente sempre se recusa a enxergar o óbvio, não é mesmo? Então, aqui está o final para vocês: o caminho torto da boca da menina se encontrou com o caminho torto da boca do menino. Hoje, ela não precisa mais de truques para beijar. E ele finalmente aprendeu o quanto beijar é bom.
janeiro 03, 2005
[ Beija ]
Beija
Porque é doce a carne
Beija
Porque esse é o seu desejo
Beija
Porque os meus lábios te seduzem
Beija
Porque a curiosidade de saber meu gosto te alucina
Beija
Porque os poros a sua frente gritam
Beija
Porque dentro de ti também mora o pecado
Beija
Porque a magia se faz presente
Beija
Porque cada estrela que colhe no meu céu da boca, nasce outra com seu nome
Beija
Porque é esse o seu destino: beijar minha boca constantemente.
novembro 16, 2004
[ Estrelas nas Pontas dos Dedos ]
Lembrar certas coisas perdidas é como revirar o armário mais escuro da casa. Elas metem medo. E eu sempre tive medo de armários e de cantos escuros. Prefiro a escuridão ampla da noite, o céu cheio de estrelas. Ter a chance de olhar de longe o brilho delas. Eu aqui embaixo, elas lá em cima, um espaço todo a nos separar. O céu à noite tem luzinhas que formam verrugas na ponta do dedo, se a gente apontar pra elas. Prefiro olhar pras luzinhas dos meus desejos, brilhando lá no céu. As minhas lembranças, elas precisam ficar nos armários, escondidas, guardadas.
Desejos duram uma noite. Desejos brilham e andam pelo céu, eles reluzem. Lembranças envelhecem e amargam e juntam poeira. Olhar pra elas me dá falta de ar. Desejos me fazem querer rodar e rodar e rodar até cair de tão tonta. Lembranças dão asma e chiado. Desejos são pequenas explosões que se transformam em luz. Desejos nos enchem o pulmão de ar. Os armários nos sugam pra dentro, eles parecem buracos negros dentro da nossa casa. Lembrar faz o armário abrir-se e sugar as estrelas. E em vez de luz, o céu à noite enche-se de memórias esfarrapadas e de lembranças em decomposição. E o armário, quando suga as estrelas, traz meus desejos tão perto, tão dentro de mim, que eles acabam por virar lembranças. E isso eu não quero.
setembro 07, 2004
[ Uma Questão de Pele ]
Seus troféus marcados em sua pele. A ferro quente, tinta. Tatuagens belíssimas, à custa de muita dor. Formas irreais, aladas, em movimento. Azuis e rosas, alaranjados. Seu corpo coberto por aquilo de sonho, alucinação. Ele mesmo desenhava as figuras, com detalhes, fazia os desenhos a lápis de cor, horas e horas de delicadeza e paixão. Depois, ia até o ateliê de tatoo mais confiável e deixava a transformação acontecer. A cada vez, ele era outro. A cada vez, seu poder sobre si mesmo aumentava mais e mais. Uma obsessão. Não conseguia compreender o porquê.
Ele trabalhava no centro da cidade, perto do bairro oriental. Numa cidade qualquer, num centro qualquer, no bairro oriental de sempre. Toda a sorte de olhos puxados misturados a pensamentos zen. Óleo de soja, peixe frito. Legumes com shoyu. E artes marciais em profusão. Ele sentia-se bem ali, era admirado, respeitado, podia até afirmar que era idolatrado. Não entendia muito bem o porquê daqueles sorrisos de admiração, ele, um estrangeiro ali. Na verdade, ele era alguém bem simples, um favelado que nem falava português direito quanto mais essas línguas alienígenas. Sinceramente, não compreendia uma palavra que lhe dirigiam. Mas, era querido ali, como nunca antes.
Foi caminhando pela rua principal do bairro que ele a viu pela primeira vez. Uma espécie de princesa do lugar, uma menina quase moça, filha do mafioso mais poderoso dali. Daquelas que nunca ele poderia nem sonhar. Mas, foi ali, no meio da rua, ela passando no carro do pai, devagar, que ela o olhou. Olhos puxados, alongados, doces. Felinos, escuros. Não conseguiu evitar perder-se por um momento. Deixou os papéis soltos na mão e eles voaram com o vento. Acordou com o movimento deles, em volta. Porra, tinha que ir ao banco.
Todos os dias, ele passava no mesmo local, esperando por ela. E todos os dias ela vinha. Seus olhares em plena hora do rush. Fumaça de carro envolvendo tudo.
Foi numa dessas quebradas que ele a viu esperando por ele. Parecia ofegante, nervosa. Ele não compreendia as palavras dela e ela o levou para dentro de uma casa, escura. Ali, ela arrancou a blusa dele e acendeu a luz. Contemplou-o religiosamente. As formas desenhadas em seu dorso, o mundo mágico delas. Delicadamente, sua mão passeou por dragões, pássaros, plantas imaginárias. Sua mão suave tocando tigres de bocas arreganhadas, diabos alados, fogo. Traços finos, curvos, contornos e sombras. Ficaram horas ali, ela penetrando o mundo dele, ele sentindo a sua mão de menina. Amor.
Já fazia um tempo que ele se sentia observado. Seguido, mesmo. Andava pelas ruas do bairro e era como se alguém estivesse respirando atrás dele, sua sombra lhe pesando. Procurava quem, mas não tinha ninguém, estava enlouquecendo. Será que alguém tinha visto os dois? Não, ele já estaria morto a essa hora. Lembrou-se do desenho que estava fazendo dela. Caramba, estava demais. Como ela era linda. Até no desenho. Já estava com mais da metade da grana pra mandar fazer a tatoo. Ela vai ficar perto do coração, cubro o cisne, pensou. Aí, nem viu o carro. Morreu na hora.
Ela em seu quarto de princesa, branco, dourado e vermelho claro. Pequenas flores envolvendo tudo, cheiro suave. Seus cabelos lisos e pretos na fronha de seda e ela sorri, feliz. Olha em volta e vê como tudo parece mais bonito: o teto, as paredes, sua cama, seu corpo. A luz do quarto manchada com azuis, laranjas e rosas: tigres nas paredes brancas, dragões pelo teto, e em seu corpo: um cisne. A pele dele em seu abajur, iluminando tudo.
E onde quer que ele esteja, agora compreende: era por ela.
agosto 08, 2004
[ Saturday Night ]

Ele a faria feliz nesta noite de sábado. Jurou a si mesmo antes de sair de casa e pegá-la na sua moto recém-comprada. Sabia que ela tinha medo, mas a convenceria, de qualquer maneira, a dar uma volta. Parou na frente do portão, deu um toque no celular, e esperou... Meio apreensiva, ela encontrou o rapaz de olhar ansioso com um meio sorriso. Uma saudade estranha se apoderou do seu peito, como se ela já tivesse vivido várias vezes essa situação. O que pode ser verdade ou uma completa mentira. Depois de cumprimentos formais, ela aceitou, meio relutante, a subir na moto. Mas apenas para descerem a ladeira e conversarem um pouco no largo de Dinha.
Ele sorriu. Ela fez careta. Pedaços de acarajé cairam da boca dele. Espantado pela forma direta e sincera dela de dizer o que pensa. A praça estava infestada de pessoas que queriam se divertir. Ela lhe disse claramente que o usava para isso. Ele era o seu novo passatempo. Um brinquedinho em suas mãos. Algemado por correntes enigmáticas lançadas pelos olhos castanhos da garota cuja atenção ia e voltava para um sinalzinho no seu queixo. Ele não se importava. Gostava de aventuras. Gostava de sentir a sua pele sendo tocada por aquelas mãos macias. Subiu um certo rubor na face da garota. Ao notar o interesse dele. Surpresa também por estar lhe dando com alguém tão carinhoso e inusitado. Pensava que talvez o seu plano de dominar mentes, pelo menos com ele, não iria conseguir obter o resultado esperado. Ela não iria desistir. Saiu de casa decidida a colocar em prática as lições do seu novo livro de cabeceira.
Ele pensava em como a noite estava passando depressa. Ela ainda nem sorriu tanto quanto ele queria. Ele ainda nem tentou roubar-lhe um beijo. Mesmo não sabendo definir o que sentia por ela, ele não conseguia se controlar quando estava ao seu lado. A boca dela sempre convidava sua língua a entrar e permanecer embalada ao sabor, aos sons e movimentos. Tinha uma imensa vontade de tomá-la nos braços e levá-la para longe dali. Um lugar isolado onde pudessem dançar sob as estrelas. E a noite passasse mais devagar e deliciosamente. Enquanto isso, ela lançava novas teorias e idéias no ar. Na vã esperança do olhar dele se desviar dos seus lábios. Ela queria alegria, e não ser o prato principal. Estava cansada de apenas ser diversão sexual, de conversar com as paredes, de fazer outras atividades sozinha. Como são complicados todos esses dias de chuva sem sair para tomar banho, porque antes tinha graça fazer isso sozinha no quintal, mas, hoje, ela queria alguém para roçar-lhe a pele, rodopiar de mãos dadas como crianças e alguém para compartilhar a impressão de que em cima do próprio corpo parece que chove mais do que em qualquer outro lugar.
Definitivamente eles não conseguiram se entender. A noite acabou. Sorriram bastante.
Ele corria pela Paralela sem saber porque ele não conseguia fazê-la totalmente feliz por uma noite. E ela... bem, ela chegava a conclusão de que não queria dominar a mente de ninguém. E que pessoas e livros realmente combinavam em alguns pontos. Naqueles em que os momentos fogem completamente a ordem dos capítulos. Mas tudo está lá, é só saber procurar direitinho. Ela devia ter começado do fim ao início com o motoqueiro.  Em repeat no winamp: Suede – Saturday Night
julho 28, 2004
[ Quando Você Acordar ]
Quando você acordar vai sentir o caminho dos meus dedos pelas suas costas. Quando você acordar vou olhar no espelho e não reconhecer o meu passado. Quando você acordar o meu coração estará aos pedaços ao lado da cama esperando para que junte os cacos. Quando você acordar verá o rastro de minha perna nas suas coxas. Quando você acordar o mundo todo irá parar para vê-lo abrindo os olhos. Quando você acordar o seu rosto estará marcado pelos beijos que não dei. Quando você acordar irei olhar o presente no seu brilho castanho. Quando você acordar todos os DJs do mundo irão tocar a mesma música. Quando você acordar o sol vai finalmente aparecer. Quando você acordar os seus cabelos serão 1977 e a minha paixão 1989. Quando você acordar vou começar a dedicar a minha vida para encontrar uma nova definição para o sexo. Quando você acordar o relógio do meu desejo irá despertar. Quando você acordar o meu sorriso irá congelar. Quando você acordar a sua boca na minha, garoto, quando você acordar eu já terei escrito todo este texto na ponta da língua, dos seus pés à cabeça.

julho 13, 2004
[ O Rock está Morto ]
O rock está morto. Isso passa pela mente no exato momento em que tiro o meu corpo debaixo do seu. Fujo do seu beijo. E deito de costas para você. Fixo o meu olhar numa das estrelas fluorescentes perto de nós. Nossas respirações ainda estão ofegantes, adrenalina correndo rápido pelos corações, braços e pernas misturando-se. Uma verdadeira avalanche, tempestade, furacão, e, de repente, parece que vinte cinco anos da minha vida pararam de fazer sentido. Como se todo o dinheiro e tempo gastos em discos, fitas cassetes, shows, todas as canções que consolaram e emocionaram e assassinaram a minha alma, tudo isso dedicado ao mundo rock e pop fosse em vão. Como se eu precisasse de melodias, versos e microfonias para sentir alguma coisa, qualquer coisa que me tornasse mais viva, qualquer coisa que amplificasse a voz de meu desejo, qualquer coisa que me fizesse perceber que sou de carne, que sou de osso, que sou de sentimentos que se evaporam no ar, agora nada disso faz sentido, porque o cara ao meu lado agora é a música que me toca, que me importa, que me mata, é harmonia, é poesia, é magia, que fodam-se os Beatles, que fodam-se os Stones, que fodam-se os Stooges, que fodam-se os Ramones, que fodam-se os Temptations, que fodam-se os New York Dolls, que fodam-se os Sex Pistols, que fodam-se eu e você, literalmente.
Quero o punk e o pink, o glam e o glitter, o hard e o core, assim, assim, no volume máximo, através das minhas coxas pressionando a sua cabeça como headphones, e você escutando “gimme head, gimme shelter, I wanna be your man, I wanna be your dog, dreaming of love, dreaming of you”, porque com você encontro todas as canções que preciso ouvir, todas as baladas, todos os rocks, todos os barulhos, todas as batidas, todos os grooves, você é meu jukebox, você é meu rockstar, você é meu junkie, você é meu roadie, você é meu bandleader, você é meu tour manager, você escreve, produz e mixa os meus dias, está no topo das paradas e é hit do meu lado mais sujo, underground, perverso, que agora quer você de todas as formas, de lado, de frente, de verso, de lá, de cá, rápido, devagar, um solo de guitarra que não termina mais, os meus dedos fazem pentatônicas pelas suas costas enquanto você me conduz, e, então, quando o nosso gozo chega como se fosse um refrão, finalmente descubro por que sempre fui obcecada por rock: eu queria apenas sentir tudo em mim arrepiar.
E então apareceu você.
E o rock, bem, o rock está morto.
julho 11, 2004
[ dia. sons. pensamentos. você. ]
O dia começa cedo, apesar de eu estar dormindo muito tarde. Deveria permanecer na cama às sete da manhã, enrolada ao edredon e ao sonho doce e erótico devido aos seus gemidos no meu ouvido. Mas levanto e, no banho, o meu pensamento continua conectado aos seus sons. Entre as roupas que penduro no varal, uma palavra, ou duas, falam seu nome. Elas balançam ao vento, junto com as roupas, soprando os meus desejos, me dizendo tudo aquilo que eu já sei. Na cozinha, as panelas soltam uma fumaça branca, soltam cheiros de família. Mas eu não estou aqui.
Eu vou junto com a fumaça, eu vou embora pelo ar, eu me desfaço em ar e as distâncias diminuem. As camas todas têm os lençóis esticados, os travesseiros estão ao sol, o ar está cheio desse cheiro de limpeza, as colchas têm rendas e detalhes, mas, em cada curva do tecido, em cada dobra de cada fronha, eu vejo você.

Caminho pela calçada na orla, perto de casa. Os semáforos acendem a luz vermelha assim que eu chego perto deles. Tenho a sensação que essa sintonia se deve a você. Que estará do outro lado da rua à minha espera. De sorriso aberto e olhar terno.
Vejo você nas plantas do jardim, nas flores que caem pelo chão, nas gotas da chuva do inverno que caem pelo meu rosto quando o vento bate e encharca tudo. Eu lhe procuro em músicas do Jorge Ben. E nas do Guilherme Arantes também. Eu lhe procuro em vozes desconhecidas, que falam nas ruas. Nas ruas cheias de gente. Tanto de gente quanto de gatos. Gatos que eu amo sem nem conhecer.
A música toca. Uma música que para mim representa o fim e o começo. E ela recomeça, de novo, de novo e de novo. A música suave e romântica, a música anos 80, criança, cheia de semitons e delírios. E o meu amor se transforma em você. Você é meu desejo, meu carinho, minha beleza. Você é o meu ideal. Uma idéia medieval, que renasceu. Uma idéia de construir castelos e ser uma dama de copas. E eu penso que tudo poderia ser diferente, tudo poderia ser tão diferente. Mas a minha sabedoria me diz que tudo seria exatamente igual. Então, tudo vai ficar como está. Tudo é, apenas.
 [ Recado Direcionado ]
A minha teimosia e o meu bico serão as armas para você desistir de mim.
julho 03, 2004
[ Amor de Recomeço ]
É definitivamente estranha essa dor que o fim de um amor-sem-começo faz a gente sentir.
Fica-se a imensa vontade de poder sofrer tudo normalmente, até mesmo com elegância, escutando notas chorarem no sax junto com a gente, mas nem isso se consegue.
Tudo porque não existe dor no fim de um amor-sem-retratos.
E os amores-sem-começo são tão rápidos que sequer dá tempo de bater as fotos.
Que, aliás, só valem as bem felizes: sorrindo e abraçados, entregues aos beijos de língua, com os rostos lado-a-lado de um bichinho de pelúcia. Vale também, é claro, fita em vhs, de viagens para Rio Grande do Sul e lugares zen como a Chapada Diamantina. Ou, talvez ainda, a originalíssima cena da mão tapando a lente da câmera depois da longa declaração de amor.
No entanto, mais sério ainda que a fossa de um amor-sem-retratos é a fossa de um amor-sem-a-música-do-amor. Não é amor. Afinal, quando o romance, posto que é chama, um dia acabar, e a gente sair com as amigas para descontrair, esquecer, e depois voltar chorando na chuva e sem saber direito como abrir a porta de casa. Tentando ficar calma, tentando ver alguma coisa na TV, ligar o rádio, e... o que é que sempre toca no rádio? Exato! Uma música de amor.
Aí, a gente fica sem saber se desliga os aparelhos ou se desliga a vida. Na dúvida, dá uma volta pelo quarto, vai até a varanda, volta, inicia o computador e nesse momento, no entanto, aparece na tela, bem na sua frente, alguém especial e com um carisma... Você pensa “ah não, não quero começar tudo de novo!”. E quem disse que é para começar? Pode ser apenas o início de uma grande amizade. Você já volta a sentir um bem estar ao conversar com alguém interessante, e até sorrir com os pedidos sem cabimento do seu vizinho lindo.
Não adianta desistirmos de tudo. O destino sempre nos ajuda a recomeçar. Mesmo quando estamos diante do fim de um não-quase-amor: ou desistimos de tudo, com os destroços em nosso peito, ou então seguimos em frente, desabafamos com os amigos, tomamos um longo banho e choramos na cozinha.
A partir daí, é só questão de tempo, questão de dias, que se esquece tudo, tudo, ou ao menos acostuma-se com a ausência.
O importante é não perder a esperança e encontrar pela vida, entusiasmados e ingênuos, como são todos os olhos, um novo amor. Um amor dessa vez sem hífens e sem defeitos, como condiz a todo amor de recomeço.
junho 28, 2004
[ Ele e Ela (Uma Animação sobre os Dois) ]
Ela descobriu que não quer mais ser Aranha, quer ser Coelha.
Ele não tem direito de escolher. Ele deixou de serMosca, e passou a ser Gato. Risos.
junho 21, 2004
[ Ele e Ela (Mais uma Historinha de Amor) ]
Ele gosta de estudar e conversar sobre ciências ocultas, ou pelo menos gostava. Diz que se tornou pragmático, e que só acredita na sua visão do mundo e no que pode tocar. Ela acredita em magia, mas, na minha opinião, ela parece mais uma fada com aquela maneira dengosa de falar e aquele jeitinho de enfeitiçá-lo.
Ele é paranóico. É inteligente e TL ao mesmo tempo. Vive filosofando e alimentando as teorias que ela cria. Os dois não conseguem discutir pacificamente, logo estão no meio de um campo de batalhas atirando. Cada qual com o seu tanque de guerra. Brigam, ou porque há falhas na comunicação, ou porque eles adoram se engalfinhar. Ele não presta atenção no que ela diz enquanto conversa no MSN. Eu odeio isso nele.
Ela gosta dele, de abraçá-lo e dormir agarrada a ele. Só não quer fazê-lo lembrar do seu caso/não-caso recente. Adora quando ele começa a falar sobre música, yoga e filmes. Isso são coisas com que ele realmente se empolga. Ele poderia ficar horas falando sobre suas bandas preferidas pra ela.
Mas ela não é como ele. Ela quer mais. E ele não se importa, e se incomoda por ser assim. Mas não incomoda a ela, que gosta daquele jeito dele, sem jeito.
Ela mexe com ele. E ele mexe com ela.
Ela disse pra ele que algo dentro dela mudou depois que o conheceu. No início ela não queria se envolver muito. Mas agora, depois de muitos beijos pelo ar, ela não sabe o que sente e como dizer isso para ele. Talvez através de um texto. Como esse.
E ano que vem ele vai embora morar no Rio Grande do Sul. Isso me deixa triste.
Ela diz que ele só a faz feliz, e que ele é a mosca brilhando na teia dela. Ele se sente meio confuso com isso, ele gosta, mas tem um certo receio.
Ele se sente melhor quando não tem nada a perder. E ele não gosta de admitir isso.
Ele fala pra ela que ele está mudando. Mas ela não quer que ele mude.
Ele é muito sensível, e ela não quer machucá-lo com suas nuances, mas sente que ele é quem pode ferir seu coração. Ele tem um sorriso doce, um rosto de anjo.
Ela diz pra ele que ele é o cara mais legal do mundo, que ele é diferente e especial. E disso ele gosta.
Ela adora os olhos dele, são grandes e castanhos escuros, brilham muito na claridade do flash.
Ele poderia ficar horas deitado no colo dela, sem falar nada. Mas ela quer mais. Mas quem sabe por ele, ela faria isso. Ficar apenas algumas noites abraçada com ele parece sonho.
Quem sabe agora ela esteja pensando nele, ou está pensando num final de semana inteiro com ele, sem problemas de saúde ou distância. Acho que ela está pensando nisso.
Pode ser que ele esteja pensando nela e com certeza está ouvindo música.
E hoje à noite eles conversarão sobre o dia, o trabalho, a vida, as músicas. Ela vai contar como foi emocionante conversar com um colega sobre o movimento punk-rock.
Todos os sonhos e ideais dela se misturam com a simplicidade cheia de esperanças dele. E quem sabe assim, eles se completem de alguma forma.
O tempo passa, as histórias parecem ser as mesmas de sempre. Mas acho que os personagens nunca se repetem.
junho 16, 2004
[ Oh, If You Stay... ]
Ligo o rádio e a canção me faz dançar enquanto cozinho. O dia está repleto de pontinhos molhados caindo sobre o telhado. Enquanto ecoa a frase “Oh, If you stay”, abro as venezianas do meu cérebro... Ele me mostra um arco-íris numa camada superior ao céu nublado. E você, parado, do outro lado da rua com o guarda-chuva aberto. Por certo nota que a chuva parece não dar trégua aos pássaros. Eles se desmontam em pedaços para se infiltrarem pela terra em busca de minhocas – o alimento dos seus filhotes enclausurados nos ninhos. Não há liberdade por toda parte. Sinto-me como eles, presa em recintos que eu mesmo me imponho ou construo, e nem precisa estar chovendo assim.
Oh, If you stay...
Encontro possibilidades de brincar com a vida ao me direcionar a varanda. Algo como percorrer a linha do horizonte com a ponta dos dedos durante o amanhecer. Perseguir o caminho das cores e saber se existe ou não um pote-cheio-de-ouro ou um duende-verde-narigudo no final. Será que devo fazer pedidos pela humanidade? Porém, o mais importante agora é apertar o seguinte botão para todas as ações: slowmotion. Infelizmente não posso parar o tempo enquanto você não chega.
Oh, If you stay...
Eu tatuo o seu nome embaixo do meu seio esquerdo. Com fonte serifada. Meu estigma: dor, alegria, amor. E deixo sangrar enquanto viver. Por dentro, o meu coração se encontra da mesma forma. Não tenho mais a visão do seu sorriso. Caminhar pela praça e colher as folhas de papel que caem, já não me consola. Lembro que debaixo de cada das árvores, a sua língua já procurou a minha.
Oh, If you stay...
Ao passear os olhos pela cidade noto os pecados expostos através de palavras nas sacadas dos prédios. Eles parecem ofuscar mais outros brilhos do que o reflexo das minhas lágrimas. Choro pedaços de vidro, por isso tenho o rosto todo retalhado e cheio de cicatrizes. Essas dores já me marcaram demais. Redesenharam o meu olhar.
Oh, If you stay...
Preciso de um herói. Um herói que me liberte dessa torre. Dessa prisão interna que construí para me abrigar e me defender de mim. Preciso de um herói com a sua doçura e com poderes contra a ação da natureza. Ando farta das teorias de aranhas e porcos, das leis de Murphy e de procurar namorados por um dia. Cansada de ver os cachorros de madame serem penteados em salões e crianças jogadas em latas de lixo. Exausta das dificuldades, derrotas e encruzilhadas que os segundos, às vezes, propõem. O mau tempo sobre as nossas cabeças parece pairar, testando a nossa capacidade de flexibilizar sonhos e sentimentos.
Oh, If you stay...
Trago para junto de ti o vento e pétalas de flores. Das minhas mãos eu liberto bolinhas de sabão para estourarmos nossos medos, nosso passado triste. Gostaria de viver contigo num reino muito muito longe das coisas ruins, assim poderíamos ser felizes para sempre e um dia. Eu e você, meu ogro encantado.
Por favor, quem tem acesso a Internet via conexão rápida, não deixe de baixar um dos clips românticos mais lindos que eu já vi: Wild Ones da Suede. É tão doce... As cores escolhidas dão uma delicadeza, uma suavidade e uma beleza incrível ao material. Ai ai... como eu queria ter sido escolhida para contracenar com meu amor, Bret Anderson. Ele acha os olhos da Adriana Lima os mais bonitos que ele já tenha visto, isso é porque ele não viu os MEUS (a modéstia foi parar no pé agora). :o)
junho 14, 2004
[ Ele Une os Pixeis do Meu Rosto Ao Seu Amor ]
junho 12, 2004
[ Um Amor ]
Um amor pode ser de vários tamanhos, pode ter várias formas, vários pesos, várias medidas. Pode ser profundo ou superficial, maduro ou infantil, longo ou curto, pode passar como um tufão ou como uma brisa de verão.
Um amor troca confidências, troca juras, troca feitiço, troca dúvidas e experiências. Pode ser forte ou fraco, distraído ou atento, pode vencer tormentas, dissabores e oferecer alento.
Um amor pode sobreviver a distâncias e atravessá-las num segundo através do pensamento. É como um vício, uma droga, desencadeado por uma paixão ardente. Produz sorrisos, momentos perfeitos, produz sonhos e insônias, produz palpitações, angústias, agonias e ilusões.
Um amor verdadeiro se perde no tempo, caminha pelo passado, atua no presente, se encaminha para o futuro e adormece na eternidade.
Um grande e verdadeiro amor ilustra noites enluaradas e dias ensolarados.
Um amor tem lembranças de lugares, de cheiros, de músicas e de sons. Tem sabores, às vezes doces, outras vezes amargos, mas todos sempre bem saboreados. Pode iluminar a vida ou escurecer o coração. Pode ser real, virtual ou transcendental, porém sempre será igual. Pode ser impossível, improvável, mas pleno no coração. Pode ter testemunhas ou ser oculto e mesmo assim ser vivido intensamente. Pode ser clandestino e anônimo, pode ter o nome de uma flor e ainda assim ser um grande amor.
Um amor de verdade pode ser castigado pelas agruras da vida e persistir inalterado e majestoso. Pode jamais se consumar e ser forte como uma rocha, profundo como o fundo do mar. Pode ser arriscado, difícil, perigoso, inadequado, mas mesmo assim almejado e correspondido. Pode sobreviver a intrigas, invejas, calúnias e sair vencedor. Não vê idade, cor, religião, raça ou aparência, não tem preconceitos, nem preceitos, não faz distinções.
Um amor não fere e se ferir, assopra. Tem marés, altas e baixas, fracas e fortes. Pode ter muitas histórias, fabricar poemas, inspirar versos e canções. Não tem perguntas, porque jamais necessita de respostas. Precisa para adormecer a companhia de um outro amor e para despertar um toque desse mesmo amor. Pode ser contido, travado, reprimido, ou declarado.
Um verdadeiro amor pode subir montanhas, cair em precipícios, atravessar desertos, envolver-se em tempestades, afundar em oceanos e ainda assim sobreviver. Pode dar frutos e lançá-los ao mundo cobertos de amor também.
Um amor tem cheiros e cores, o cheiro da maçã, o branco da paz, o azul do afeto, o rosa do carinho, e o vermelho da paixão. Comete loucuras, pecados, milagres e magia por vezes se arrepende e volta a cometê-las novamente. Dá espaço, cede momentos, expõe idéias, lança argumentos, sem jamais violar sentimentos.
Um amor pode escravizar-se e sentir-se livre. Um amor profundo acontece, resplandece, revigora-se e amadurece.
Um amor pode ser sábio, desinteressado, confiante e altruísta. Pode se perder na poeira do tempo pode se desfazer através dos anos, mas sempre terá sido um amor imenso. Pode ser eterno ou fugaz, pode ser o primeiro ou o último, novo ou velho... Mas ardente.
Um amor só não suporta ser vivido, sonhado e mantido sozinho. Um amor precisa de outro amor para sobreviver, se assim não for, não terá sido um amor, terá sido apenas uma grande dor.
Feliz Dia dos Namorados.
junho 04, 2004
[ Revôo ]
[ Você tem sangue quente correndo nas veias? Então leia esse texto-declaração-da-alma-e-dos-instintos até o final. ]
As rosas orvalhadas são belas, deixam brotar lágrimas de alegrias. Se são botões, brotam esperanças no jardim do meu mundo-criança...
No espelho cristalino transparece meu rosto como que pintado em louça, e meus seios – plumas levantam asas sob teu corpo já em formas. Nua, sempre em sinuosas revelo-me mulher, alimentando-o com a flor nudez da minha primavera, inclinada sobre o lençol. Meus cabelos soltos refletem sol aberto – brisas marinhas, e, propositadamente silenciosa. Em sons de melodia tocas harpa na partitura clara do meu corpo úmido e sensual, sorve beijos dos meus lábios quentes, percorrendo tua estrada. Amamos por inteiro num complemento extasiante, que desenhas em meus cabelos. Em riste, abrem-se pétalas da minha rosa orvalhando o teu chão. Tu Insistes em colher a pérola que existe em minha concha, enquanto suavemente percorro pelas maçãs do teu rosto e frutos mais no pomar do teu corpo. Debruçado em meu dorso ondulante, aveludado de sol – nascente, inclina-se depois nos bicos dos meus seios tensos e perfumados.
Nosso mistério escondido explode em fogo e labaredas ardentes, em beijos, sensuais aromas exalam encontrando teu norte, quando unidos atingimos em relevo a estrada desejada escaldante de anseios. Nossas metades chovem depois de percorremos vales – murmúrios da noite. Meus impulsos cedem ao teu corpo hercúleo, ávido de desejos, nossas mãos e dedos nus caminham macios sobre os corpos tensos, banhando nossas mentes espontâneas e naturais, sensibilidade do amor. No meu corpo – sândalo, expelem perfumes, frescor da própria pele no odor do abraço insano, no teu tronco sugo todo o calor – delírio, e no silêncio – gemido, monólogo e diálogo do sexo, beijo teus lábios. Aos anseios carnais num inteiro vibrar de corpos, revelo-me puro pecado e tu puro prazer. Num vai – vem brindamos a dois as delícias das entranhas no compasso da ele, fazendo arder uma só chama em flutuações rítmicas, provocantes, sensitivas. No viril cavalgar o gozo e o prazer na ânsia de se dar em beijos delirantes, o oscular harmonioso, o calor – fervor do amor, brindando a existência concreta, iluminando instantes novos, seqüência de prazeres e doçuras mornas. Em ritmo cadente, meus seios acoplados ao teu tronco contorcem sensuais, te deixo deslizar em minhas curvas, meus côncavos e recôncavos e em versos aos meus ouvidos já percorridos, pousa no meu olhar – granada, veja meu semblante irradiado de amor transparente e desça em força viril, galgando meu nome Vênus, mergulha em minha ilha banhada e morna, juntos, unidos, dividimos os orgasmos na bela luz do teu olhar risonho.
Juntos sempre, na cheia, na nova, ou na crescente, na luta e no repouso, contigo estou em todas as estações imperativas de amar e contigo me enlaçar, para tecer trama com nossa volúpia, invadir meu território, demarcar limites, escorregar no sabonete – sândalo. Quero acelerar tuas manhas, fazer teu jogo, usar meus dados, minhas mãos, minha boca, meu jogo de amar e amar pleno.
Invada minhas entranhas depois de beijar meu ventre e aflore no meu eclipse. Juntos sempre, em todas as fases lunares, na luta e no repouso, vibra nosso amor, trocando segredos no culto do existir.
junho 01, 2004
[ Honey ]
E se me perguntarem o porquê,
eu explico:
é o mistério do seu ser,
do seu gosto,
da sua voz e do seu suspiro,
que a cada momento eu vivo
na esperança de um dia
realmente lhe ter.
 [ Recado Direcionado ]
Te amo Zen. Tenha a certeza disso. Não importa a distância, sempre te tenho presente no meu peito. Do lado esquerdo. Pulsando e fazendo o meu sangue correr veloz pelas veias.
abril 13, 2004
[ Folhas para Memória ]
O vento voa, a noite se atordoa, a folha cai. Haverá mesmo algum pensamento sobre esta noite? Sobre esse vento? Sobre essa folha que se vai?
Você, folha leve, levada pelo vento na noite breve, saudade já tardia. Partes, mas em sonho, me deixas, assim, tua imagem. Um acalanto tão puro, tão doce em peito seria...
Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra para semear uma árvore. Nossa árvore. De uma espécie que brotará dentro dos nossos corações e trará belos frutos. Belas folhas. Folhas caídas que valham a pena conservar, ainda que não seja senão para memória.
abril 12, 2004
[ Ponte Aérea ]
Não compro passagem. Pego carona durante à tarde. Somos apenas sorrisos. Temos um longo e animado papo pela frente. Não me canso da sua companhia na cabine da aeronave. Passeio por imensidões divertidas de paisagens. Coloridas. Aflitas. Questões a serem ainda resolvidas. E tratadas com o maior carinho e cuidado. Paciência e compreensão durante horas de viagem são de extrema importância.
Quando a noite já vai alta, e eu posso admirar o negro céu, começo a notar as sutis diferenças do que há lá fora. E aqui dentro. Algo parece se acender dentro dos seus olhos, comandante. Eu o sinto planar pelos meus sentidos e viajar com mãos por entre as montanhas e rios. Do meu corpo. E eu faço o mesmo contigo. Ouço de longe o seu suspirar e seus gemidos. Mas me concentro em não perder nenhuma sensação que esse caminho sem volta começa a me causar.
E vôo sobre um mar. Um mar de sensações. Você me dá as asas, e eu o levo junto comigo pelo mesmo caminho. Perdemos a noção do tempo. Uma viagem a se perder no tempo. Sem princípio, nem fim. Beijos são entregues ao vento, e amor em mares de cheiros de sabonetes. De cor azul intenso. Gestos que riscam o ar, e olhares que não trazem mais solidão. E a razão para isso tudo? É que resolvi arriscar a fazer uma ponte aérea entre a sua vida e a minha emoção.
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