:[ Sin To Win ]:
 

setembro 28, 2005

[ Matinal ]

Sentados na mesa da sala. Faces suaves. Imersos em seus pensamentos eles comem pãezinhos frescos com manteiga. Pouco sal. Goles pequenos e contidos em seus cafés. Fracos. Aguados. Cafés translúcidos e quentes e perfumados. Pedacinhos da casca do pão, dele, espalhados em sua camisa de algodão. O miolo do pão, dela, sobre o prato.
O olhar dele perdido em prédios, horizonte geométrico da cidade. O dela, encontrado na pequena mancha cinza ao lado do interruptor.
As mãos dele trançadas por sobre a xícara, sabonete recendendo brancura imaculada. O jornal à sua frente. Ela, sem barulho na cadeira, apóia-se nas mãos e levanta o quadril, nádegas no assento acolchoado da cadeira. Aquieta-se.
Eles se encaram.
Ele o jornal com as duas mãos e tudo em pedacinhos, palavras divididas quebra-cabeças econômicos, sem barulho tudo para o alto. Pássaros.
Ela o dedo na geléia de morango a parede amarela ao lado da porta, riscos doces. Mar.
Ele pedaços de acidente pelo ar, o presidente em cada canto da sala de jantar, a persiana preto e branco e letras em segredo. Som.
Ela flores de miolo de pão e guardanapo de papel o cor-de-rosa da camisa dele com flor de papel e pão. Jardim.
Ele palavras tão bonitas e os cabelos encaracolados dela enfeitados. E ela tão linda assim, tão cheia de palavras, tão sem significado. Nuvens.
Ela as xícaras em cascata de leite, branca. Ouça o barulho das águas, ela diz. Ouça os segredos que escorrem nas gotas brancas.
Ele ouve. Agudos.
Sorrisos espalham-se de mãos dadas.
E as xícaras esperam, pacientes, a hora de serem lavadas, enxutas e guardadas.



[ Enamorada ]

Eu gosto de te ver assim enamorada, guria. Os seus olhinhos parecem dois holofotes acesos, mesmo sob o sol forte da manhã. As suas sandálias caminham mais leves pelas calçadas. Os sons da natureza acompanham a brisa passageira pelo seu corpo. E o dia transcorre numa calma... mesmo com toda a correria em que ele a envolve.



setembro 27, 2005

[ Da série: Diálogos Não Vivenciados ]

- Se eu te contasse um segredo, você prometeria mantê-lo?
- Eu gostaria de responder "sim", mas a verdade é que tenho dificuldade em manter segredos. Eu tenho dificuldade em manter coisas em mim.
- E se eu te contasse um segredo teu?



[ Head On ]

O negócio é o seguinte: quem não gosta de The Jesus and Mary Chain bom sujeito não é. Ouvir o álbum Automatic no volume máximo é algo que todo mundo deveria fazer pelo menos uma vez na vida.



[ Acredito: HIPER-PARALISADOS ]

Tem gente que acredita em papai noel, chapeuzinho vermelho e até em fadas e duendes. Eu prefiro acreditar que daqui para o final do mês de outubro, eu verei uma zebra sem cabeça! Risos.
Eu sigo o movimento.
Eu estou HIPER-PARALISADA.



setembro 26, 2005

[ O Dia ]

Hoje o dia amanheceu rosa-algodão-doce, mas poderia ser também azul-sem-nuvens-no-céu. O dia abraçou carinhosamente o meu tronco, estendeu o seu corpo sobre o meu, e beijou-me por toda a face. O dia me disse “bom dia” e se auto-entitulou de dia perfeito, dia completo, dia feliz. O dia simplesmente se fez especial pra mim, por mim. Ele é o meu amor, ele é o DIA.



setembro 23, 2005

[ Bridge Jones? Eu? ]

Eu não pareço a Bridge Jones.
Não, não sou. Sou imperfeita demais para parecer uma ficção.
Graças a Deus! Ou quase...
Bem que eu gostaria de ter alguns aspectos da vida dela, tipo, morar em Londres e poder ver ao vivo um show da banda The Church. Risos.



setembro 22, 2005

[ Decisão ]

E então? Está valendo mesmo aquele ditado de que primeiro o trabalho, depois a diversão?

Vou ter que decidir. O que você escolheria?



setembro 21, 2005

[ Promessa ]

Não vou falar nada. Não vou dizer uma só palavra.
Mesmo você passando a aula inteira olhando para a minha cara, apenas os meus olhos vão te responder.



[ Without You, I'm Nothing ]

Você diz que é seu o que eu nem sei se realmente existe. Olho de dentro de mim e não sei quem é essa sua mulher. Por isso peço inúmeras vezes para você me explicar. E você fala de cada parte do meu corpo que não é de mais ninguém a não ser de você. É tudo meu, você murmura. E aí você me tem por partes e eu me percebo por partes, só que o todo, nunca se encaixa. Por isso preciso ouvir sempre e sempre e sempre que eu sou sua, preciso ter essa certeza. Eu preciso de você. Sem você, eu não sou nada.

[ Recado Direcionado ]

Sinto tanta a sua falta Kruel! E pensar que ainda faltam alguns meses para eu te abraçar de novo...



setembro 16, 2005

[ À Noite ]

Já deitada, o passado a deixa branco e preto.
O presente a cobre colorido.
E o futuro adormece ao seu lado misturando tudo numa aquarela de beijos.



[ Com a Mula Aberta ]

Eu baixo.
Tu baixas.
Ele baixa.
...

.


.


.


Espíritos?
Ou músicas?

[ Recado Direcionado ]

Você gosta desse blog porque ainda não leu o meu texto sobre o Ronildo Jorge! Hahahahahahahaha.
E eu sabia que você ia guardar segredo! Mais risos.



[ Busca ]

A busca do site funciona sim! Mas eu não busco mais nada, já tenho você!



[ Feliz por 2 Motivos ]

A Ju voltou!
E eu amo amo amo novamente!



setembro 13, 2005

[ Canções de Ninar ]

Canções de ninar, tuas palavras no bate e volta dos travesseiros, troncos, coxas e pernas, meia-lua à espera de teu abraço.

Canções de ninar, sono que chega devagar, em ondas feitas de lençóis, rugas de juventude, manchas aqui, acolá.

Canções de ninar, dedos entre dedos, aceito o teu caminho, de olhos fechados, confiança cega, não vejo a hora.

Canções de ninar, hálito que viaja do pescoço à boca, a suave melodia do teu corpo sobre o meu, leves piscadas são vaga-lumes à noite.

Canções de ninar, portas abertas, armários desarrumados, agora que sou alimento, durmo sem medo do bicho papão, durmo com o teu braço em volta dos meus seios.



setembro 09, 2005

[ Banho ]

Ela escreve versos no vidro do box do banheiro. A água quente-fervendo queima em jatos as suas costas, mas a dor da espera é maior. Ele disse que chegaria para assistir dois filmes, para ficar enrolado no edredom com o ar condicionado ao máximo, e que deixaria ela desenhar eternamente nas suas costas com as unhas até adormecerem. E mesmo assim a pele dela estará limpa. Porque mesmo a rinite obstruindo as narinas, quando se está perto demais da alma o perfume é mais forte. E ela quer que ele a sinta crua. A porta abre devagar. Como pôde entrar tão violentamente em minha vida e ser assim tão discreto? Ela o abraça bem devagar. E vai moldando o suor do corpo e da camisa dele com as gotas de água que escorrem pelo corpo dela. A mochila entrega o seu atraso: trabalho. As roupas caem sobre o azulejo. No box, as unhas vermelhas ainda versam. Meias brancas, rabiscos poéticos. Acompanhada, ela abre ainda mais o chuveiro. Quero jatos mais fortes. Ela diz jatos. Mais fortes.



setembro 03, 2005

[ Uma Canção pra Mim ]

Ele não foi simplesmente uma caça, uma paixão imediata.
Ele é uma canção.
Uma canção escrita pra mim. Uma canção de medidas perfeitas. De versos belos. De solos prazerosos. Uma canção pop. E glam. E punk. Uma canção elétrica. E eletro. E sertaneja. E acústica. Uma canção de amor. Uma canção que explode. Que dança. Que seduz. Que me faz delirar. Que me acalma e silencia.

Uma canção que me diz algo diferente toda vez que a ouço com os olhos, com os dedos, com a pele, com a boca.

A minha escolha, meu amor, é colocar você no repeat. Sempre. Sempre. Sempre.



[ Roubo de Folha Caída ]

Roubei do canteiro dele, o que ele traduziu do final de semana que passamos juntos:

De volta ao meu canteiro

As coisas que eu escrevi e não li, as que eu mandei se perderam no caminho também. O caminho entortou e parou na esquina de casa. Minha casa é longe da sua. No mapa não tem aquela rua e eu tive medo de não ver esses seus olhos cor de cajuína. A lua é uma fruta madura pendulando sobre a minha cabeça enquanto espero impaciente no banco da praça, atrás da igrejinha.

O medidor de horas me roubou as frases antes mesmo que eu dissesse. Eu não disse, mas você sentiu e olhou para o lado tentando entender o meu olhar perdido por entre as luzes do farol. Não é laranja nem canela, é um cheiro que eu não sei dizer e sempre, sempre me fará lembrar das horas passadas no seu canteiro.

Tudo isso ali, onde a sereia canta baixo para não espantar o pescador no seu barco espumado pelas ondas que arrebentam na areia. Ali, onde os loucos anoitecem gozando o que a sanidade não oferece. Tudo lento, quase parando quando eu quis voltar e olhar uma última vez sem evitar esbarrar no mar de gente que descia a rampa.

Quanto a mim, deixei a alegria escapar dos olhos e a saudade amarrada na mochila com dois nós e um laço. É hora de partir, ficar é um luxo que os loucos e amantes não costumam usufruir. Quanto a você, sei quase nada e esse nada me basta pra querer voltar, quem sabe, um dia.



setembro 02, 2005

[ DreamGirl ]

I would dig a hole all the way to China
Unless of course I was there
then I’d dig my way home
If by diggin’ I could steal
the wind from the sails
of the greedy men who ruled the world

Still you’re my best friend
And after a good, good drunk
You and me wake up and make love after a deep sleep
Where I was Dreamin’, I was Dreamin’
Dreamgirl, Dreamgirl, Dreamgirl, Dreamgirl

I was feelin’ like a creep
As I watched you asleep
Face down in the grass,
in the park, in the middle
of a hot afternoon
Your top was untied
And I thought how nice
It’d be to follow the sweat down your spine

You’re like my best friend
Aww after a good, good drunk
You and me wake up and make love after a deep sleep
Where I was Dreamin’, I was Dreamin’
Dreamgirl, Dreamgirl, Dreamgirl, Dreamgirl

Caught by a wave
my back to the ocean
it knocks me off my feet and
just as I find my footing
here you come again
Dreamgirl, aww Dreamgirl, Dreamgirl, Dreamgirl, Dreamgirl, Dreamgirl, Dreamgirl

(Scat….trails off)

*Deep in, Deep in
Deep in, Deep in
Deep in

DreamGirl - Dave Matthews Band





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