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fevereiro 19, 2005
[ Cansei de Ser ]
Cansei de ser boazinha, sair como a coitadinha ou a miserável da história.
Cansei de ser colocada em caixinhas, como se eu fosse um objeto de uso particular ou algo lagardo de escanteio.
Cansei de ser confundida, endeusada, modesta e de me sentir o pior ser humano da face da Terra por causa das situações que me envolvo.
Cansei de ser o background, a opção perfeita e a imperfeita, mas que não chega nem a próxima esquina, quanto mais recebe um tchau.
Cansei de ser os amores e os desamores de gente que não se envolve, não entende e não percebe metade das coisas ao seu redor, que renega a própria sensibilidade por problemas de carência afetiva.
Cansei de ser folhas de papel amassadas, jogadas pelos cantos do quarto à espera de uma bela faxina.
Cansei de ser a menina dos olhos do papai. Quando o que quero, na verdade, é me libertar, me jogar ao mundo e brincar só com o fogo.
Cansei de ser cheia de princípios e solícita com quem não merece, com quem não me dá o mínimo valor e não marca a minha história.
Cansei de ser a que esquece das datas dos aniversários, mas tem sempre uma, duas ou dez palavras amigas para dizer a todos os momentos.
Cansei de ser a que deve procurar, implorar, deitar no colo em busca de carinho e algo mais. Agora quero me sentir uma estátua, tomar conta apenas do meu umbigo e um pouco ao redor dele.
Cansei de ser a que espera e nunca alcança, a que chora de rir de felicidade e por tomar apenas um gole de grapa, a que deseja o bem sem olhar a quem e sempre recebe de volta apenas um pacote de bolachas quebradas.
Cansei de ser apagada, solitária interna e intensa num paraíso montado dentro da minha cabeça.
Cansei de ser colorida. Preciso ser bem preta no branco ou vice-versa, e deixar claro o quanto certas coisas me incomodam.
Cansei de ser a brincalhona, a palhaça e uma das três mosqueteiras de um rei que eu não faço idéia de quem seja.
Cansei de ser virtual, anormal, ET na Bahia, musa e louca.
Cansei de ser eu mesmo.
Cansei de ser, só.
A resposta de Seth:
Espero
Espero que volte a ser boazinha, sem ser a coitadinha ou a miserável da história.
Espero que seja livre, e mesmo livre tenha sempre um lugar para voltar e chamar de seu.
Espero que seja a melhor pecadora da face da terra, mas que seja por cometer bem pouquinhos e que seja amada por ser quem é.
Espero que vá até a esquina e veja o outro lado dela, e que você goste do que veja.
Espero que se envolva com quem se envolve, que acredite, que tenha força e sabedoria para ver a verdade e enfrenta - lá.
Espero que minhas folhas se acabem.
Espero que não se queime, e que mesmo livre, ame e seja amada pelo papai...
Espero que reconheça e seja solícita e cheia de princípios com quem merece.
Espero que esqueça as dez palavras amigas, mas lembre do meu aniversário.
Espero que não se transforme nunca numa estátua, e deixe-me cuidar do seu umbigo, e também de um pouco ao redor dele...
Espero que espere... Mas alcance. Que chore de rir... Mas que não seja por nada tão fútil... E que não quebre as minhas bolachas.
Espero que iluminada, seja intensa comigo na nossa cama dentro da minha cabeça.
Espero que seja da cor que quiser, e que seja clara quando as coisas lhe incomodam.
Espero que seja a D'artanha de um reino do qual você saiba quem é o rei.
Espero que seja real, normal, et em qualquer lugar, seja musa... Mas não louca.
Espero que seja você, de qualquer jeito.
Eu vou enfiar uma uva no céu da sua boca.
E ai? Chupadora!
fevereiro 14, 2005
[ Da série: Viagem ao Sul ]
Estou aqui num cyber do hotel na cidade de Foz do Iguaçu. Sim, confesso, vim muambar por aqui. Coisita muito interessante para se fazer, diga-se de passagem. Comprei tudo o que estava precisando, e um pouco mais. Fiz amigos e passeios maravilhosos, aliás, são o que tenho feito de melhor. Conheci argentinos, colombianos, americanos, paraguaios... Todos querendo saber o que é que a Bahia e a baiana têm. Ops. Segredo. Só conto para a minha estrela. Andei no meio do mato, de barco perto das cataratas (também fui naquele passeio da passarela) e de helicóptero para curtir o visual de cima. Adorei também visitar a usina de Itaipu. Fiquei apaixonada pelo quati que brincou comigo no parque, e acabei trazendo o souvenir de pelúcia, assim como um chapéu artesanal. :o) Muitas e muitas fotos, ainda mais com a minha câmera nova. O Sin To Win, com certeza, não suportará a quantidade... mais de 500 fotos. Risos. Tá. Tô empolgada mesmo com o meu brinquedinho novo.
Já estive em Capão da Canoa, na casa de praia do meu pai e da minha tia, passei o carnaval por lá... Triste ironia, não? Meu primo de 19 anos me levou para conhecer seus amigos e uma boite por lá. Foi engraçado.
Depois ficamos uns dias na terra natal da minha família paterna (Piratini).
Escrevi vários textos desde o início da viagem, mas, apenas hoje me dignei a sentar um pouco mais na frente de um computador e a digitar esse roteiro sem nexo. Mas, o importante mesmo é que eu gostaria de agradecer a torcida de todos, e dizer que a viagem está sendo bem aproveitada. Obrigada.
Assim que eu tiver mais tempo, volto a postar os textos da agenda. Beijos.
fevereiro 03, 2005
[ Now my Feet don't Touch the Ground ]
Estou de férias da máquina, do virtual, da correria.
Entre os dias 03.02 a 01.03, os textos e as fotografias aqui ficarão escassos.
Para os que ficam, bom carnaval e boa estada em suas próprias vidas, vou ali dar um role com a sorte e a esperança. Vou aprender a soltar mais o corpo, os cabelos e os sorrisos, e a brincar com o sol. Afinal de contas, é verão.
Tentarei aparecer no decorrer do período.
Hasta la vista, baby.
[ E-Namorada ]
A receita do nosso namoro poderia ser a realidade de pular etapas. E ontem você me disse que sou a mais namorada de todas. Você nunca precisou me flertar pra que eu conjugasse o verbo apaixonar, tudo que foi preciso foi me aceitar um dia como sua e-namorada.
Nosso namoro começou como uma brincadeira que encontrou suas formas originais de se fazer verdade. Nós sabíamos que tínhamos coisas em comum, mas descobrimos através da música o terno lado desconhecido que temos um com o outro. E então você me ensinou a dançar contigo todas as manhãs e todas as tardes em que uma música recém enviada por ti chega. E eu também confesso que aprendi a conversar com todas as suas fotos da mesma forma que converso contigo enquanto passa horas me perturbando e bacando o chato.
Eu sou aquela namorada que não recebe vírus da gripe de presente porque não pode recebê-lo através de um beijo visto que nunca nos beijamos, mas você bem sabe que dentre tantos vírus estranhos que seres humanos podem ter, eu fui obstinadamente atacada por este que me faz gostar tanto de você.
Às vezes eu temo a euforia das minhas borboletas, namorado, e acho que nunca te perguntei se quando você me aceitou como sua namorada, você as aceitava junto.
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