:[ Sin To Win ]:
 

janeiro 30, 2005

[ Saudades do Barulho da Máquina ]

Eu queria aprender a falar delicadezas que não fossem tão tristes, nem fizessem a gente se sentir pequena e escura por dentro e com medo de tirar as meias e pisar no chão frio. Eu acordei com saudade. Saudade é bom pra acordar com a gente. A gente levanta e deixa a saudade dormindo quietinha na cama, com medo dela assustar com o barulho do vento entrando pela janela - para colocar as mãos pra fora e sentir se frio, se calor, se azul - com o barulho da roupa sendo vestida e do perfume voando no ar até o colo. A saudade enrolada na colcha de retalhos dos sonhos, os vários sonhos que eu tive com a minha mãe, nós duas conversando enquanto ela fazia correr a agulha nos panos, nos vestidos com desenhos de flores, com estampas das mais variadas. Tinham até uns tecidos com arco-íris e com girassóis, uma camisola de bolinhas em flanela e outra com corujinhas de olhos grandes, sorrindo. Dava medo de acordar a saudade dormida com o barulho da lembrança da máquina de costurar. Eu queria aprender a falar delicadezas que fossem silenciosas e tristes como se fosse uma agulha guiando os fios de sedas azuis e amarelos e de outras cores também, a agulha, o dedal. O ponto de cruz das flores no sereno. O sereno.



janeiro 28, 2005

[ Perco Eu ou Você? ]

Para dormir eu nos repenso juntos, sozinhos num jardim em plena tarde recente enfeitiçada por duendes e fadas. Sonolentos e deitados sobre a grama, rodeados por flores e joaninhas. É como se eu estivesse debruçada pela janela imaginária do quarto da nossa casa, nos observando. Eu pudesse olhar pra fora e lhe dissesse que o asfalto escaldante sob a janela substituía o infinito azul do mar cuja cintilar ilusionista adornava nossa fantasia. Tracei um vértice no cruzamento entre cada segredo que me foi revelado durante os suspiros fortuitos que te denunciam quando meus dedos resvalam secretamente descendo pela barriga, adentrando por tecidos, verificando sua excitação numa roda onde agracio um amigo oculto. Ainda aguardo suas respostas, de quando lancei as perguntas. Você soube me responder quando existiu a dúvida, e quando o horror ao erro vestiu o vermelho da paixão no negror do próprio erro: e era o susto: verdadeiramente o erro. É um jogo de perguntas e respostas, quem consegue calar o outro vence. Mas uma vitória que não define posições, você vem e me pega por trás como um animal prestíssimo e irrefreável, um varonil de presas não tão agudas, mas fortes e poderosas, sempre apalpando as carnes macias e as outras mais úmidas como a minha boca cheia da sua saliva. O seu apetite por mim totalmente inundado pela minha saliva e sede por você, nessas carnes que me fazem arder e que a todas vou lamber, propulsantes, não lançando à distância, mas segundos depois me incitando a seu instinto de macho inconsolável, me oferecendo, impulsionando e implorando que eu toque aquela carne também, mais profunda, encaixo fundo meu sexo que possui o maior segredo do meu corpo na lança, e o nojo não somente se une à beleza, ele a apura e aperfeiçoa. Gozamos a festividade e a ambivalência. Coisas assim eu penso quando estou deitada inventando tramas que a você envolvam a mim só por mais uma vez.
Bem ali na minha frente eu ia sentindo o coração empalidecer diante do susto de me ver pela primeira vez capaz de ultrapassar os altos muros que continham insuspeitado aquele fraco amor antes pretensamente visto como única vastidão possível, eu não sabia que o amor era uma experiência mortal e que semi-amor não existia, eu simplesmente não podia ter a menor idéia de que amar fosse virar o grande muro do avesso. Odeio ter que conter a histeria que você me provoca. Depois disso tudo, se você bem me entende, sugiro o silêncio, perco eu ou você? A complexidade verte rumores perigosos e inconfidentes, mesmo assim acredito e espero a sua resposta.



janeiro 27, 2005

[ Do Romance: Rogue e Gambit ]

O Soundtrack dos dois:

"E eu desistiria da eternidade para tocar você
Pois eu sei que você me sente de algum modo
Você é o mais próximo que eu ficarei do paraíso
E eu não quero ir para casa agora mesmo

E tudo o que posso saborear é este momento
Tudo o que posso respirar é sua vida
E mais cedo ou mais tarde acaba
Eu só não quero sentir sua falta esta noite

E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu não acho que eles entenderiam
Quando tudo é feito para ser quebrado
Eu só quero que você saiba quem eu sou

E você não pode lutar contra as lágrimas que não vêm
Ou contra o momento da verdade nas mentiras
Quando tudo dá a sensação de ser um filme
É, a gente sangra só para saber se está vivo

Eu só quero que você saiba quem eu sou".

Iris - Goo Goo Dolls



janeiro 24, 2005

[ O Encontro ]

"O Encontro" desenhado por Ronny Ribeiro

Foi sem querer. Juro que foi sem querer. Não era pra ser assim. Não fora programado. Fui procurar a lua, e encontrei a estrela mais brilhante daquele sistema. Falava sem palavras só sentidos. Senti as asas das borboletas batendo na barriga junto com o trim do telefone. Senti os pêlos eretos se separando da pele mesmo sem brisa alguma bater. Meu nariz entope suave. Minha boca língua a tua. Coração meu de vidro colorido. Coração prisma. Mais um sonho de cor, pintado com tinta aquarela sem borrão. Caleidoscópio de sonhos. Pedaço de vidro colorido pra caleidoscópio girar. Gira leve e alto. A estrela brilha enquanto o siri a observa da areia. Olha da toca. E deixa aqui meu sangue preto água-forte. Sangue tinta nanquim. Um bocejo e um sonho bom. Foi tão sem querer. Tão de repente. Lá fora chove flor. Piso em cedro. Terra molhada. "Quero ser o profeta da minha própria história". Já te guardo em meu peito. O teu eu dentro de água pura. Tuas contas de lágrimas que confeccionas instrumentos musicais. Tu, estrela que me move. Estrela minha, tão sua quanto nossa. Deixo aqui meu sangue nanquim. Embalo teu pequeno dragão alado que ainda cospe bolhas e não chamas. Queima em mim tua mordida em meu pescoço. Escultura de açúcar. Os sinos dobram. Basta eu te provar. Teia de fitas coloridas. Teço um poema. Abelha zunindo em mim. Não sabe o gosto do teu mel. Não sou tua ainda. Muralhas faltam derrubar e muralhas, derrubarei como que de areia. Nina-me com uma caixinha de música para que eu adormeça. Idílio encantado. Utopia desejada. Aroma de canela e maçã e flor de laranjeira. Meu presente, enviado por anjos e deuses. Guardado em envelopes de estrelas. Baús de monarcas. Chovem bromélias, cantam cotovias. Meu coração mole. Bate como galopes de cavalos-marinhos. Tua boca. Nada tenho além da boca. E da língua. E dos dedos nos cabelos. Som de pífanos. E as cores de Chagal. E a mordida em meu pescoço. E as nuvens que habitaremos. Mas foi tão sem querer. Juro que foi. Já habito em nuvens. Meu brinquedo preferido. Peça reluzente do meu caleidoscópio. Som de bandolins. Aroma de verbena. Calendola. E ainda nem sou tua. Não descrevo nada. Apenas precisava deixar meu sangue. Sangue água-forte. Tinta nanquim. Deixar meu devaneio bobo. Sorriso no peito. Constelação de Câncer em mim. E antes mesmo de provar teu lábio, eu não tenho dúvidas de que é você. "E eu vou te amar mesmo que seja apenas por uma determinada eternidade".



janeiro 21, 2005

[ Do Romance: Rogue e Gambit ]

Gambit - A construção de uma máquina do tempo é teoricamente impossível, vai contra uma série de postulados, apesar de a inversão temporal na equação de Einstein ser absolutamente aplicável...

Rogue - Posso tentar quebrar todos os postulados, não aceitar o meu destino e lutar para vencer uma outra barreira invisível: a que você colocou em volta do seu coração.

Gambit - Busque prazer em ser quem você é dia após dia.

Rogue - Dizendo isso você apenas me estimula mais a lutar pelos meus 3 desafios.



janeiro 20, 2005

[ Tenho ]

Tenho rosto e cabelos de menina
Rosto com sardas no nariz
Sorriso moleque, cabelos assanhados
E franja pintadas por giz de cera.

Tenho boca e língua de mulher
Daquelas que provocam delírios na pele
E marcam forte a alma
Com mordidas e palavras malcriadas.

Tenho os olhos castanhos-chocolate
Sem que eu precise falar
Eles transmitem mensagens
Que ressoam por onde quer que eu passe.

Tenho um mar de saudades
Que, às vezes, transborda...
E me afoga
Começando a alagar pelo peito.

Tenho dias de solidão
Misturados à tristeza
Nesses dias eu me sento, bem quietinha, no chão
E nem uma boneca me consola.

Tenho estrelinhas espalhadas
No céu das quatro paredes
Observo elas se apagarem
Quando a manhã se acende.

E quem sabe, hoje pode chover?



janeiro 19, 2005

[ Da série: O meu lema é Passear ]

Pô, vou ficar duas horas no aeroporto de Congonhas esperando o meu vôo.
Haja livros e revistas, e falta do que fazer. Bem que você poderia aparecer e me fazer companhia, não é mesmo? ;o)



[ Da série: Isso só Acontece Comigo ]

Os acontecimentos desta semana estão demais! Segue uma pequena lista:

- Encontrar um amigo de 15 anos atrás numa aula de primeiros socorros;
- Encontrar, no mesmo dia, o vocalista de uma banda que eu não perdia nenhum show. Amava o jeito dele no palco e as sardas no rosto. Nunca tive coragem de pedir o e-mail para ele. Ontem, ele não só me deu o e-mail, como o telefone também;
- Encontrar meu vizinho que eu falo 30 vezes por dia no msn, que me deve acarajé e uma série de outras coisas que não vem ao caso, no salão indo cortar o cabelo na mesma hora que eu. E a cara de surpresa dos dois??? Risos. Se tivéssemos marcado, não teria dado certo!
- Aprender como escolher batata doce na seção de hortifrutigranjeiros durante a madrugada.



janeiro 18, 2005

[ Simples Mesmo ]

amo rock
amo rolar
amo você

lhe interessa
saber por quê?

você alimenta quem quer
mas não quer
que eu faça o mesmo
sempre me cobra
sempre me come
sempre com palavras
nunca me vê

amo rock
amo rolar
amo você
ah, você

o charme
a doçura
o tesão

isso!

numa cama
sós na cama
sós sob os lençóis



janeiro 17, 2005

[ Nada ]

A menina dança enquanto meus dedos suam. Saem flores das pontas dos meus dedos quando eu aponto para ela e ela nem percebe. Borboletas me rodeiam, eu ouço suas asas batendo levemente, eu queria voar também, eu queria brotar em pétalas macias e exalar o perfume secreto das orquídeas. Queria ser beijada pelas borboletas. A menina dança e sua saia ventaneia ares e ventos e desejos de pássaros brancos perto do mar. Ondas do mar diluídas no vento, maresias flutuantes que viram pó de sal e areia e óleo de bronzear. Na minha lembrança, as mãos escorregam óleo no relevo do menino, em sua barriga bonita, em seu sexo. Sexo fresco feito anjo sem asa. Sexo bom de saborear. A língua que lambe é a mesma que fala e ele murmurava palavras compridas e cheias de sons que me davam sono e que não me diziam nada. Lembranças. A menina dança e eu olho. Nada mais que eu possa fazer. Nada mais o que dizer. Nada.



janeiro 14, 2005

[ Jeitinhos para Dormir ]

fios de cabelos molhados. na testa. nos ombros. descem. chamego das mãos. no corpo. na nuca. na testa. rosto com sorriso. com dengo. desce. para o pescoco. permanece. bem quietinho. até você. acalmar. adormecer.



[ Soundtrack Direcionado ]

A banda Gorky's Zycotic Mynci retornou com o seu antigo recado para mim:

"I wanna honeymoon with you
Coz I'm feeling so blue
And if I honeymoon with you
I'll get rid of these blues".

Estou pensando no seu pedido de casamento.



janeiro 11, 2005

[ Eu sou Ana ]

Eu sou ana e anas carregam a intensidade do mundo. Toda ana ama demais e tem enxaqueca. Toda ana dorme pouco e esconde as olheiras.

Eu sou ana e toda ana precisa de porquês. Anas são sempre sozinhas e estão sempre cercadas de gente. Anas estão num constante movimento.

Eu sou ana e anas se relacionam com a vida sem querer e profundamente. Anas têm esse hábito de fingir que não estão ligando, que não têm noção do perigo. Anas se importam. Anas se prendem em detalhes.

Anas são cada, tudo, amiúde. Excessivas. Anas são muito.

Eu sou assim, extremamente ana. E toda ana há de ser um poço sem fundo.



janeiro 10, 2005

[ Estado de Espírito - Lose It All ]


http://www.explodingdog.com



janeiro 07, 2005

[ Vinho essa Noite ]

Depois do vinho
Quero o desejo,
o toque, o cheiro,
o beijo, o prazer
E o sono da noite a galope.
Depois do vinho,
Estarei sozinha.
No quarto sentada,
emburrada, com a cara melada
de farinha de trigo.
Nada a perder,
Exceto um bolo de chocolate no forno
e um sonho torpe na janela.

Sinto a letargia.
Trazendo os delírios
Que afastam minha dor,
minha solidão pela rua afora.
Sem minha dor,
Em volta tudo é poesia.
Sou uma semeadora
Em campo de lírios
e em quintais banhados pelo luar.

Um perfume inebriante
desprende-se dos cabelos
enquanto giro e danço
E surge o mensageiro do vinho.
Mostra algo adiante.
Num caminhar hesitante,
Pois difícil é o caminho,
Chego ao mar de sangue.
Nas ondas revoltas, redemoinho
Lá se vai o monstro marinho
Rumo ao vazio abissal
Oculto,
No fundo da taça de cristal.

Risos. O Zenzito já crio uma versão econômica para a minha poesia no blog dele.



[ Do romance: Rogue e Gambit ]

Se você conseguir me levar até o fim dessa semana, eu levo você pelo resto da vida.



janeiro 06, 2005

[ Não Quero lhe Falar do Meu Amor ]





[ Declarações de uma Siri ]

Eu não nasci para viver no raso.



janeiro 03, 2005

[ Beija ]

Beija
Porque é doce a carne
Beija
Porque esse é o seu desejo
Beija
Porque os meus lábios te seduzem
Beija
Porque a curiosidade de saber meu gosto te alucina
Beija
Porque os poros a sua frente gritam
Beija
Porque dentro de ti também mora o pecado
Beija
Porque a magia se faz presente
Beija
Porque cada estrela que colhe no meu céu da boca, nasce outra com seu nome
Beija
Porque é esse o seu destino: beijar minha boca constantemente.









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