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dezembro 23, 2004
[ For You ]
Era uma garota que, como eu, amava os Beatles, os Rolling Stones e as músicas francesas.
Foi essa garota que me fez perceber a doçura e a alegria do mundo. Deu-me o carinho e o amor necessário para que eu pudesse distribuí-lo para quem eu conhecesse. Acolheu-me em seus braços quando eu estava doente ou precisando apenas me sentir protegida. E como eu estava protegida! Fez-me aprender sorrir, mesmo nos momentos de tristeza e desespero. Cuidou tanto de mim, minha nossa! Foi mais que uma mãe. Foi uma irmã, uma amiga. Tanto zelo, tanta confiança e tantas conversas. Queria poder ligar o som alto no meu quarto e chamá-la pra dançar comigo novamente. Ensinou-me a fazer o bem sempre, não dizer mentiras e acreditar nas pessoas. Fez-me gostar de verduras, doces e, principalmente, de comida baiana. Fez eu acreditar que Deus existe, mesmo que Ele a tenha levado tão cedo do meu lado. E também que é possível senti-la presente, mesmo há dois meses separadas, mesmo não ouvindo mais a sua voz me acordando de manhã ou a sua presença na cozinha me esperando quando eu chegava tarde da noite.
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Por mais que as pessoas me digam que o tempo conforta, mãe. Nesse caso, eu não sinto isso. A saudade fica cada vez mais insuportável, e as lágrimas descem sempre sempre sempre. Todos os dias eu continuo sonhando com você e se eu pudesse fazer qualquer coisa nesse mundo para tê-la de volta, acredite, eu faria. O nosso cordão umbilical jamais será cortado. Nunca.
 [ Recado Direcionado ]
Estou indo viajar, e só retorno no dia 03 do ano que vem. Como todos devem ter notado, não escrevi mensagens de natal e de ano novo, não estou no clima, e eu nem preciso dizer o por quê. Gostaria de agradecer muito muito mesmo aos meus amigos, por terem me aturado, me dando tanto apoio, carinho e abraços. Um beijo especial a Lidiane, Paulo Kruel Schaun, Sérgio e Andréa. Vocês sabem que já deixaram há muito tempo a categoria de amigos para a de irmãos de coração.
De modo geral, para todos que acompanham pessoalmente e virtualmente a minha vida, segue os meus votos nesta singela mensagem. Beijos, e até o ano que vem.
dezembro 21, 2004
[ Quero Pagar Minha Dívida ]
é preciso
escalar paredes
preciso contar os caquitos
do chão
cristais
é preciso não esfregar
as mãos
quando te cruzo com os
olhos (meus faróis)
preciso é te violentar
delícia de língua
que esconde
que não revela
os dentes
que é preciso morder
preciso saber
[ Pedaços e Horas ]
Ele desponta como um sol tardio nessa manhã, e me acorda com risos e ordens. Manda eu me espreguiçar a todo o momento e esquecer de uma vez por todas o meu companheiro travesseiro. Engata um diálogo torpe sobre a importância de se movimentar antes de levantar da cama, e nem comenta sobre as discussões da noite passada.
Depois de permanecer debaixo do chuveiro durante vários minutos, fico imaginando o dia em que poderei conhecer alguém por inteiro. Ensabôo o corpo e me sinto incompleta, em pedaços, completamente triturados, e parece não ter conserto e nem remendo para eles. Acho mesmo que cheguei a me desfazer de vários. Imagino quanto desses cacos foram espalhados pelo ar, pelo vento em meu corpo, pela velocidade que me impediu de gritar tudo o que estava sentindo. Devo ter me perdido aos montes pelas matas e pelas praias as quais pude observar lá de cima até poder tocar novamente as solas dos pés no solo firme.
As pessoas não entendem quando eu digo que eu preciso de um tempo. Para reavaliar a vida, as responsabilidades e os problemas. Não sei mais o significado da palavra “viver”. Muitas coisas perderam completamente o sentido. Estou extremamente alheia ao que está a minha volta. E isso tem me incomodado bastante.
Ultimamente o que me mantém ativa é o trabalho e a preocupação de limpar a caixa do meu celular para poder receber as suas mensagens e as dos meus amigos. Como a de Camila, bem natalina e carinhosa. E a surpreendente do meu pai, dizendo que está vendo as nossas passagens de catamarã para Morro de São Paulo. Nem a impressora ofuscou o brilho dessa notícia, mesmo quando tentou cuspir de qualquer jeito a impressão de um catálogo que desenvolvi os quadros e formatei as fotografias. E sexta eu volto para a ilha de Itaparica, volto a me perder em ensopados de camarões, passeios de barco e de carro, deliciosos sabores como jaca e jambo, e novamente me atiro das alturas.
Preciso que o ânimo retorne e o cansaço me deixe em paz. Assim poderei colocar bateria nova no relógio-vivo-despertador e fazê-lo perder a hora.
dezembro 20, 2004
[ Inacreditável ]
Eu saltei de paráquedas.
E o meu coração quase saltou pela boca!
dezembro 16, 2004
[ Some... ]
dezembro 15, 2004
[ Pecado Capital ]
Eu sei que é pecado desejar o homem da próxima...
mas eu queeeeeeeerooooooooooo um Freddie Prince Jr. pra mimmmmmmmmmmmm.
:{
dezembro 14, 2004
[ Estação da Morte ]
Sentada na praça, vendo a vida passar, os carros passarem; noto em uma
cadeira ao lado, um senhor, com seus tantos anos de idade, tratando pombos
com migalhas de pão.
Seu rosto, marcado pelo tempo e pelas rugas, ainda transmite uma serenidade
inigualável. Uma força de viver intensa.
De repente, é surpreendido por dois jovens que passam ao seu lado, fazendo
uma corrida matinal. Se derrama em lágrimas. Grita de dor e saudade. Olha
para suas pernas e para sua cadeira de rodas e lamenta quão injusta foi sua
vida, seu destino.
Seu rosto sereno, se esconde dentre as mãos, cobriu o rosto e sofria consigo
mesmo.
Só!
Seus dedos já úmidos, tremiam incansavelmente.
Os jovens continuavam a correr, e o velho continuava a chorar. Saudades do
seu tempo de moço.
Num gesto de revolta, colocou as mãos nas rodas, e seguiu seu rumo. Me
assustei com isto e resolvi observá-lo à distância.
Seguiu até a estação ferroviária com o rosto amargurado. Se colocou com
dificuldades nos trilhos. O som estridente do trem não foi o suficiente para
tentar tirá-lo de lá.
Ele gritou, e viu que o que estava fazendo era algo desesperador. Naquele
instante relembrou de todos os seus bons momentos e se arrependeu de todos
os seus pecados.
Colocou as mãos nas rodas e tentou sair.
As rodas se encravaram nos trilhos e ele foi ao chão. O som estridente se
aproximava e ele se rastejando não conseguiu sair. Além do barulho de trem,
só se ouvia suas súplicas:
"Eu só quero andar, não me deixem morrer."
O trem passou, e com ele os gritos, choros e súplicas também se foram
O silêncio pairou...
O velho estarrado nos trilhos e sua cadeira ao lado. Sua fiel companheira,
até a morte.
Sua revolta foi maior do que sua vontade de viver.
Que ao menos seu espírito ande em paz!!
dezembro 07, 2004
[ Yoshimi ]
Ahh eu achei a Yoshimi muito, mais muito fofinha mesmo nas animações que eu vi. Ela é a minha cara só que com os olhinhos verdes. Risos. Coincidências a parte, a música Fight Test é uma das músicas que eu mais ando escutando no momento.
Segue os links das animações:
Yoshimi and The Pink Robots
Fight Test
dezembro 06, 2004
[ Por Todos os Lados ]
"Se ela nos dirigir a palavra, não respondamos. Assim seguirá adiante." (A santa cortesã, Oscar Wilde)
Onde foi que eu li que "a incerteza é a essência da paixão"? Ou seria "a incerteza é a essência do amor"? Acho que foi numa peça de Oscar Wilde. Ou não. Essa incerteza está me matando, é o que sei. Eu me anulei completamente nessa incerteza. Não sei mais o que é real ou em que acreditar. Isso nunca se sabe, é verdade, alguém sabe, é verdade, alguém pensa saber. É verdade? A essência da impaciência, o cheiro da música, a letra da impaciência, me escreva uma letra, me escreva uma carta, me escreva um e-mail, um livro, uma peça, o que é real? Diga-me o que pensa. Não sei mais em quem acreditar. Tudo adquire outros sentidos e as cores vão se acinzentando.
Termino o dia na tristeza e inicio a noite na aspereza da espera da angústia. Le soir. La nuit. A madrugada, longe, perto, os gatos, longe, perto, ao lado, quase ao lado, a madrugada mora quase ao lado, o gato sobe no telhado da vizinha, e eu observando da varanda, estou perdendo a certeza das frases ouvidas. Você diz uma coisa, entendo outra, não entendo o que eu digo. "Um a boca que perdeu a lembrança do riso, olhos cegos de tanto chorar (.)" (O leque, Oscar Wilde) E as cores vão se acinzentando, essa incerteza vem me anulando. Incerteza dentro e ao redor do quarto, incerteza nas portas, incerteza nas janelas, incerteza no que se ouve e no que se diz, antes de dizer, incerteza no pensar, e não no sentir, e sim no pensar depois de sentir - foi verdadeiro? Aquele instante foi verdadeiro? Aqueles meses se foram num instante?
Num gesto impensando, numa frase cortante, numa súbita tristeza, num crescente distanciamento, progressivo isolamento, romance. "Você está olhando para mim como se eu fosse um bicho do outro mundo, talvez eu seja mesmo, sabe?" (O leque, Oscar Wilde) Romance entre uma página a ser virada e meu nome. Romance entre atravessar uma esquina e beber um capuccino. Romance entre pegar um avião de Salvador a São Paulo. Romance entre o silêncio e a sua voz, romance entre o lençol e a pele, romance entre a despedida e os dias seguintes, romance entre duas pessoas, entre uma página a ser lembrada e uma frase sublinhada. "A verdadeira essência do romance é a incerteza" (A importância de ser Prudente, Oscar Wilde). Lembrei a frase correta. Não concordo. A verdadeira essência da vida, alguém sabe, alguém pensa saber, alguém pensa que não sabe, outro não pensa, eu penso e eu não sei - não sei o que dizer da palavra romance. Não sei o que dizer de palavra alguma, quando me encontro ao seu lado. As palavras fogem, fujo eu também. Disfarço, hoje não, depois talvez, a verdade é insegurança. Não sei mais em quem acreditar. Escuta-se demais. Conversas por todos os lados. Não sei encontrar a verdade de todos os lados - você sabe?
A Música do Final de Semana: Just Like Honey - Jesus and Mary Chains
A Dor do Final de Semana: Saudade dela.
A Pergunta do Final de Semana: O que você quer de mim?
A Essência do Final de Semana: Ficar na cama com Morpheu e não sair mais dela.
O Cansaço do Final de Semana: Não agüento mais a faculdade.
 [ Recado Direcionado ]
A nave estacionou sob o céu de Salvador nesta tarde. Manifestou-se de forma amiga, e o ET, que se encontrava nela, sugeriu um pacto com a mutante que mora no bairro do Rio Vermelho. Mutante sim, antes ela confundia os seus poderes e a sua maneira de ser. Achava que era ET também. Talvez por isso a amizade entre eles foi instantânea. Sem lasers. Sem poderes pára-normais. Eles se completam na forma de ver o mundo. Ele de maneira futurista, ela de maneira antiquada e em preto e branco. Só há uma coisa em comum: os dois esperam por finais felizes.
dezembro 04, 2004
[ Retornando da Casa de Doris ]
Eu adoro a minha cidade.
É tão bom voltar para casa uma hora dessa, passeando pela orla, vendo as estrelas brincando de escorregar no mar com a cabeça cheia de conceitos e cálculos de GRP's.
Dizem que os habitantes das cidades que possuem orla marítima são mais tranquilos. Eu espero.
dezembro 02, 2004
[ Escrever ]
Escrevo pouco porque já não acho que você se importe. Escrevo pouco porque sou menos forte do que no passado. Escrevo pouco porque a simplicidade se espalhou feito mercúrio antigo em ferimentos superficiais e em ferimentos profundos. Escrevo pouco porque amo menos ainda. Escrevo pouco porque abraço sem jeito. Escrevo pouco porque sei rir da fácil miséria dos amigos que ainda não descobriram a facilidade de escrever pouco. Escrevo pouco porque os olhos já não se importam em descobrir. Escrevo pouco porque não quero mais sentir presença de inspiração. Escrevo pouco porque outras atividades são melhores do que olhar infinitamente para a janela e aranhas no teto. Escrevo pouco porque deixo os manuscritos se rasgarem antes que eles cheguem em você, antes que eles cheguem em mim.
Escrevo pouco porque agora as palavras perderam a medida e caíram pelo ralo das soluções fáceis e dos quatro hi-fi’s marcados em largos cartões de consumação mínima e risadas repetidas. Escrevo pouco porque não tenho medo de morrer. Escrevo pouco porque o sentido só acontece na fuga. Escrevo pouco porque os pneus não resistem. Escrevo pouco porque as pontes se deslocam sobre os carros e os carros me puxam para fora daqui. E fora daqui paro. E parando peço papel e caneta que não chegam a tempo. E então desenho letras na grama enquanto vejo o céu muito branco e por um instante penso que estou sonhando, mas estou só escrevendo pouco pela última vez.
Soundtrack - Lost in Translation - Air
[ Desperdício ]
o coração: fornalha
(tentativa medonha de empurrar o tempo),
o sangue expalha
carbono e vertigem de explodir,
o erro, aos poucos, toma o céu
(numa trilha sonora de moto-serra),
no pensamento estancou essa alegria de sonho,
e tudo mais a que dedica atenção
é perda de tempo, apodrece.
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