:[ Sin To Win ]:
 

outubro 27, 2004

[ À Minha Mãe ]

Hoje, pela segunda vez, eu consegui conversar com você. Está sendo muito difícil tentar algum diálogo depois da sua partida. A dor é muito forte dentro do peito e a saudade é imensurável. Engraçado, ninguém tem noção do quanto temos uma da outra. Não era apenas uma questão de aparência física. Temos gênios fortes e muita teimosia. Somos mais que mãe e filha, somos irmãs-amigas-confidentes. Você era o chão e a âncora que só me causavam bem. Se aqui estivesse provavelmente eu estaria pertinho de ti. Choraríamos juntas essa separação, todos os momentos angustiantes que vivemos, e você me diria que também me ama acima de qualquer coisa. Que o nosso amor é incondicional e a nossa ligação é eterna.
Sinto tanta falta de não poder ver os seus olhinhos brilharem ao me ver, ou como eles demonstravam felicidade ao ver a família reunida. Quando acendo uma vela e rezo, eu imagino o quanto de luz existe no seu caminho. Porque se existiu alguém bondosa e perfeita na Terra, esse alguém foi você. Você é um anjo mãe, com seus doces olhos castanhos cor-de-mel e os seus cabelos encaracolados.
Você tinha a mania de acolher a todos nos seus braços-mundo. E eu sentia ciúmes no início (coisa de filho único, eu acho), queria sempre a sua atenção, o seu sorriso, o seu olhar voltados para mim. Era impressionante como não conseguíamos ficar muito tempo chateadas uma com a outra. Logo arranjávamos uma desculpa para nos vermos, nos falarmos ou nos sentirmos.
Não tive coragem ainda de mexer nas suas coisas, nem de pegar nos seus cd’s. A casa toda possui um toque seu, uma lembrança sua, um momento seu comigo. Na rua, todos os lugares me dão pelo menos um motivo para me lembrar infinitas vezes de você. Se eu me conformo com o lugar, tem uma música tocando, e eu sei de todas as quais você gosta e o quão musical você é.
É mamãe, você se foi muito cedo. Sem a chance de aplaudir pelos meus sonhos concretizados (os quais nós conversávamos tanto). Sem a chance de vivenciar os seus netos, netas, bisnetos. Sem o prazer de acompanhar seus passos, de curtir no dia a dia as companhias, e tudo que você mais desejava. E eles perderam a chance de conhecê-la melhor. De participar diariamente com sua vivência de exemplo. Seus conselhos importantes de máxima serventia, cercados da sabedoria de seus ditos preciosos. Provérbios falados no tempo usados pela vovó e pela bisa.
Você partiu deixando uma lacuna aberta. Espero que sempre escute as minhas declarações de amor eterno. Obrigada por todos os momentos que passamos juntas. O que me consola nesse momento é saber que o seu sofrimento acabou rápido e que um dia eu voltarei a lhe encontrar.
O meu pai pode ser o homem da minha vida. Mas você era a razão do meu viver. Você era o meu mundo. E, agora, eu me encontro aqui, perdida, sem saber que caminho eu devo seguir...

A BARCA
Pe. Zezinho
Ouvir canção

Tu te abeiraste da praia
Não buscaste nem sábios, nem ricos,
Somente queres que eu te siga

Refrão: Senhor, tu me olhastes nos olhos
A sorrir pronunciastes meu nome
Lá na praia eu larguei o meu barco
Junto a ti, buscarei outro mar.

Tu sabes bem que em meu barco
Eu não tenho nem espada, nem ouro
Somente redes e o meu trabalho

Refrão
Tu minhas mãos solicitas
Meu cansaço que a outros descanse
Amor que almejas seguir amando

Refrão
Tu pescador de outros lagos
Ânsia eterna de almas que esperam
Bondoso amigo que assim me chamas

Minha mãe partiu no dia 23.10.2004, levando consigo o meu coração. A Barca era uma das músicas que ela mais gostava de ouvir e cantar. Que o Senhor a tenha recebido com muito carinho e muita luz. Que ela esteja em paz.



outubro 20, 2004

[ Fragmentos. Trechos. Escudo ]

Quando a "aurora de dedos de rosa" surgir amanhã, matutina, espero estar disposta a ler mais alguns versos de Homero, que tanto me torturam, mas que tanto me comovem quando estou nos meus dias de deusa. Espero estar amanhã endeusada por algum instante risonho que me faça esquecer o vazio da existência, os meus problemas estourados ao máximo dentro da consciência. Alimento os meus dias com sabor de frango e cheiro de frutas, o éter só dá um toque tristonho durante o final da manhã e da tarde. As premonições que saem por nossas bocas têm causado reboliços em toda parte. Quando eu te falo que desde aquela tarde eu amo mais o meu passado, pelo simples fato de vê-lo o tempo todo retornar. Componho-me com fragmentos de discursos alheios e me atrevo a catar coquinhos homéricos para decorar as minhas entranhas. Desde muito tempo prego a filosofia da leveza em todas as paredes da minha casa. Talvez se eu não a pregasse, as paredes nuas, brancas, pudessem me descarregar. Estejam certos, porém, que cada vez menos farei isso. Quero me despir de sobre-tudos, de mantos que me tornam invisíveis, que apagam meu viver nos bordados mais elaborados, porque a verdade é que nada está podendo me vestir. Há um emaranhado de fios sobre meu corpo e eu tento escolher os mais claros para tricotar meu escudo.



[ Duas Mãos ]

A chama da vela se apaga
Quando eu encosto a ponta dos dedos
Depois aproximo os braços da mesa
De fora para dentro
Desta casa. Desta cabeça.
Explodem pensamentos loucos
Dispersos pelas poesias de um mago
Ele atiça os elétrons
Provoca o meu cérebro
E me destrói em pedaços.

Não há por perto quem possa
Me acolher, me levar
Nem aquele objeto não-identificado
Nem aquele amor não-identificado
Nem aquela dor identificada e gigantesca

Ninguém assina o que se passa ou o que se escuta
Pelas paredes e pelas mobílias
Dos cômodos internos perdidos da casa em mim.
Todo mundo acha que vai viver eternamente a sua vida
Com pleno controle das situações e dos problemas.
Limpando e cuidando do seu próprio jardim.
Mas muitos se esquecem que as trovoadas e os terremotos
Não acontecem por acaso.
Basta que eu bata...
Sutilmente...
As minhas asas.


Poesia-resposta a que eu li no blog do Zen.
Num daqueles dias que você está mais para comentar em versos do que em prosa...



outubro 11, 2004

[ Quanto é Necessário para Poder Acordar ]

Quantos problemas serão necessários para que a visão das coisas em volta se tornem tão maravilhosas? A cada momento que aparece mais um, tudo insignificante ao redor tem outro significado, outra importância.
Quantas sextas serão necessárias para que a gente se dê conta do tempo correndo. Quantas segundas praguejadas ainda virão, enquanto empilhamos semanas, meses, anos em cima dos ombros e temos sempre a sensação de que tudo passa rápido de mais. Se é só por quarta que nos contentamos, pela proximidade de mais um final de semana, que acaba acabando, mesmo, é certo, e a gente não quer que o sábado termine e o domingo. O domingo. Nada mais melancólico que o anoitecer de domingo.
Quantos dias de pagamento serão festejados com aquela alegria pequeno burguesa, leve sorriso e fone na mão para acertar as contas atrasadas e, cinco dias depois, começarmos a calcular quantos dias faltam para o novo pagamento.
Quantas manhãs abortam nosso sono no seu melhor, e quantas olhadas no relógio serão ainda necessárias para que elas acabem, para que cheguem logo ao meio-dia, às seis, às oito, às dez horas. Enfim donos de nossos destinos, por quanto tempo mesmo?
Quantos ouvidos alheios ouvirão, ainda, nossas eternas reclamações e sensações de incompletude? Quantos travesseiros serão abraçados na dor e quantas janelas se abrem e se fecham, quantas escovas de dentes fazendo espuma no espelho que não vemos pois nossos olhos não abrem.
Quantas orações feitas com fé antes de aconchegar a cabeça no travesseiro, e sem conseguir dizer amém porque falta rezar mais e mais por situações que parecem insolúveis.
Quantos nós na garganta desatados pela vergonha de quem não quer se assumir fraco, quanta vontade de fazer algo diferente engolida pelo medo de imaginar a reação dos outros.
Quantas pequenas covardias, pequenas grosserias, pequenas irritações diárias, regando nossos dias em cidades lotadas de fantasmas.
Quantas vezes faremos os mesmos discursos de mudança, quantas esperas ainda serão necessárias para finalmente agirmos.
Até quando vestiremos a mesma camiseta da desilusão, reclamando de tudo e de todos?
Quantos escritos serão necessários, quantas folhinhas de calendário serão viradas, quantas agendas serão rasgadas?
Quantas velas sopradas serão necessárias para darmos aquele basta, há tanto tempo buscado? Quantos acenos, beijos, toques, sonhos, medos, lágrimas, gritos, tropeços, risadas, anseios?
Retira as balas do teu revólver e diz para mim: quando é que a gente acorda?

[ Recado Direcionado a Todos ]

Alguém, por favor, sabe me dizer um site de legendas em português que preste? Tô procurando a legenda de Before Sunset e não estou conseguindo achar. Obrigada.



outubro 05, 2004

[ Reflexo no Chão ]



Lembre-me do que não posso ter.
Esfregue na cara toda a arrogância do mundo as minhas costas.
Mostre a minha derrota. O meu desestimulo. O meu rancor.
Cegue os meus olhos melancólicos com mais amargura.



[ Por que a Minha Vida está Destinada a Ter Finais como Esse? ]



Quem assistiu esse filme, sabe sobre o que estou me referindo.



[ Somebody's Crying ]

I know somebody and they cry for you.
They lie awake at night and of you.
I bet you never even know they do, but somebody's crying.

I know somebody and they called your name.
A million times and still you never came.
They go on loving you just the same, I know that somebody's trying.

So please, return the love you took from me.
Or please, let me know if it can't be me, I know when,
Somebody's lieing, I know when somebody's lieing.

I know that somebody's lieing, I know that somebody's lieing.

Give me a sign and let me know we're through.
If you don't love me like I love you.
But if you cry at night the way I do I'll know that somebody's lieing.

Eu amo essa música. Obrigada pelo CD.
Espero que a gente volte a se falar qualquer dia desses... e que você entenda que eu terei o maior prazer em ser sua amiga. Beijos.





:[ Gaveta ]:
:[ Fotos ]:
:[ Blogosfera ]:
[ E-mail Me ]
[ Passeando pelo Jardim  ]
[ UIN: 4242467  ]
[ Rádio Pecado by Roger ]
[ Diga 'X'! ]
:[ Solteira ]:
:[ PREVISÃO DO TEMPO ]:
 
:[ PECADOS CONFESSOS ]:
:[ PECADOS RECENTES ]:
:[ PECADOS POR CATEGORIA ]:
:[ ON-LINE ]: Musa Louca/Female/21-25. Lives in Brazil/Bahia/Salvador, speaks Portuguese and English. Spends 80% of daytime online. Uses a Faster (1M+) connection. And likes Escrever/Ler/Passear/Pintar.  
© Copyright 2004 - Loucuras Corporation S.A.
:[ Sin To Win ]: