:[ Sin To Win ]:
 

agosto 29, 2004

[ Ânsia ]

Por certo foi engano. Seria esta a sua vontade? Você, de outra, não meu. Mas não, acho que não. Foi certa a vontade toda, minha. Minha fome imensa de você. E você na minha frente aos pedaços. Oferta. Bandeja. E eu lhe recebi em minha boca e mastiguei você inteiro, inteira, com força. Era toda eu: boca e dentes. Devorei você, senti seus sabores e mais. Salivei. Escorri saliva pelo canto da boca e me fartei do seu gosto, de seu cheiro, de suas entranhas. Seus sabores mais escondidos. Seus sabores secretos. Lambi cada pedaço seu. Triturei cada parte. Misturei você aos meus fluídos. Engoli você, sôfrega, ávida.

E aí que meu próprio corpo não agüentou. Rebelou-se, foi contra. Expulsou, expurgou. Fez retornar o que tinha feito, em ânsia. Lutei, queria você em mim, trancafiado, misturado. Mas meu corpo é forte, resistiu a mim: meus desejos sobre você. Ele foi o vencedor: vômito. Devolvi inteiro o que devorei em partes: você. Agora não mais em pedaços, refeito em forma: novo. Nova compleição. Nova vontade: de mim.

Agora, você é meu.



[ É o Ritmo ]

Poema censurado pelo autor.

Desconhecido escreveu para Apple (Eu) em 1996. [gargalhadas]

E na quinta o passado bateu a minha porta.
Custa saber se eu devo deixá-lo entrar.



agosto 26, 2004

[ Precisa Ser Dita ]

Entrei na névoa branca. Perdida. Perdida entre tempo e espaço. Até ver uma porta. Abro. Um quarto sem móveis, prateleiras vazias. Livros no chão, e bonecas. Três babuskas, barbies, todas elas. No chão. Uma das babuskas me chama a atenção, brinco com ela. Abrindo, abrindo, abrindo, fechando, fechando, fechando as duas. Pareço evitar a última, não sei por quê. E abrindo, abrindo, abrindo, abrindo, abrindo - dentro desta, a última. Os pedaços da última. Fecho, fecho, fecho, fecho. Fecho os olhos. A escuridão toma conta. Ouço vozes, sigo na direção.
Estou parada na calçada. Entro no ônibus. Fico olhando a paisagem. Verde, verde, branca, azul. Não olho os prédios, não vejo pessoas, não conheço as ruas. Ele fala ao meu lado. A voz dele é verde, verde, branca, azul. A música dele é verde, verde-água, algodão doce, café com chocolate. Algumas vezes, café com conhaque e chantilly, e bolo com cobertura de chocolate. Uma fatia de bolo com creme de baunilha. Tudo que eu já imaginei sentir antes, sabe? As canções dele sempre são doces.
Entro novamente no quarto. Não quero os móveis, os livros organizados na estante, as bonecas na cadeira, não quero. Não quero a mesa, a cama, o
colchão, os armários. Quero esse quarto assim como está. Uma bagunça. O caos em perfeita ordem. Outra babuska me chama a atenção. Sento no chão e vou
abrindo até a última - estaria quebrada essa também? Não. Ainda não. Inspiro tentando abrir o corpo como o dela. Mantenho o ar preso o máximo que posso. Então solto lentamente. Contraio o abdômen depois da expiração e permaneço assim até ficar roxa. Igual a minha camisa favorita.
Volto a calçada. Entro no ônibus. Fico ouvindo a rua, os barulhos, as conversas, as pessoas. Percebo uma menina lendo. O rosto dela é pálido, uma boneca pálida, uma boneca lendo - o quê? O meu passado. Uma boneca lendo o meu passado. Meu presente. Uma boneca colorindo meu presente. Escrevendo. Meu presente escrevendo tudo que eu já disse antes, sabe?
Entro. O computador desligado. Folhas de papel pelo chão do quarto. Uma babuska ao lado do teclado. Essa eu não abro. Estaria quebrada? Ainda não foi escrito. Aqueles dias. Aquele vazio quando você não está. Aquele soco. Aquela frase que é um soco. Aquele ato que é uma frase. Aquela frase que é um soco. E como dói falar. Tão bom, mas dói. Tão simples, mas precisa ser dita. Sabe? Eu te amo.

A emoção é negra como a razão é... você.

Em repeat no winamp: Hoobastank – The Reason. Graças a Doris e a série Friends. Arf.



agosto 24, 2004

[ Efeito Borboleta ]

Só sabe ser quando abre o caderno colorido, apanha a lapiseira preta e ocupa-se – a verdadeira ocupação – em desenhar letras com o grafite de cor indefinida, letras comendo as finas linhas azuis da superfície do papel, no verso a contraparte do que escreve, o passado de sua escrita do agora, confusos traços ao contrário, ela agora a mexer nos óculos que não estão (deixou desde os 15 anos de idade), sente o contorno, o peso, a consistência deles, o que é o costume, minha gente. Só sabe ser quando escreve, espera que o pensamento não fuja, porque não há nada para se ver ao redor, o caderno é o espelho por excelência e a ela só interessa Ela Mesmo.

Um perigo, um verdadeiro perigo quando até o mais prosaico dos gestos, o mais comum dos estados estáticos, se enche de importância e ganha profundidades caleidoscópicas, e tudo então se torna passível de análise, é uma loucura e você jura estar enlouquecendo também por enxergar profundezas em poças d’água, sentindo-se idiota e sentimental, caindo nas armadilhas do senso comum – ou não? Nada há de comum nisso.

Por que tudo parece esquisito e surreal? Por que raios estou agora me aprofundando em múltiplas realidades?

Por que diabos esperava um milagre, se nem sabia que tipo de milagre desejava? Angústia de sonhar com o milagre, de imaginar um leque tolo de milagres, qual deles queria, e por que o queria, se jamais viriam? Sempre o mesmo: não há milagres possíveis quando se espera por eles. Tomou mais um gole de vinho, os espelhos, Deus do céu, morava em um espelho postado diante de outro e ambos se refletem, ela mesma centenas infinitas de vezes, bonecas russas enfiadas umas nas outras até o indivisível do ser.

Hoje recorda-se, é inevitável a recordação. O quarto, um grande espelho, a vertigem da descoberta do inefável, o vazio das imagens refletidas até o fim do tempo e do espaço, até sumirem pequenas uma no íntimo da outra. Só sabe que frio e tudo se congelou, hoje compara ao sonho parisiense de Baudelaire, mas na ocasião era só um frio de solidão e pena das imagens que se perdiam durante a experiência, menina de filme de terror, dá medo olhar para dentro dos espelhos.

Nessas horas, quando tudo se confundia, o mais sábio a fazer era abrir as janelas e bater as asas, como as de uma borboleta.



* Musa Louca não pode mais assistir esse filme.



agosto 20, 2004

[ Voando No Orkut ]

Um toque no retoque do acaso.
Por onde anda o vento que se foi?
Em que parte da folha eu rasgo?
Pela lógica, hum, de cima para baixo.



[ Maratona no Final de Semana ]

E começa hoje a maratona rock’n roll com o Sr. Kruel:

Sexta – De volta ao passado, bar Calypso com a Los Canos (com ou sem a galera da van em Dinha);
Sábado – Às 17h em Humaitá, um dos lugares mais lindos de Salvador (na minha opinião) e que pouca gente conhece. Vai ter o show da The Honkers de grátis. Depois voltamos novamente para o Rio Vermelho, ao Calypso, porque “Recordar é Viver”, então um showzinho básico com a querida banda King Cobra;
Domingo – E termina a maratona com o projeto Domenica, organizado por meu querido amigo e colega (grrrrrrrrrrrrrrr) Luciano Matos no bar TangoloMango na Pituba, com as bandas Brinde, Soma e Partido Alto. Ainda bem que o bar é na altura do solo. Poderei me manter próxima das janelas. E ficar admirando o vocalista do Soma cantar, sem ter idéias suicidas.



agosto 18, 2004

[ I Hope That I Don't Fall in Love With You ]

Tom Waits

Well i hope that i dont fall in love with you
Cause falling in love just makes me blue
Where the music plays a new display of hard for me to see
I head a beer and now i hear you calling out for me
And i hope that i dont fall in love with you
Now the night does funny things inside a man
These old tom cat feelings you dont understand
I turn around a look at you you light a cigarette
I wish i had the guts to bum one but we've never met
And i hope that i dont fall in love with you
I can see that you are lonesome just like me
And it being late you'd like some company well i've had two i look
At you and you look back
At me the guy you're with is up
And split that chair next to you is free
And i hope that you dont fall in love with me
Now it's closing time
The music's fadding out
Last call for drinks
I have another staff
I turn around and look at you
You're no where to be found
I search the place for your lost face
And have another round
And i think that i just fell in love with you

Essa música é o tema principal do filme "Um Príncipe em Minha Vida". E me faz lembrar do único amor platônico que eu tive em MINHA vida. Ele continua sendo uma pessoa especial pra mim. Mesmo que a gente não se fale, não se escreva, mesmo que ele não esteja mais lendo o Sin. Ele é uma daquelas pessoas que entram na alma e no coração para nunca sair. Às vezes me pego nas bancas de revistas procurando o seu nome. Pensando no convite de aniversário que ele me enviou. Saudades eternas. O meu erro foi "I fall in love with you" e não ter tido coragem de lutar por esse sentimento. O CD "Little Luciana" que ele fez sempre está no soundtrack deste site, sempre me ajuda a ter inspiração para escrever.



agosto 17, 2004

[ Em meio a Neblina ]

A partir de hoje a minha respiração nunca mais será a mesma.



[ No Lugar Certo ]

Já pensou na possibilidade de existir uma pessoa muito longe daqui, que você nunca vai conhecer, que está te esperando a vida inteira, que vai se casar com outra qualquer e nunca vai ser feliz realmente. Contigo vai acontecer o mesmo, e nem você nem ela vão saber de nada. E se nos botaram no lugar errado? E se todo esse sofrimento é em vão?
E se todo o sofrimento do mundo depende do erro de cada pessoa ter sido posta num lugar que não lhe pertence de verdade? E se tudo mudasse e as pessoas ficassem nos lugares certos? Uma conclusão óbvia é que aí não haveria poetas. Mas e se nós estamos no lugar certo? E se meu futuro não está em qualquer país distante? Está no Brasil, a minha espera como Cristo no Rio de Janeiro? E se ele está ao meu lado, na minha cara todo esse tempo, e eu me perdi procurando nos lugares errados? Um pássaro nunca voa alto demais se voa com as suas próprias asas, já dizia Lord Byron. Então talvez o lugar não seja errado. Quem acredita em acaso? Será mesmo que tudo tem seu lugar e sua hora, que o destino é imutável? Minha mãe sempre me diz que "o que é meu tá guardado", ou seja, está só me esperando. Só falta saber aonde. E quando. Maldito timing.



[ Timing ]

Tudo na vida depende de timing. Sabe o que é timing? No caso de não saber, aqui vai um pouco de metalingüística: timing é o tempo em que um ator entra na cena. Se ele acertar o timing, o texto flui melhor, o ator é bom, a platéia gosta. Se não, estraga tudo. Na vida acontece o mesmo, só que na vida tudo, tudo depende de timing. Como dizia o Chico Science, um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar. Pões dois caras para brigar, ambos com o mesmo físico, mesma técnica, mas um tropeça e toma um chute na têmpora, cai duro.
Errou o timing.
Timing. Eu geralmente erro o timing. Chego tarde demais. Perdi muita coisa por ter demorado demais, por ser indecisa demais, por ter errado demais. Muitas oportunidades. Às vezes eu queria voltar atrás, acertar o timing. Mas agora não dá mais. O máximo que eu posso fazer é quebrar o ritmo, improvisar e roubar a cena, como fez o Jack Nicholson em "Batman".



agosto 14, 2004

[ Olhar Alguém... ]

Só quero ver teu perfil e aconchegar em minha alma o ângulo que melhor me servirá de morfina.



[ É isso aí ]

Um homem escreve para destilar o veneno que acumulou devido à sua maneira falsa de vida. Está tentando recapturar sua inocência e no entanto tudo o que consegue fazer é inocular no mundo o vírus de sua desilusão.



agosto 12, 2004

[ Pesquisa: A Pergunta Idiota de Hoje ]

Lancei essa pergunta no MSN: “Como é o nome daquela coisa que você gosta mesmo?”. Confira as primeiras respostas do pessoal on-line naquele momento:

Quero chegar sem pressa, quero tocar suas pétalas... diz:
- Depende. Tem várias coisas que eu gosto.rs

Jorosande diz:
- não entendi

? diz:
- Q coisa?

ToNy JuNiOr diz:
- MULHER

André (ASOBR) diz:
- sexo?
André (ASOBR) diz:
- tableless?

·!¦[· Paulinho ·]¦!· diz:
- que coisa?!
·!¦[· Paulinho ·]¦!· diz:
- vc naum estava nos meus contatos?!
·!¦[· Paulinho ·]¦!· diz:
- pq?!

Anderson diz:
- como assim? em que nível?
Anderson diz:
- bolo de fubá?

Kita para os intimos (Quem sabe um dia...) diz:
- q coisa?

Carlos... feet on the air, head on the ground diz:
- dormir?

Igor - Info diz:
- mulher
Igor - Info diz:
- mulher, a "coisa" mais maravilhosa desse mundo (rs)
Igor - Info diz:
- alias, nunca vi uma "coisa" com tantas outras "coisas" boas (rs)
Igor - Info diz:
- beijos, linda!

GB - E EU ACHAVA Q TINHA ME FUDIDO diz:
- q coisa ??? comida ??? dormir ??

Larriri diz:
- mulher e música

Ray_Manzarek diz:
- como assim?

IGNACIO43UY diz:
- falar, trabajar, viajar, cine,caminhar, conocer pessoas, eu sou muito romantico, carinoso, apaxionado

Chokito:
- LUCIANAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

A do Chokito não conta. Risos. E você, leitor do Sin, qual como é o nome daquela coisa que você gosta mesmo? ;o)



[ Desassosego ]

Povoamos sonhos, somos sombras errando através de florestas impossíveis, em que as árvores são casas, costumes, idéias, ideais e filosofias.



agosto 10, 2004

[ Quem Tem Medo do Lobo Mau? ]

Ah, eu já tive medo de dormir no escuro, de brincar com os espíritos e de dar o meu primeiro beijo. Até os sete anos eu dormia com o abajur ligado. Os meus amigos me chamavam para aquela brincadeira de pendurar o anel por um fio de cabelo e saber as respostas do além às perguntas da gente. E o meu primeiro beijo aconteceu também no meio de uma brincadeira, de supetão, quando estava correndo para me esconder. De repente o Alexandre apareceu no meu esconderijo (atrás do guarda-roupa), me imprensou de uma forma que eu fiquei contra a saída e me beijou. Eu tinha uns dez anos na época, acho.
Hoje, eu tenho medo de ferir e ser ferida pelas pessoas que amo. De não saber consertar as minhas cagadas. E de ver sorrisos desaparecendo por n motivos fora do meu controle. Através da força da natureza e do destino. E, claro, a de não encontrar respostas para minhas perguntas existenciais.
Mas ter medo é bom. A adrenalina liberada pelo corpo faz seu ritmo cardíaco aumentar, testando o seu coração que parece querer sair pela boca, você fica a beira de entrar em pânico ou de ter um ataque histérico. Todas essas sensações permitem que você abra os olhos e perceba a vida de modo diferente, de modo estranho, de modo “revelador”. Descobre sempre algo novo. Além da fronteira do umbigo.
A minha mente tem andando como uma vitrola, tocando discos antigos. Às vezes ela sempre pára na mesma canção e fica entre muitos scratches e repeats. E muitos sorrisos. Ainda tenho uma vitrola em casa, por incrível que pareça. Coloquei para tocar um disquinho-pequenino-amarelo-infantil. E tenho o maior cuidado com a agulha. Mesmo com lugares para comprar se ela vir a partir... Será que ela, a agulha, já teve medo de um dia deixar de existir? Às vezes gostaria de resumir tudo a um jogo de computador em que para avançar para o próximo nível, eu tenho de completar todos os enigmas do nível anterior. Só que isso não é viver. Procuro por respostas, mas talvez esteja me concentrando em demasia nas questões, e não na música. Há-há. Acho que vou ler aquelas revistas de jogos que dão as dicas de como pular de fase ou ganhar super poderes!
Agora, sério, compreendo esse medo que a maioria, assim como eu, possui de tentar encontrar indefinidamente respostas, tapar ou atenuar as dúvidas e inseguranças. Não é de todo mau, desde que isso não te faça “perder” o presente e não te deixe voltar às folhas brancas e pálidas, sem escrever uma letra nelas, ou fazer desenhos sem cor. Viva as canetas coloridas da esperança. Elas me fazem continuar insistindo a escrever, desenhar e pintar (praticamente a Faber Castel). Procurando minhas respostas. Sem saber o que esperar. Só o silêncio. Meu silêncio. Meu medo. Meu friozinho na barriga. Minha impaciência com uma pitada de rebeldia. Sem esquecer os “porque’s”. Respondendo “não” e “não sei”. Vivendo de atitudes não coerentes. Soletrando palavras ao vento. Tentando complicar coisas simples. Beijando, às vezes, o azulejo. Enfim, tentando revelar-me aos poucos para quem me lê e nada me entende.



agosto 08, 2004

[ Saturday Night ]



Ele a faria feliz nesta noite de sábado. Jurou a si mesmo antes de sair de casa e pegá-la na sua moto recém-comprada. Sabia que ela tinha medo, mas a convenceria, de qualquer maneira, a dar uma volta. Parou na frente do portão, deu um toque no celular, e esperou... Meio apreensiva, ela encontrou o rapaz de olhar ansioso com um meio sorriso. Uma saudade estranha se apoderou do seu peito, como se ela já tivesse vivido várias vezes essa situação. O que pode ser verdade ou uma completa mentira. Depois de cumprimentos formais, ela aceitou, meio relutante, a subir na moto. Mas apenas para descerem a ladeira e conversarem um pouco no largo de Dinha.
Ele sorriu. Ela fez careta. Pedaços de acarajé cairam da boca dele. Espantado pela forma direta e sincera dela de dizer o que pensa. A praça estava infestada de pessoas que queriam se divertir. Ela lhe disse claramente que o usava para isso. Ele era o seu novo passatempo. Um brinquedinho em suas mãos. Algemado por correntes enigmáticas lançadas pelos olhos castanhos da garota cuja atenção ia e voltava para um sinalzinho no seu queixo. Ele não se importava. Gostava de aventuras. Gostava de sentir a sua pele sendo tocada por aquelas mãos macias. Subiu um certo rubor na face da garota. Ao notar o interesse dele. Surpresa também por estar lhe dando com alguém tão carinhoso e inusitado. Pensava que talvez o seu plano de dominar mentes, pelo menos com ele, não iria conseguir obter o resultado esperado. Ela não iria desistir. Saiu de casa decidida a colocar em prática as lições do seu novo livro de cabeceira.
Ele pensava em como a noite estava passando depressa. Ela ainda nem sorriu tanto quanto ele queria. Ele ainda nem tentou roubar-lhe um beijo. Mesmo não sabendo definir o que sentia por ela, ele não conseguia se controlar quando estava ao seu lado. A boca dela sempre convidava sua língua a entrar e permanecer embalada ao sabor, aos sons e movimentos. Tinha uma imensa vontade de tomá-la nos braços e levá-la para longe dali. Um lugar isolado onde pudessem dançar sob as estrelas. E a noite passasse mais devagar e deliciosamente. Enquanto isso, ela lançava novas teorias e idéias no ar. Na vã esperança do olhar dele se desviar dos seus lábios. Ela queria alegria, e não ser o prato principal. Estava cansada de apenas ser diversão sexual, de conversar com as paredes, de fazer outras atividades sozinha. Como são complicados todos esses dias de chuva sem sair para tomar banho, porque antes tinha graça fazer isso sozinha no quintal, mas, hoje, ela queria alguém para roçar-lhe a pele, rodopiar de mãos dadas como crianças e alguém para compartilhar a impressão de que em cima do próprio corpo parece que chove mais do que em qualquer outro lugar.
Definitivamente eles não conseguiram se entender. A noite acabou. Sorriram bastante. Ele corria pela Paralela sem saber porque ele não conseguia fazê-la totalmente feliz por uma noite. E ela... bem, ela chegava a conclusão de que não queria dominar a mente de ninguém. E que pessoas e livros realmente combinavam em alguns pontos. Naqueles em que os momentos fogem completamente a ordem dos capítulos. Mas tudo está lá, é só saber procurar direitinho. Ela devia ter começado do fim ao início com o motoqueiro.

Em repeat no winamp: Suede – Saturday Night



agosto 07, 2004

[ Fama ]

Eu nem ia assistir esse programa.
Mas depois de uns 10 minutos, eu fiquei na frente da TV até o final.
Torcendo... torcendo... torcendo...
Para que a Angélica entrevistasse só um pouquinho o baterista maravilhoso da banda que acompanhava os participantes. Ai ai.



agosto 05, 2004

[ Acabou o Mistério ]

Resolvi me expor de uma vez.



agosto 04, 2004

[ Dispa-se ]

Não dispa a sua roupa, o meu desejo morreu na esquina enquanto via mendigos sendo espancados pela polícia. Deseje-me sorte na próxima segunda, porque, nesta, o que eu vi e ouvi foi demais para mortais podres como nós.
Dispa a sua coragem em frente ao seu destino. Está tudo perdido nas suas próprias mãos. Dentro da sua alma. Não mais intacta desde o momento que você nasceu. Não adianta banir os pecados da sua casa. Eles estão o tempo inteiro lhe cercando, não há um só lugar em que possa se proteger. A não ser... em sua cova. Dead.
Dispa a sua morte. Uma ótima idéia. Você não pode salvar o mundo embaixo de sete palmos de terra. Nem no céu com anjinhos de cachinhos dourados sorrindo da miséria dos quais eles mesmos protegem. Protegem contra quem? Do mal? Do diabo? Há-há. Ele apenas sorri. Alah é quem está vendo tudo. Será? Ele tem piscado bastante desde que construiu espaços e seres a sua volta.
Dispa a sua memória. Para que guardar o que te faz sofrer? O que te faz pensar no amanhã? O que te faz rezar? O que te faz sorrir? Para quê? Todos esses segundos esgotados não voltaram atrás. E você, otário, ficará tirando as folhas do calendário, trocando as roupas do armário... e lendo um dia ou outro esse blog-não-diário.
Dispa a sua fé. O futuro brilhante se apagou. O túnel é infinito. Por isso continue a escavar em busca de palavras perdidas, de pessoas imaginárias, de um amor molecular, de mentiras que a todo momento são criadas para você perder um pouco mais da sua auto-estima. O negócio é o seguinte: os demônios nunca vigiaram as estrelas, o Império nunca se iniciou e Eros nunca deixou a barba crescer.
Vamos... O que está esperando? Dispa-se de vez das suas vontades. O mundo é insano. Se eu te beijasse agora, isso poderia ser considerado um ato de terrorismo. Pois qualquer um pode notar que eu possuo no olhar doce e nos lábios flamejantes o imaginário prazer do caos.

Em repeat Moonspell - Selfabuse.



agosto 03, 2004

[ Trunfo ]

Eu não jogo.

Se essa é a sua última aposta,
eu passo.

Se você me embaralha,
nos descarto.





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