Não é a tpm. É essa tristeza que me invade de vez em quando. Ela entra pela garganta e sai em gotas pelo olho, ela sai em soluços que ninguém ouve. Um fio de dor molhado que escorre pela cara que mora no espelho. A minha. A cara invertida que eu não quero ver e que não é a que você vê. Uma cara que eu não reconheço nas fotografias, tantas, que revelam o tamanho da minha idade. Vejo espalhadas as variações da forma de um conteúdo meu, só meu. E é só o que eu tenho, o conteúdo. Estou cheia de mim. Se eu pudesse, me esvaziava, saía sem nada por dentro, esquecia. Revisava tudo, desintegrava os controles, o meu autocontrole conquistado, os meus instintos domados. Sei caminhos e voltas, conheço o que pode e o que não pode. E daí? Quero tanto não saber. Quero esquecer as regras que criei, quero quebrar a cara e sofrer e sofrer e sofrer. Eu me esqueci de viver. Preciso ter novamente dores adolescentes, desejar o fim do mundo, jogar fora essa sobrevida que não está acima de nada. Estou cansada dessa minha condição de espera. Dessa minha maldita condição feminina.
Vou tentar ser corajosa como as crianças do Via, o instituto onde trabalho. Eu as vejo correr destemidas por todos os lados. E junto comigo, elas sentam no jardim e dão comida ao Buda. É engraçado, mas parece que elas esperam por uma companhia. Para sentar e almoçar. Eu não esperarei mais. Seguirei sozinha, de mãos vazias. Ignorando um por um. Vivendo. Loucamente. Deixando o meu corpo ser levado pelo vento. Ignorando outros desvios. Um por um. Buscando conquistar novas histórias, novos amores... Deixando de ser oca. Acrescentando inventos dentro de um tempo que só dirá respeito ao meu baú de lembranças e de esquecimento.
Injetando uma das músicas que eu mais gosto do Julio Iglesias: Me Olvidé de Vivir. Ela traduz o meu momento.
Ah, e quem quiser me achar no Orkut, uso o nick de Musa Louca como primeiro e segundo nomes, e o endereço de e-mail é o allmysins@terra.com.br.

[ Parabéns Direcionado ]
Eu sei que estou lhe dando parabéns desde ontem, mas não tem como esquecer de você! Muito obrigada pelos cartões e pelas maçãzinhas. Você é uma ratinha amiga, linda e gente boa. Que encanta a todos com o seu jeito meigo e brincalhão. A sorte do mundo é ter pessoas como você nele e querendo dominá-lo! Risos. Que o Cel te faça companhia e coma bolinho por mim !! :o)
Quanto Lucy tinha sete anos de idade, ela vivia dizendo ao seu pai que as estrelas eram lindos pontinhos alcançáveis de giz brilhante. Que quando ela tivesse a idade dele, ficaria na ponta dos pés, tocaria nelas e traria quantas quisesse para sua caixa de música. Que seria uma astronauta quando crescesse, viajaria por todo espaço e construiria uma casa de solo estelar. “Com pedrinhas de brilhantes só ver pra o meu amor passar”. Uma astronauta porque, afinal de contas, o mundo é muito grande, o universo é muito grande, existem zilhões de estrelas, planetas, satélites, em algum outro lugar deve ter vida, seria muito egoísmo de nossa parte achar que somos os únicos no meio disso tudo, e vai que o seu príncipe encantado seja o herdeiro de outra galáxia, seria muito azar, muito azar mesmo se ela nunca encontrasse com ele porque a boba não sabe como viajar pelo espaço, então Lucy queria ser astronauta, desenhava espaçonaves em seu caderno, sonhava que estava flutuando na gravidade zero, colecionava reportagens sobre a NASA.
Mas logo cresceu e virou uma adolescente que não acreditava mais em príncipes encantados, em pontinhos de giz, nem em casa de solo estelar, seu único objetivo era entrar no livro dos recordes como a menina que mais beijou meninos em uma única noite, e esqueceu que um dia desejou ser uma astronauta, e quanto mais o tempo passava, mais deixava de lado aquele antigo sonho, fez vestibular para análise de sistemas, começou a ter alguns namorados firmes, terminou uma e cursou outra faculdade, quebrou alguns corações, arranjou e chutou empregos, teve seu coração quebrado algumas vezes, montou sua empresa, remodelou seu quarto, remexeu os móveis, pintou as paredes com nuvens e as cobriu com fotos de seus amigos, criou uma sacada com vista para o céu, e foi neste mesmo céu que Lucy, às vésperas de completar vinte e cinco anos de idade, sentiu-se mais uma vez sozinha na vida. Da mesma forma quando esteve abraçada com o Brigadeiro no heliporto e viu um panorama diferente da sua cidade à noite. Ou como naquelas tardes quando imaginava em que num maldito lugar do universo estava seu príncipe encantado e por que ele demorava tanto a aparecer, essas perguntas martelavam na cabeça de Lucy enquanto bebia um copo de vinho debruçada na varanda. Resolveu sair de casa. Caminhou até o prédio onde morava o seu tio. Subiu até o apartamento no vigésimo andar. O seu tio amado havia sido cremado naquele dia. Estava tudo vazio e sem sentido lá, assim como dentro dela. Estava novamente no alto. Dentro de um avião foi o mais alto que ela conseguiu chegar perto das estrelas, dos planetas, dos satélites, deste universo gigantesco onde seu príncipe encantado estava escondido, e Lucy, mesmo sabendo que esta história de príncipe encantado era a maior bobagem do mundo, não teve como evitar uma pontada em seu peito ao imaginar mais vinte anos perdendo pessoas queridas, beijos sem alma, namoros sem anos bissextos, sexo sem espermatozóides invadindo óvulos, e então Lucy estendeu sua mão ao céu e, como se alguém lá em cima a ouvisse, disse outra vez eu quero ser uma astronauta e, ignorando as leis da gravidade, jogou-se em direção ao espaço para beijar seu príncipe encantado sob a luz das estrelas.
Lucy In The Sky With Diamonds – The Beatles em repeat.
– Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – lamentou-se o jovem Estudante. – Mas, em todo o meu jardim, não há nenhuma rosa vermelha.
De seu ninho, no alto de um azinheiro, o Rouxinol o ouviu e, admirado, olhou por entre as folhas.
– Nenhuma rosa vermelha em todo o meu jardim – lamentou-se. E seus lindos olhos se encheram de lágrimas. – Ah, como é frágil a felicidade! Li tudo que os sábios escreveram. Sei de todos os segredos da filosofia. Mesmo assim, por falta de uma rosa vermelha, sou um desgraçado nesta vida.
– Enfim, um verdadeiro amante – disse o Rouxinol. – Noite após noite cantei canções em seu louvor, sem nunca tê-lo conhecido. Noite após noite contei sua história às estrelas e agora o vejo. Tem os cabelos escuros como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que lhe falta, mas a paixão deixou-lhe o rosto pálido como o marfim e a tristeza selou seu semblante.
– O Príncipe dará um baile amanhã à noite – murmurou o jovem estudante – e minha amada estará entre os convidados. Se eu lhe levar uma rosa vermelha, dançaremos até o alvorecer. Se eu lhe levar uma rosa vermelha, tomá-la-ei em meus braços e ela deitará a cabeça em meu ombro e em minha mão pousará a sua. Mas, não há rosas vermelhas em meu jardim. Por isso, eu me sentarei sozinho em um canto e ela nem tomará conhecimento de mim. Ela passará por mim sem me notar e meu coração se partirá.
– Aí está, de fato, o verdadeiro amante – disse o Rouxinol. – As canções que canto, ele as vive em sofrimento. As histórias com que me alegro são as de sua dor. O Amor é mesmo maravilhoso. É mais precioso que os diamantes e mais estimado que a mais fina opala. Pérolas e romãs não podem comprá-lo, nem se pode encontrá-lo nos mercados. Os comerciantes não o vendem e a balança não é capaz de medir seu peso em ouro.
– Os músicos se sentarão em suas galerias – disse o jovem estudante –, farão soar as cordas de seus instrumentos e minha amada dançará ao som das harpas e violinos. E ela dançará tão suavemente que seus pés não tocarão o chão. Os cortesãos, em seus trajes festivos, formarão rodas em torno dela. Mas, comigo ela não dançará, porque eu não tenho uma rosa vermelha para lhe dar.
Atirou-se então na grama, enterrou o rosto nas mãos e caiu em pranto.
– Por que ele está chorando? – perguntou um pequeno Lagarto Verde, ao passar ao seu lado com a cauda levantada.
– É. Por quê? – disse uma Borboleta, que voejava em busca de um raio de sol.
– É. Por quê? – sussurrou uma margarida a outra, a voz suave e delicada.
– Ele está chorando por uma rosa vermelha – disse o Rouxinol.
– Por uma rosa vermelha? – exclamaram. – Que ridículo atroz!
E o pequeno Lagarto, que era um tanto quanto cínico, caiu na gargalhada. Mas o Rouxinol sabia o segredo da tristeza do Estudante e pousou em silêncio no galho de um carvalho, refletindo sobre o mistério do Amor. De repente, ele abriu as asas castanhas e alçou vôo. Passou pelo pequeno bosque como uma sombra, e como uma sombra cruzou o jardim. No centro do gramado, havia uma bela Roseira. E, quando ele a viu, voou em direção a ela e pousou em um de seus ramos.
– Dê-me uma rosa vermelha – pediu – e eu lhe cantarei a mais bela canção.
A Roseira, porém, sacudiu a cabeça.
– Minhas rosas são brancas – respondeu –, brancas como a espuma do mar e mais brancas que a neve que cobre a montanha. Mas vá ter com minha irmã que mora ao redor do velho relógio de sol. Talvez ela tenha o que você quer.
O Rouxinol então voou até a Roseira que morava ao redor do velho relógio de sol.
– Dê-me uma rosa vermelha – pediu – e eu lhe cantarei a mais bela canção.
A Roseira, porém, sacudiu a cabeça.
– Minhas rosas são amarelas – respondeu –, amarelas como os cabelos da sereia que reina em seu trono de âmbar e mais amarelas que o narciso que floresce nos campos antes que o ceifador venha com seu alfange. Mas vá ter com minha irmã que mora embaixo da janela do Estudante.
O Rouxinol então voou até a Roseira que morava embaixo da janela do Estudante.
– Dê-me uma rosa vermelha – pediu – e eu lhe cantarei a mais bela canção.
A Roseira, porém, sacudiu a cabeça.
– Minhas rosas são vermelhas – respondeu –, vermelhas como as patas das rolinhas e mais vermelhas que as grandes flores-de-coral que serpeiam nas profundezas do oceano. Mas o frio do inverno gelou minhas veias, a geada queimou meus botões e a tempestade quebrou meus ramos. Por isso, nenhuma rosa terei este ano.
– Tudo o que eu quero é uma rosa vermelha – desesperou-se o Rouxinol –, uma única rosa vermelha! Será que não há nenhum meio de conseguí-la?
– Há um meio – respondeu a Roseira –, mas é tão terrível que não ouso contar-lhe.
– Conte-me – disse o Rouxinol. – Não tenho medo.
– Se você quer uma rosa vermelha – prosseguiu a Roseira –, terá de cantar à luz do luar até nascer uma rosa, e tingí-la com o sangue de seu coração. Você terá de cantar para mim com o peito comprimido contra um espinho. Por toda a noite terá de cantar para mim com um espinho cravado no coração, até que o sangue que lhe dá vida corra em minhas veias e se torne meu.
– A Morte é um alto preço a se pagar por uma rosa vermelha – queixou-se o Rouxinol –, e a Vida é por todos estimada. Encanta-me pousar na verde relva e contemplar o Sol em sua carruagem de fogo e a Lua em seu rosário de pérolas. Doce é o perfume do jasmim; doces os lírios-do-vale e as magriças que desabrocham nas colinas. Ainda assim, o Amor é melhor que a Vida. E como pode o coração de um passarinho comparar-se ao de um homem?
Ele então abriu as asas castanhas e alçou vôo. Passou pelo jardim como uma sombra, e como uma sombra cruzou o pequeno bosque.
O jovem Estudante continuava estirado na grama, onde ele o deixara, e as lágrimas ainda não haviam abandonado seus lindos olhos.
– Alegre-se – disse o Rouxinol –, alegre-se; você terá sua rosa vermelha. Cantarei à luz do luar até nascer uma rosa e tingí-la-ei com meu próprio sangue. Tudo que lhe peço em troca é que seja um verdadeiro amante, pois o Amor é mais sábio que a Filosofia (e quão sábia é ela...) e mais forte que o Poder (e quão forte este é...). As asas do Amor são da cor do fogo e, como o fogo, colorido é o seu corpo. Doces como o mel são seus lábios e seu hálito é como o incenso.
O Estudante, deitado na grama, levantou os olhos e ouviu, mas não entendeu o que o Rouxinol lhe dizia, pois não era capaz de compreender senão as coisas que se escrevem nos livros. O Carvalho, porém, entendeu. E se entristeceu, porque muito estimava o pequeno Rouxinol que um dia havia feito um ninho em seus galhos.
– Cante-me uma última canção – suplicou –, sentirei muita solidão quando você partir.
O Rouxinol então cantou para o Carvalho, e sua voz era como água vertendo de um jarro de prata. Quando o Rouxinol terminou sua canção, o Estudante levantou-se e sacou de seu bolso um caderno e um lápis.
Ele tem método – pensou o estudante, enquanto atravessava o pequeno bosque a caminho de casa – isso não se lhe pode negar; mas terá sentimento? Temo que não. Na verdade, ele é como a maioria dos artistas: sobra-lhe estilo e lhe falta sinceridade. E não se sacrificaria por outros, pois pensa apenas na música. Todo mundo sabe que a arte é egoísta. Não obstante, deve-se admitir que há belas notas musicais em sua voz. É uma pena que nada signifiquem e que de nada sirvam.
Entrou então em seu quarto, deitou-se em sua cama de palha e começou a pensar na amada. Um pouco depois, adormeceu.
E quando a Lua brilhou no céu, o Rouxinol voou até a Roseira e lançou-se de encontro ao espinho. Por toda a noite ele cantou com o espinho em seu peito, e a fria Lua de cristal inclinou-se e escutou. Por toda a noite ele cantou, o espinho cravando cada vez mais fundo no peito, até que seu sangue se exauriu.
Ele primeiro cantou o amor que nasce no coração de dois jovens. E no mais alto ramo da Roseira, uma linda rosa desabrochou. Uma a uma, as pétalas despontavam, assim como uma a uma soavam as canções. De início, a rosa era alva como a bruma que cobre o rio – alva como a face da manhã e cor de prata como as asas da aurora. Reflexo de uma rosa em um espelho de prata ou em uma lagoa de cristal, assim era a flor que nasceu no mais alto ramo da Roseira.
Mas a Roseira rogou ao Rouxinol que apertasse ainda mais o peito contra o espinho.
– Aperte mais, pequeno Rouxinol – disse a Roseira –, ou o dia nascerá antes que a rosa esteja pronta.
O Rouxinol então pressionou ainda mais o peito contra o espinho. E cada vez mais alto soava sua música, pois cantava a paixão que nasce na alma de um homem e de uma donzela.
As pétalas coraram-se de um delicado tom de rosa, como o que cora a face do noivo quando ele beija os lábios da noiva. Mas, como o espinho ainda não atingira o coração do passarinho, o da rosa continuava branco, pois apenas o sangue do coração de um Rouxinol pode enrubescer o coração de uma rosa.
E a Roseira rogou ao Rouxinol que apertasse ainda mais o peito contra o espinho.
– Aperte mais, pequeno Rouxinol – disse a Roseira –, ou o dia nascerá antes que a rosa esteja pronta.
O Rouxinol então pressionou ainda mais o peito contra o espinho. E o espinho tocou seu coração, infligindo-lhe uma dor atroz. Cruciante, intolerável era a dor e cada vez mais frenética era a música, pois que ele cantava o Amor que a Morte torna perfeito, o Amor que no túmulo não morre.
E a linda rosa era agora escarlate, como a rosa que nasce no leste. Escarlate era a coroa de pétalas e rubro como um rubi era o seu coração.
Mas a voz do Rouxinol ficou mais fraca. Suas asinhas começaram a bater e uma fina névoa embaçou-lhe os olhos. Cada vez mais baixo ele cantava, e sentia algo a lhe apertar a garganta.
Então de seu peito irrompeu uma derradeira explosão de música. A Lua muito branca escutou-a e esqueceu-se da aurora, demorando-se no céu. A rosa vermelha escutou-a e, toda trêmula em êxtase, abriu suas pétalas no ar frio da manhã. Eco a conduziu até sua púrpura caverna nas colinas e acordou de seus sonhos os pastores adormecidos. Ela flutuou por entre os juncos do rio, que levaram sua mensagem ao mar.
– Veja! Veja! – exclamou a Roseira – A Rosa está pronta.
Mas, o Rouxinol nada respondeu, pois jazia morto no gramado com o espinho cravado no coração.
Ao meio-dia, o Estudante abriu a janela do quarto e espiou lá fora.
– Ora essa! Que sorte incrível! – exclamou – Uma rosa vermelha bem aqui! Nunca vi uma rosa como esta em toda minha vida. É tão deslumbrante que certamente deve ter um nome bem comprido em latim.
Então inclinou-se e arrancou a flor. Depois colocou seu chapéu e, com a rosa na mão, correu até a casa do Professor. Sentada à porta com seu cachorrinho deitado a seus pés, estava a filha do Professor, enovelando um carretel de seda azul.
– Você disse que dançaria comigo se eu lhe trouxesse um rosa vermelha – lembrou-lhe o Estudante. – Aqui está a rosa mais vermelha do mundo. Você vai usá-la junto ao peito esta noite e, quando estivermos dançando, ela lhe dirá quão grande é o meu amor por você.
A garota franziu as sobrancelhas.
– Não creio que ela combine com meu vestido – respondeu. – Além disso, o sobrinho do Tesoureiro da Cidade enviou-me jóias de verdade. E todo mundo sabe que jóias custam muito mais que flores.
– Palavra de honra que você é muito ingrata – disse o Estudante, nervoso.
E atirou na rua a rosa, que foi parar na sarjeta, onde acabou esmagada pela roda de uma carroça qualquer.
– Ingrato! – exclamou a garota. – Sabe de uma coisa? Você é muito grosseiro. Além do mais, não passa de um Estudante. E nem ao menos usa sapatos com fivela de prata, como os do sobrinho do Tesoureiro. Inacreditável!
Levantou-se então da cadeira e voltou para dentro de casa.
– Que tolice é o amor – refletiu o Estudante, enquanto retornava. – Não tem nem a metade da utilidade da Lógica. Além de não provar coisa alguma, está sempre iludindo as pessoas e fazendo-as acreditar em inverdades. Com efeito, não tem praticidade alguma. E, como hoje em dia praticidade é tudo, voltarei à Filosofia, vou estudar Metafísica.
De volta ao seu quarto, o Estudante retirou da prateleira um grande e empoeirado livro e começou a ler.
Oscar Wilde.
Eu arrumo as minhas histórias por capítulos. Dentro de um enorme diário pessoal. Tem dias em que nada de interessante acontece, então, eu nada escrevo nele. Nem uma pequena nota. Tem dias inesquecíveis em que consigo preencher vários versos das páginas. A imaginação desliza e a mágica se faz. E cada vez que releio um parágrafo, escrevo mais quatro. Eu não sou uma escritora. Nunca me preocupei com organização ou correção ortográfica das palavras. Muito menos com o tema sobre que eu iria desenvolver. Eu só queria ser entendida por quem me lesse. Eu gosto de fabricar frases que despertem sorrisos ou lágrimas. Ou qualquer emoção, não demonstrada pela face.
O problema é que depois de assistir o filme “Como Se Fosse A Primeira Vez”, eu notei que tenho... rasgado e queimado muitos capítulos da minha vida. Eu banco a Forgetful Lucy. E isso não é nada bom. Pois, às vezes, eu tenho vontade de relê-los e de sonhar como seriam se... se... eu os começasse novamente. De uma forma diferente. Se eu voltasse a reescrevê-los com você.
“The Hukilau was the place
Where I first saw your face
We liked each other right away
But you didn't remember me the very next day
Forgetful Lucy
Has got a nice caboosey
I used to trick you into pulling your car over so we could chat
But my favorite time was when you beat the shit out of Ula with a bat
Then we drove up to see Dr. Keats
And found out why Doug always has to change his sheets
Forgetful Lucy
Cracked her head like Gary Busey
But I still love her so
And I'll never let her go
Even if while I'm singing this song
She's wishing I had Jocko the walrus' schlong
Forgetful Lucy
Her lips are so damn juicy
How about another first kiss.”
Forgetful Lucy em repeat (formato wma).

[ Parabéns Direcionado 01 ]
Desculpe por não ter escrito nada sobre o seu aniversário na segunda. Mesmo depois de toda aquela sua encenação, e por continuar usando aquele mago-velhinho como sua ilustração no MSN.
Saiba Cacá que pode contar comigo sempre. Sempre que precisar desabafar, levar puxões de orelha, ler conselhos radicais (você sabe como eu sou) e receber colinho. Sou sua amiga de verdade, e estou contigo na alegria e na tristeza. Esperando ouvir o seu sotaque novamente. Risos. Beijos querido. E felicidades mais uma vez.

[ Parabéns Direcionado 02 ]
Parabéns atrasado, minha
cocota dos olhos azuis. Espero que você esteja bem feliz e realizado com as suas conquistas. Morro de saudades tuas e daquele meu negão de dobrinhas. Risos. Te adoro. Vê se volta a aparecer no MSN, assim eu posso matar um pouquinho a saudade. Beijos e chocolates! ;o)

[ Recado Direcionado 01 ]
Para você, meu chaveirinho, olha só o barulhinho que eu fiz: o
huummááááááá que você tanto gosta. Risos. Que mico! ;o)
A tardezinha passou manhosa. Essa mudança de temperatura faz cair uma luminosidade rosa-alaranjada sobre as casas, ultrapassa, inclusive, as frestas das janelas fechadas. E ainda aquece um pouco o ninho dos pássaros da vizinhança. Agora é a hora em que a luz vai depressa se esconder sob os cobertores da noite, que logo estará modificando as cores do mundo.
(Enquanto eu estava debruçada na varanda observando os meninos brincando de skate na ladeira, a luminosidade rosa-alaranjada desapareceu. Foi tudo muito rápido, rápido demais para apreciarmos, o que me faz pensar em milagres, fantasmas e epifanias.)
Existe um ponto da tarde, um determinado horário, em que tudo fica silencioso, quase solene. Não importa o clima, a estação, a temperatura; tudo parece morrer para despertar depois. O mundo cai em siesta. Eu acho muito bom quando posso parar e prestar atenção a este estado de sonambulismo, que torna as ruas mais suaves e meditativas. É confortável quando tudo se aquieta e torna-se possível ouvir as batidas do próprio coração, os gritos que vêm de dentro, os bailados nos salões interiores; é confortável e invariavelmente morno feito um útero. Engraçado, antes isso só acontecia comigo durante a madrugada.
É necessário estar atento para perceber o exato momento em que a coisa começa: é sempre por volta da uma e meia, às vezes duas horas. Desse horário em diante, por mais ou menos tempo, os movimentos se desaceleram e flutuam em águas densas. A primavera é perfeita para essa visão da siesta geral, porque o calor não é tão intenso e há uma doçura infantil na indolência do mundo. No verão, a sensação é forte e escandalosa; somos quase obrigados a notar-lhe os contornos, porque o sol da tarde queima e incomoda - procure uma sombra, pois nela é possível vivenciar a siesta do mundo com lucidez. Em dias de outono, há uma tendência à melancolia embutida na sensação da siesta, especialmente se um vento mais frio resolve soprar e sacudir os cabelos do observador; se o céu estiver azul e bem alto, tanto melhor. E no inverno, dias sem luz suficiente, a siesta se assemelha a um sonho em preto e branco; é ainda mais quieta, mais inclinada às profundezas.