:[ Sin To Win ]:
 

abril 29, 2004

[ Clip Direcionado ]

É exatamente assim que eu estou me sentindo.



[ Untitled, um lugar sem nome ]

Gostaria agora mesmo de arrumar minha mochila colorida e seguir. Para um lugar que não fosse esse. Nem aquele. Não tivesse sido fotografado e nem impresso nos folhetos de viagem. Seria tudo. E não saberia por onde começar. O que me separaria do guichê seria apenas uma passarela. Ele (o guichê), cada vez mais perto, e eu consideraria que talvez, talvez, ali estivessem todas as minhas respostas. Mas, e aí? Chegaria e perguntaria para a moça de cabelos esticados: Me dá uma passagem? Ela responderia com outra pergunta: Para onde, senhora? Um lugar que não seja, eu diria. Talvez, para minha surpresa, ela achasse tudo muito natural, tirasse a passagem, e me falasse quanto custa. Eu pagaria os determinados reais. E me lembraria daquele sorriso de canto de boca.
As placas me indicariam o portão de embarque. Como restariam alguns minutos, compraria um refrigerante na máquina. Pegaria minha mochila e subiria para o ônibus. Por sorte o número do meu ticket seria na janela. Sentaria quieta, colocaria os meus fones para ouvir algum rock triste. E esperaria a hora em que começaria a ver um monte de matinhos e placas. Essa paisagem permaneceria por muito tempo. Provavelmente, esse lugar aonde eu iria... Estaria bem distante de mim.



[ De Saco Cheio ]

O que me assusta nessa temporada é a minha capacidade de isolamento.
A humanidade me cansa.



abril 28, 2004

[ Eu disse a Ele ]

Quando eu disse a ele que o amor passou. A cidade levemente flutuou. Ondas amarelas na Contorno cheia. A cidade simplesmente me odeia.
Quando eu disse a ele que o amor morreu. A cidade sutilmente estremeceu. Bestas e janelas êxtase no breu. A cidade nos meus dentes. Tu e Eu.
Mesmo sabendo que a vida nos engana. Mesmo sabendo que a Opala não é plana. Mesmo sabendo que a dor cartesiana. Mesmo sabendo que só música baiana.
Eu disse a ele que. Eu disse a ele então. Eu disse a ele que. Eu disse a ele não. Disse a ele NÃO.

Alterei a letra para o meu ponto de vista sobre a situação. A música “Eu disse a Ela” foi escrita por Samuel Rosa e Chico Amaral, e é interpretada pelo Skank.



abril 27, 2004

[ Presente de Deus ]

Gostaria de ressaltar o valor das minhas amizades conquistadas e preservadas que conheci através de blogs. O carinho especial que eu tenho pelas minhas amigas e meus amigos que se comunicam comigo via telefone, MSN, e-mails, telepatia... Risos. São todos muito importantes, e o sentimento que guardo por cada um, aqui no peito, é bem real. Bem palpável.

Eu visito o blog da Pri há muito tempo. Antes mesmo de ela saber que tinha gerado com o marido essa coisa gostosa. E tcharam... Hoje ela me mandou três fotinhos dele. Do Gustavo. Ganhei um sobrinho. Uau.
Como sabem, sou filha única, não posso mesmo ter sobrinhos de sangue diretos e tal. Mas o que importa? Eu não ligo a mínima para essas coisas. Os sobrinhos de coração são ainda mais verdadeiros, valiosos e especiais.
Pri, toda a felicidade do mundo para você e seu bebê. Ele é uma criança linda. Fiquei aqui com vontade de agarrar o monitor e tentar morder essas bochechinhas. O presentinho dele deve estar a caminho, espero que goste. Beijos carinhosos para os dois.



[ Parabéns Direcionado 01 ]

Tati, minha amiga das cores, desculpe por não ter postado nada para você nesta segunda, mas é que eu não parei em casa direito. Por isso, parabéns atrasado. Mas com um desejo eterno de que você seja muito feliz, amada e colorida. Risos.

[ Parabéns Direcionado 02 ]

Vizinho, que os seus desejos de trabalho, felicidade e amor se realizem. Tudo de bom para você, perto ou longe de mim. Risos. Sucesso.



abril 25, 2004

[ Sigo à Pé ]

Agarro-me num ônibus
Com qualquer destino
Tomando meu rumo
Pra qualquer lugar

Sigo na incerteza
Por qualquer caminho
Sem saber aonde
Eu posso chegar

Sem temer a queda
Me jogo nas ruas
De braços abertos
Segura pela fé

Mergulho na vida
Vou até o fundo
Descobrir o mundo
Seguindo à pé.



[ Tocando em Frente ]

"Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei

Conhecer as manhãs e as manhas,
o sabor das massas e das maçãs,

é preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, e ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
de estrada eu sou

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, e ser feliz."

Almir Sater



abril 24, 2004

[ Centrefolds ]

Com os cabelos despenteados a mulher grita aos berros uma canção de amor em homenagem ao seu coração em pedaços. Do outro lado da janela, num prédio em frente, o vizinho sorri com uma piada mal contada pelo programa do gordo na tv. Um casal dança forró enquanto os outros comem acarajés no largo da igreja. Na Califórnia, o marido engana a esposa com uma colega de trabalho, enquanto a coitada espera perfumada por ele em casa, ele está com amante num motel. Um homem mal barbeado num terno preto anda numa rua chuvosa de Tóquio, procura por sua filha adolescente desaparecida. Uma garota, num smoking vermelho, dança num mal-cheiroso bar de strip-tease no centro de Roma. Um menino, relutante em sair de casa diante de sua cidade chafurdada em neve canadense, tenta confessar seu amor profundo por uma menina através de uma colagem de fotos de super-heróis. Uma enfermeira, com seu uniforme branco poído, sonha acordada em frente a sala de triagem, durante a guerra em Fallujah. Um vendedor de automóveis usados puxa um cigarro do terno de risca de giz e desenrola um santinho com uma oração evangélica. Uma estudante de física volta para casa em seu carro sem seguro e não vê a sinaleira amarelo-piscante. A sinaleira balança ao vento enquanto o som de carros iguala o grito das pessoas. O choro compulsivo do vendedor de carros usados é interrompido por um casal classe-média baixa interessado em carros com direção hidráulica. A explosão ao lado do centro médico desperta a enfermeira com estilhaços de vidro. O frio feito de graus negativos invade o quadro do menino enquanto super-heróis voam pela janela. O glitter abraça as lágrimas que o calor do bar seca e a garota do smoking vermelho sente-se tocada por notas de Euro. O homem sorve um café de multinacional feitos em grossos copos de papelão enquanto ouve vozes de garotas universitárias japonesas e flácidas ao seu redor. O marido volta para casa e encontra a esposa dormindo no sofá, a aliança dela encontra-se em cima da mesa de centro. A banda de forró e os acarajés acabam, não há nada mais no largo, só o lixo acumulado na calçada. O vizinho que estava na janela tomando sereno, viu quando a mulher do prédio da frente virou de vez um tubo de remédios na boca. Saiu correndo, invadiu o apartamento, encontrou-a estirada no chão e ligou para 190. Mas era tarde demais, ela não engoliu remédios, mas sim, mais de 300 gramas de ricina com água.

Centrefolds – Placebo em repeat.

[ Recado Direcionado 01 ]

A cesariana do meu sobrinho Gustavo foi marcada para ontem às 18h. A mamãe Pri do blog Blogg Blogg me mandou um e-mail para me avisar o horário e sobre o site da maternidade, são colocadas as fotos dos recém-nascidos no espaço de nascimentos. Eles, lá no Rio, e eu, aqui em Salvador, nervosa-ansiosa-agoniada por notícias da mamãe e na expectativa de poder ver o Gu.

[ Recado Direcionado 02 ]

"Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! É de colher... - não tem nenhum valor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sangrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausere-se a mulher amada e postar-se fora com uma espada - para viver um grande amor."
(MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor: crônicas e poemas, SP: Companhia das Letras, 1991.)



abril 21, 2004

[ Aos Pedaços ]

"Na encruzilhada vi-me reunido, restituído ao corpo que previra despedido na bifurcada ausência da estrada sem regresso..." - Helder Macedo.


By Picasso.

O gato de Alice parou de sorrir. De trás para frente, saí do espelho. Fragmentos do que me tornei espalharam-se pelo chão encerado.
Tive consciência do que ocorria, mesmo me observando dividida em centenas de partes que tentavam se encontrar.
Virei eu mesmo um quebra-cabeça. A cabeça quebrada, quebrando, matutando: como me reconstituir?
Uma das pecinhas pulava, velozmente, talvez a que abrigasse as matérias daquele órgão musculoso que coordena a distribuição do sangue pelo corpo. Aquele que anatomicamente é tão feio que foi criado um símbolo gráfico inconfundível para melhor representá-lo, seja aqui ou na China, é sempre coração.
A pecinha pulava, mas eu não sabia o motivo, talvez como um peixe quando se dá por conta que está fora da água.
Também poderia ser a que armazenava o cérebro, você sabe, as pecinhas são quase todas iguais, não têm cor nem cheiro, são como mini-lascas de vidro. Se fosse a do cérebro, talvez sentisse falta da desarmonia do todo, da falta de nexo. É o desespero de ver desconectado o que deu tanto trabalho para reunir. Anos de leituras e vivências e experiências reduzidos a um esparramar de lascas de um mal imitado espelho.
Ah, mas talvez também fosse a da boca, e dos órgãos múltiplos que se reúnem para que a fala ocorra. Pulava por força do hábito, cada pulo era a tentativa de mostrar-se presente, dizer um "ei, eu estou aqui" mesmo que silencioso.
E foi desesperador quando a pecinha começou a pular mais devagar. E mais, e mais, até dar saltinhos esporádicos, medrosos, sem esforço. E veio a falência de alguma coisa em que se acreditava viva.
Tudo agora está parado. Imóvel. Nada mais pula, nem pulsa. As lascas podem cortar o pé de quem por aqui passar, a doce vingança dos partidos contra os inteiros.
E os inteiros chegam, observam com medo aquela trilha perigosa, a dizerem querem o meu sangue? Dão pulos longos, alguns escorregam na hora de voltar ao chão. Um deslize e pronto: eles também caem, eles também quebram, e as partes dos outros começam a se misturar com as minhas.
Já são tantos que se partiram que eu nem sei mais onde estou por inteira. Desculpa, não estou por inteira, estou em pedaços, já disse, mas não sei onde estão os pedaços que me fariam outra vez inteira.
Mas é assim mesmo, diz aquele outro ali despedaçado. Quando a gente sair daqui, cada um vai levar um pouco do outro.
Metáfora e filosofia barata, quis berrar, mas sem voz me calei, já que nem sorrir podia.Mas acreditar sim. Acreditei e pensei na hora exata em que as partes iriam se reunir, muitas minhas e algumas dos outros, agrupando-se outra vez.
Outra vez inteira, mesmo que pra sempre remendada.

Flaming Lips - All We Have is Now.



abril 20, 2004

[ A Construção é que me Faz Despertar ]

Já se foram os dias em que acordava com alguma música decente no rádio-relógio, com a mãe chamando ou o trim do telefone. Agora é o barulho das britadeiras que me faz levantar da cama.
Mesmo o meu quarto sendo o último, e portanto, o mais afastado da obra. Agora, nem me importo. Quero apenas que a porra deste prédio fique pronto de uma vez. Que acabe logo com essa vista para a outra avenida. E não é porque assim vou poder dormir melhor. É porque, às vezes, fico ali na janela e vejo os casais visitando o local, como se estivessem fiscalizando a compra. É interessante observar como as pessoas exercitam as suas fantasias em meio a uma estrutura de concreto cinza e vazia..
Então, penso que queria ser uma delas.
Queria ter coragem de poder planejar uma vida a dois, de tomar vergonha na cara e fazer uma poupança para comprar uma casa própria. Um lar, quem sabe. Um lar para mim, para Charada, para alguém que eu venha a amar. Porque eu não sei se um dia já admiti isso... Mas não há despertador melhor do que acordar com a perna do ser amado se enroscando na sua perna pela manhã.



abril 18, 2004

[ Menina de Vento ]

Era uma menina de vento. Fazia o tempo correr junto com a velocidade da luz ligada na ponta do amplificador das suas caixas sonoras. Destacava-se pelas sensações despertadas através dos seus sopros em tardes de sol. Havia magia em criar seres vivos com o girar de folhas mortas no ar.
Era uma menina de vento. Queria trazer, do sul para o norte, um pouco de baixo e vice-versa. Não queria criar koans, mas modos mais palpáveis de abstrair o sangue de si mesma. O corte e tudo o que dele escorria e o prazer e o desmaiar das nuvens sem desenho sem formato de dizer.
Era uma menina que nada tinha a não ser dizer: o impossível dizer sem forma, como o vento norte ou sul diz o frio ou calor. Mas jamais disse ou fez coisa alguma senão desejar.
"A sombra dos bambus estão varrendo o pó da calçada sem levantar poeira".



abril 14, 2004

[ Da série: Be My Baby ]


Para bom espremedor, meia laranja basta.



abril 13, 2004

[ Folhas para Memória ]

O vento voa, a noite se atordoa, a folha cai. Haverá mesmo algum pensamento sobre esta noite? Sobre esse vento? Sobre essa folha que se vai?

Você, folha leve, levada pelo vento na noite breve, saudade já tardia. Partes, mas em sonho, me deixas, assim, tua imagem. Um acalanto tão puro, tão doce em peito seria...

Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra para semear uma árvore. Nossa árvore. De uma espécie que brotará dentro dos nossos corações e trará belos frutos. Belas folhas. Folhas caídas que valham a pena conservar, ainda que não seja senão para memória.



[ Free ]

Luciana Oliveira acaba de assinar a sua carta de alforria.

Tenho que deixar isso registrado. Eu sou livre. Eu sou free. Freelancer agora.



abril 12, 2004

[ Ponte Aérea ]

Não compro passagem. Pego carona durante à tarde. Somos apenas sorrisos. Temos um longo e animado papo pela frente. Não me canso da sua companhia na cabine da aeronave. Passeio por imensidões divertidas de paisagens. Coloridas. Aflitas. Questões a serem ainda resolvidas. E tratadas com o maior carinho e cuidado. Paciência e compreensão durante horas de viagem são de extrema importância.

Quando a noite já vai alta, e eu posso admirar o negro céu, começo a notar as sutis diferenças do que há lá fora. E aqui dentro. Algo parece se acender dentro dos seus olhos, comandante. Eu o sinto planar pelos meus sentidos e viajar com mãos por entre as montanhas e rios. Do meu corpo. E eu faço o mesmo contigo. Ouço de longe o seu suspirar e seus gemidos. Mas me concentro em não perder nenhuma sensação que esse caminho sem volta começa a me causar.

E vôo sobre um mar. Um mar de sensações. Você me dá as asas, e eu o levo junto comigo pelo mesmo caminho. Perdemos a noção do tempo. Uma viagem a se perder no tempo. Sem princípio, nem fim. Beijos são entregues ao vento, e amor em mares de cheiros de sabonetes. De cor azul intenso. Gestos que riscam o ar, e olhares que não trazem mais solidão. E a razão para isso tudo? É que resolvi arriscar a fazer uma ponte aérea entre a sua vida e a minha emoção.



[ Da série: Diálogos Não Vivenciados ]

- Não posso conversar muito tempo com você hoje. Amanhã tenho que acordar cedo.

Droga. Eu não queria passar a madrugada inteira no telefone. Eu só queria ouvir um "Tô com saudades", "Adoro você", ou algo carinhoso.
Pronto. Terminei ficando com raiva e não lhe disse: "Passa a Páscoa comigo? Divido o meu ovo Alpino e beijos melados".

Hunf. Maldita pressa. Maldito telefone. Maldito orgulho. Malditas viagens. Malditos analistas. Malditos 0'a e 1's. Maldita Páscoa.
Vou ali me empanturrar de chocolate. Sozinha. Mesmo com alergia! :p

Nota: Esse post era para ter sido digitado no sábado. ;o)



abril 11, 2004

[ If (Atração) = (Leis de Murphy) then ]

Depois desta madrugada, Ele me fez pensar sobre atração de uma maneira diferente.

Atração pelo chão, entre um homem e uma mulher, e por aquilo que você deve pensar bastante antes de cometer certos atos. Isto, apenas recordando algumas leis de Murphy, como:

- O pão sempre cai com o lado da manteiga para baixo.
- O gato sempre cai de pé.
- A quina da cama sempre acerta sua perna.
- A ferramenta quando cai no chão sempre rola para o canto mais inacessível do aposento. A caminho do canto, a ferramenta acerta primeiro o seu dedão.
- A quina da cômoda desequilibrada cai em cima do seu pé.
- Você sempre encontra aquilo que não está procurando.
- Tudo é possível. Apenas não muito provável.
- Confiança é aquele sentimento que você tem antes de compreender a situação.
- Você sabe que é um dia ruim quando: O sol nasce no oeste; você pula da cama e erra o chão; o passarinho cantando lá fora é um urubu; seu bichinho de cerâmica te morde.
- Inteligência tem limite. Burrice não.
- Se você está se sentindo bem, não se preocupe. Isso passa.



abril 09, 2004

[ Para Você Nesta Páscoa ]

Não mando Ovos de Ouro
Porque não tenho a galinha
Mas se Deus não criou,
Foi porque não lhe convinha.

Mas mando-lhe meu Carinho
Que assim como Ouro é eterno,
E perdura o Ano Todo
da Primavera ao Inverno.

Feliz Páscoa!




[ Da série: Souvenir ]

Ao remexer meu baú de magia, encontrei isto aqui:

Soneto

Sou a que existe pelo mundo afora
vestida de mil formas e mil cores,
e, em toda parte estou, a qualquer hora,
a dar-lhe tanto graça como odores.

Nos dias atuais, bem como outrora,
sempre a inspirar os mais belos amores,
a humanidade toda que me adora,
me fez musa de poetas e pintores.

A frequentar palácio e catedral,
vou, também, à choupana e à cruz da estrada,
à festa mais alegre e ao funeral.

Sou algo assim como a expressão do amor
- a criação de Deus mais inspirada -
eu sou enfeite e vida - sou a flor.

Desconheço o autor.



abril 06, 2004

[ Pelos Cômodos da Casa ]

Os brincos caem no chão. Eu desarrumo a cômoda, a cama, a escrivaninha, o quarto. Eu abuso do ar condicionado atrás da minha cabeça que gira e me atrapalha com esse barulho chato. Como um liquidificador ligado. Eu não consigo encontrar mais respostas para tantas perguntas formuladas e reformuladas na estante de livros. Procuro por letras, palavras e frases que expliquem o meu mau agouro e essa minha falta de vontade. Quando será que eu participarei de uma história-sem-fim? Quando será sem-fim o meu relacionamento com o ser amado? Estou cansada de olhar para os rostos através de fotos digitais. Então vou para cozinha beber água e desce pelo ralo do banheiro a minha paciência.
Minha alegria sobe aos céus pela área de serviço. Ao ver o Sr. Mendoim se jogar ao meu abraço acolhedor de mãe-pássaro. Talvez o ideal seja voarmos por toda a cidade com asas de helicóptero e penas de gavião. Minhas asas não estão feridas. O meu cabelo com cachos está assanhado. As minhas víceras abertas. A minha dor vai me levar para longe. Assim, quem sabe, eu consigo cicatrizar.

[ Comentário Direcionado ]

Depois de ler o post do Zen:

Gostaria de voltar a ser uma menina. Aquela com os olhos vermelhos e rasos d'água durante uma viagem de carro para o sul. O motivo do choro foi uma picada de marimbondo que estava na sua sandália no banco de trás do carro. Ela gritou pelo pai que tratou logo de parar no encostamento e veio acudí-la. Ele veio correndo, lhe deu um beijo na testa e aplicou pomada no pé ferido. Enquanto a mãe fazia carinho nos cabelos dela. No local machucado ficou uma bolha enormeeeeeeeeeee...
Mas não tão grande e nem comparável à saudade que eu sinto dele agora. :o(



abril 05, 2004

[ Alma Pecadora ]

Alma pecadora e errante vaga pelas eternas madrugadas, lado a lado com os cordões das calçadas úmidas de sereno, que na verdade são as lágrimas das estrelas.
Sempre incompreendida, luto permanente, olhar transbordante que emoldura a face transfigurada pela desilusão em noites de olhos arregalados a saltitar na escuridão. Sem falar no corpo que arde febril e imobilizado pelos soluços presos na garganta.
Tento fugir, mas ela me persegue, me encontra, me cerca e me toma em seus braços. A tristeza carece de minha alma e a domina, sufoca, suga meu ar, minha vontade de continuar. Despe-me diante da covardia, despreza-me, e me apunhá-la pelas costas.
Tira-me do caminho da esperança e faz do meu desejo um labirinto. A lua chega e fiscaliza sorrateira e reflete falsas ilusões, um brilho perdido, um sorriso sem alma de uma boca de sal e me ensurdece com palavras um dia sussurradas ao ouvido e hoje soltas pelo vento.
Deixo escapar um suspiro longo e profundo que parece partir meu peito e um olhar complacente. Mais uma vez acredito que é possível e abro um pálido sorriso dos sempre descontentes de uma alma doente, condenada e apaixonada.
Como é pesada a cruz... Meus ombros doloridos e arqueados não suportam tanta dor e de repente me vejo de joelhos, soluçante e trêmula como uma folha seca vagando entre o bueiro e a beira da estrada.
Em segredo confesso querer arrancar de mim esta alma de poeta. Não suporto tal condenação, mas ser bandida, vagar pelas sombras, perder-se completamente por quase nada e estar incondicionalmente presa a algum coração sempre me pareceu fascinante e essencial como ar.
Nunca entendi os limites, os portões fechados, as chaves, os chinelos sem par, a falta da sua mão na minha, meu olhar que não encontra pouso e a agonia. Nunca entendi testas sempre enrugadas em profundas marcas de expressão transformadas em desolação, assim como não entendo a cadeira sempre vaga ao meu lado, o brinde solitário, os meus jasmins que não brotam flores.
Não há mais perfumes, o paladar se foi com o último beijo, o coração quase pára em meio a tanto silêncio e os dedos não se entrelaçam mais.
Alma pecadora, poesia que prende e me liberta, o fastio, nó na garganta, cheiro de chuva no meio da tarde quente, enquanto aguardo ansiosa pela chegada do inverno.
Ouço mais uma vez a mesma música, mas não consigo ouvir a tua voz, ouço a chuva e sinto o vento me abraçar.
Tento virar a página, há um capítulo novo esperando para ser escrito, quem sabe com rimas um pouco mais alegres...

How I Long - Gorky's Zygotic Mynci.



abril 04, 2004

[ Em Busca da Cozinha Perfeita ]

A Turma Azul passou o dia em busca da cozinha perfeita. Precisamos encontrar urgente uma cozinha maravilhosa para fazer a captação de imagens para o nosso vídeo.





abril 02, 2004

[ SoundTrack Direcionado ]

Recado da banda Gorky's Zycotic Mynci para mim:

"I wanna honeymoon with you
Coz I'm feeling so blue
And if I honeymoon with you
I'll get rid of these blues"



abril 01, 2004

[ O Mundo Lá Fora ]

Tenho pensado em toda essa coisa de redenção, de rise and fall, de eterno retorno. O grande problema, a maior das questões, é descobrirmos exatamente onde estamos, em que ponto do traçado circular, para depois, com a maior simplicidade, adivinharmos o que vem a seguir.

Creio eu que estejamos no auge insuportável de uma esfera. A milímetros de cair. Prognóstico nada bom, especialmente porque nos julgamos tão maravilhosos. O mais irritante é que não vemos além dos nossos narizes: há um mundo lá fora, cheio de criações belas que funcionam além e apesar de nós pessoinhas. Fico espantada quando paro para prestar atenção no mecanismo das coisas e percebo, arrasada, que deveria ter virado bióloga em vez de analista.

Não existe nada mais incrível do que saber que depois da noite, com toda certeza, virá o dia. E que, com o alvorecer, virão os pássaros. Os animais noturnos adormecerão, os diurnos começarão a viver novamente e o Tempo se escoará sem piedade para o fundo dos nossos relógios. Sempre o mesmo; o mundo não muda, somos nós que mudamos o mundo, e para pior.





:[ Gaveta ]:
:[ Fotos ]:
:[ Blogosfera ]:
[ E-mail Me ]
[ Passeando pelo Jardim  ]
[ UIN: 4242467  ]
[ Rádio Pecado by Roger ]
[ Diga 'X'! ]
:[ Solteira ]:
:[ PREVISÃO DO TEMPO ]:
 
:[ PECADOS CONFESSOS ]:
:[ PECADOS RECENTES ]:
:[ PECADOS POR CATEGORIA ]:
:[ ON-LINE ]: Musa Louca/Female/21-25. Lives in Brazil/Bahia/Salvador, speaks Portuguese and English. Spends 80% of daytime online. Uses a Faster (1M+) connection. And likes Escrever/Ler/Passear/Pintar.  
© Copyright 2004 - Loucuras Corporation S.A.
:[ Sin To Win ]: