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março 31, 2004
[ Infinitas Vezes: Te Quero ]
Deitei e sonhei com alguém que sentirei ao meu lado no futuro, que se tornará mais doce e importante com o passar do tempo. Senti uma vontade absurda de provar teus lábios em um canto que eu poderia fazer uma analogia a muros do interior, sim aqueles pequenininhos onde eram dados uns beijinhos. Senti uma enorme vontade de experimentar os teus lábios, sentir o cheiro da tua nuca e o furor de teus suspiros aos toques meus em tua cintura e aos beijos em teu pescoço, pois para mim teu corpo seria o pouso final de meus desejos, ou até mesmo o começo de todas vontades insanas que sinto hoje por ti.
Eu talvez me sentiria mais agradável assim, ao lado teu, sentindo teu corpo quente e que fosse naquele instante dado à vontade de corromper a minha moral sob teu sexo, de me deixar prestes as loucuras que às vezes somente se tem coragem uma vez na vida.
Ah, se não fosse assim, eu fico a escrever estes pensamentos ou fico a sentir somente meu coração palpitar de emoção, isto pela chance deste desejo sonhado se transformar, daria tudo para que o futuro sempre fosse presente e não um dia vira-se passado.
É sim, à vontade de experimentar o gosto puro de teu sexo , e quem sabe de poder acariciar teu peito e tuas costas, descer e subir pelas tuas coxas e por fim, me dar por quase vencida somente para ter o prazer de lhe ver deitado em meu peito, mesmo que por um tempo, com o olhar sonhador preso no meu e uma esperança de futuro brilhando neles. Que este futuro não vire passado, que seja um círculo vicioso de amor. Sinto uma vontade incrível de estar enroscada em seus braços. E pelas conseqüências dadas de todos esses sentimentos envolvidos, cada vez mais dá vontade de dizer que te quero, te quero, te quero, infinitas vezes.
“Eu só quero saber em qual rua a minha vida vai encostar com a sua”. – Ana Carolina
março 30, 2004
[ De Grão em Grão ]
É importante manter ativa a sua lista de contatos. Principalmente, quando se tem uma série de projetos em mente. A partir do mês de abril, eu começo a trabalhar para a TV da faculdade. Ainda estou me sentindo meio perdida, mas quero muito aprender a fazer roteiros, captação de imagens e editar vídeozinhos coloridinhos. Sem contar que também participarei do núcleo de animação, o que, no momento, é muito interessante e instigante. O nome do programa é AnimaClip. Seu objetivo é desenvolver clipes em animação para bandas baianas e vai ao ar na TV Salvador.
E para quem não sabe, em paralelo estou tocando o projeto da minha própria empresa com mais três sócios. Ontem numa conversa com o professor das logomarcas (o fissurado no layout Sin To Win e meu futuro chefe), ele prometeu um material com todas as dimensões e cuidados a respeito de várias mídias impressas como outdoor, panfleto, cartões... destinado a políticos. A empresa está se propondo a criar identidades visuais para candidatos desta e das próximas eleições. Ou para quem precisar, envolvido em qualquer outra área. Por que não atacar nesse nicho? Ano eleitoral e pagar contas podem se tornar sinônimos.
Mas, vale ressaltar que o enfoque da empresa é soluções para web. Já estamos em funcionamento e a todo vapor.
 [ Recado Direcionado I ]
Parabéns ao senhor Sputter, o stripper e vocalista da banda baiana The Honkers. Eu lhe desejo mais turnês, livros, músicas, mulheres, sucesso e muita felicidade.
 [ Recado Direcionado II ]
Só fiquei sabendo do seu aniversário agora, assim que acessei o seu blog. Não tenho como deixar passar isso em branco. Você é o meu xodó das madrugadas, o que adora o meu "huummmááá", o garoto mais assediado da web. O que eu espero receber na cidade da alegria de braços abertos e com um sorriso enorme na face. Prometo um abraço de urso e vários beijos espalhados por toda face. Te adoro demais. Muitas felicidades, amor e saúde. Principalmente saúde, para poder aguentar todas as mulheres da sua vida. Risos. Parabéns, Betinho.
março 29, 2004
[ Entenda Se Quiser ]
Eu cansei de brigar com o mundo por causa de ciúmes, por causa da minha possessividade em relação a tudo. Cansei de soltar beijos para o ar e ninguém pegá-los. Prefiro que você mesmo defina o seu destino e o que você quer dentro do seu coração. Não vou mais lhe dizer nada sobre essa sua fome de lobo e sobre esse seu instinto de se atirar para todas as sombras femininas ao alcance da sua visão.
 [ Recado Direcionado ]
Dormi pensando em você. Acordei com a sensação como se estivesse numa casa no meio do mato.
março 28, 2004
[ O Primeiro Ovo da Páscoa de 2004 ]
"Quero oferecer o ovo Surreal para a Musa Louca, do blog Sin To Win . Ela escreve super bem, consciente sobre o que diz, cativa pela sua sensibilidade única e marcante." - Rodrigo, do blog Pernambaiano.
Gostaria de lhe agradecer pelos graciosos e deliciosos presentes: o ovo e as palavras. Mesmo nos conhecendo há tão pouco tempo, cultivastes um grande pedaço no terreno fértil da amizade. Obrigada pelo carinho, Rodrigo... E, ahhh... eu adoro chocolate. ;o)
março 26, 2004
[ Dizem ]
Dizem que essa música é suave. Dizem que meu sono é complexo. Dizem que o meu cabelo fica bem qando está curto e claro. Outros preferem ele comprido. Outros quando ele está molhado e entre os dedos amados. Quando me olham, dizem que sou grande. Quando me conhecem, dizem coisas agradáveis e nem sempre verdadeiras. Até que acaba. Dizem que essa música é linda. E me pedem um sorriso. Quando me beijam, passam a mão nos meus seios. Quando a noite está acabando, pedem para eu ficar. E no outro dia me ligam. Dizem que querem me ver. Digo que escrevo, perguntam o que escrevo, respondo que leia os textos no blog-pecado. Então me respondem que meus textos sempre empolgam ou assustam, ou ambas as coisas, ou nada. Algumas chegam até a mim por eles, outras nem ligam se escrevo ou não, outras tentam vasculhar minha vida através dos meus textos e - é claro – há as que me geram palavras. As que não me geram palavras costumam dizer “fique só comigo”. As que realmente interessam ou me aceitam como sou ou se afastam – ou eu me transformo. Não sei o que acontece, mas pensei agora, não costumam se afastar não – eu é que estou sempre fugindo, e de repente mergulho. Por um olhar, um gesto, um detalhe – eu mergulho por uma pequena intensidade, a intensidade é compacta, grandes gestos não costumam dizer muito. Prefiro ser abraçada o tempo todo a ouvir mil eu te amos. Odeio frases – engraçado, não?
“Eu te amo, te adorei, você é linda, vamos sair, o que você acha?” Em geral as perguntas me desagradam. Diga – “estou passando aí agora”. E darei uma desculpa, caso não goste de você, ou terei um grande prazer – e até vou sentir, através das suas medidas, pele nova para carne macia. Mastigarei nossas diferenças todas e uma a uma, me envolvendo, suas manias e modo de ser. Seja meu texto, querido. Eu te escolho. Eu me entrego. Estou sentindo. Muito cedo para ser. Mais. Sim. Por enquanto é quase. Tudo seu. Nesse aqui pelo menos. Menos expectativas e mais café. Não espere muito. Sou quase sua.
Vivo a me infiltrar em poros alheios. Você lê em hebraico. Eu leio no ônibus. Dizem que dá dor de cabeça, ler no ônibus. Dizem que estou em outro mundo – e você? Está nesse... Dizem que eu preciso aprender a controlar os impulsos. A não sair me entregando como se baila ao vento. Mas, às vezes, eu não faço isso. Só quero estar em casa, com você em mim. O contraste. Dizem que eu beijo demais. Escrevo demais. Sou dramática demais. E se você me gera palavras... eu abraço essa música. E fico acordada a noite inteira se for preciso... apenas esperando você me ligar.
[ Relax and Pinga ]
Estou precisando tomar uma para relaxar. Tenho uma garrafa de vinho na geladeira... Vou ligar o som, me estirar no sofá e beber vinho gelado hoje à noite inteira. Ficar bebinha e fazer amor com a almofada.
Risos. Pelas palavas eu já tô no embalo da cachaça.
 [ Recado Direcionado ]
Ligações.
Confissões.
Discussões.
Emoções.
Tudo liquidificado.
Tudo finalizado.
Tudo liquidado.
Na minha cabeça.
março 25, 2004
[ Por Trás do Filme A Paixão de Cristo ]
O mundo está mais careta, mais carola, mais conservador, mais puritano. Depois do movimento libertário que pregava o amor livre, a sexualidade vivida sem amarras e um comportamento mais solto e sem o peso dos compromissos e do controle, vivemos um revés disto tudo. Existem vários motivos. Com certeza, um deles é a exaustão. Hoje pode se ver, ouvir e fazer o que quiser, a qualquer hora, em qualquer lugar. Lembro-me das primeiras revistas mostrando seios e do escândalo que causavam. Agora basta acessar alguns sites e ver mulheres com corpos a mostra e homens musculosos se exibindo de todos os ângulos.
A coisa ficou tão fácil que ficou banal. Não significa mais nenhuma transgressão, nenhuma revolta libertária, nenhum diferencial. Atualmente o diferente é o contrário. É ser fiel, monogâmico, casto. Quem quiser transgredir no comportamento tem que ser careta. Fazer sexo só depois que casar, com a mesma pessoa e pro resto da vida. Ou então se abster de qualquer relação de troca de fluidos. Este movimento pode ser sentido em todos os cantos: nos discursos do presidente Bush, nas propostas apresentadas pelos políticos evangélicos – a religião que mais cresce no Brasil, no comportamento dos muçulmanos e até nos programas populares de TV.
No bojo desta onda de caretice surge o novo filme do Mel Gibson, “A Paixão de Cristo”. Na realidade não teria motivo nenhum pra tanta polêmica e atenção. Uma história já por demais conhecida, com final que todos sabem e que já foi contada e recontada centenas de vezes de diversas formas. Estrategicamente o filme é lançado durante a quaresma - período de reflexão para os cristãos. E na onda dos protestos judeus ganha mais notoriedade e, por conseqüência, mais espectadores e mais movimento no caixa.
O diretor buscou recursos para que a história não fosse só uma repetição: falas em aramaico e latim, algumas interpretações particulares do narrado pelos evangelistas e o grau exagerado, e quase insuportável, de violência a que Jesus é submetido. A dor é mostrada com tanta ênfase, ângulos, efeitos durante todo o filme que eu fiquei imaginando se essa produção é algum tipo de sadismo. Na medida que os espectadores olham o sofrimento do filho de Deus se sentem culpados e partícipes na sua dor e, por conseqüência, chamados a um comportamento de reparação (relembrando as aulas de história da arte). O espírito primeiro da quaresma é este: conversão e retorno para Deus. Isto pode ser interpretado de várias formas, mas no discurso careta significa principalmente mudança no comportamento, recato, discrição, sacrifícios, controle. Devo confessar que chorei muito, como não havia chorado em filme algum.
Num discurso parcial e radical na interpretação, é como se quem tivesse um comportamento não convencional ficasse fora do amor de Deus e quem fosse ortodoxo neste específico, já ganhasse a salvação direta. Não por acaso a representação do diabo é feita por uma figura andrógina (pele límpida, sem pelos, olhos claros, longas unhas) como se o diferente encarnasse o mal.
Acho mais preocupante que em nome de um conjunto de crenças, que estão sujeitas a interpretações e localizações dentro da história e da cultura, se queria impor um modelo de comportamento a toda uma sociedade. A blasfêmia, só para ficar num exemplo, é apontada dezenas de vezes nos textos sagrados como um pecado maior. Pode haver pior blasfêmia do que usar de forma distorcida a história do filho de Deus para marketing pessoal e acúmulo de capital, se aproveitando de um período sagrado para os seguidores de Jesus como “isca” para lotar as salas de cinema e criando falsas polêmicas para chamar a atenção?
A história já mostra que depois de um período de liberalidade o revés conservador vem forte. A Alemanha pré-Hitler é um exemplo clássico. De uma vida cultural fervilhante e aberta às diversidades desaguou num período de repressão e de arianismo retrógrado. A liberal Califórnia após o advento da aids sofreu ondas de repressão e conservadorismo culminando com a escolha de um astro de cinema para governador, com discurso moralizante. Até o Rio de Janeiro, terra da pouca roupa e da malevolência, elege evangélicos radicais para serem seus governantes.
Falar do filme de Mel Gibson de forma isolada é não querer ver a obviedade do momento atual: o mundo esta ficando mais careta. A estabilidade está acima da aventura, a moral burguesa adiante de movimentos libertários. Não existe mais lugar para a revolução. Os revolucionários se tornaram burocratas ou pastores. E pensar que há dois mil anos um homem andava pela Galiléia pregando valores novos de tolerância, solidariedade e amor ao próximo. Nos dias de hoje seria considerado um deslocado e censurado para menores de 18 anos.
março 24, 2004
[ A Partir de Agora ]
Sem sombra de dúvida, eu prefiro a luz natural que se desprende de cada intervalo. Pensar é um porre, eu preciso de café forte sem mel. Preciso limpar suas orelhas. Você não escuta o silêncio, o silêncio canta pensamentos que se misturam aos grãos e ao pó e aos favos, café forte sem mel. Eu só preciso esquecer tudo que não existe, e viver. Sem querer o que não existe. Pensar é um porre. Esquecer que não existe, e viver, acreditando que sim, talvez, daqui a poucos. Daqui a poucos dias, sem sombras, incertezas, dias, sombras, quase certezas, pensar é um porre mesmo, me livre de pensar. E me livre de enxergar. E de ouvir também. Também me livre de ler a luz natural que se desprende de cada pergunta.
– Você quer um chá?
– Chá de quê?
– Chá de esquecimento.
– Tem chá de palavras iluminadas?
– Não, só tem chá de escuridão instantânea. Quer?
– Não sei. Tem suco? Suco de algas e cinzas?
– Não. Só de laranja da terra, serve?
– Não. Desse tamanho, não me serve. Falta muito para me preencher.
– O que você quer afinal?
– Descobrir como seguir adiante sobre o que eu quero seria um começo. Quando eu tivesse um fio para o início, eu começaria a me descobrir, a me desenrolar dessas perguntas tolas que se enrolam sobre a minha nudez escondida. Pensar é um porre, você não acha?
– Eu não acho é o caminho dos meus pensamentos. Para onde eles vão? Para onde tem ido, terminam lá? Todos eles acabam ali?
– Eu entendo o que você está dizendo, mas me falta a compreensão das suas palavras. Percebe o que quero dizer?
– Sim, eu percebo, mas me falta o alcance do que não foi dito. Chegou lá?
– Estou te buscando, estou me perdendo, estou me procurando, estou entendendo, estou chapada, estou confusa, estou me afastando, estou te ouvindo. Não te entendo, você quer que eu te entenda?
– Não. Não mesmo, para quê? Para que essa pergunta?
– Qual pergunta?
– Qual foi a pergunta que nós não fizemos?
– Não faça agora, eu vou fazer.
– Não faça agora, eu já respondi. Responde uma coisa...
– O quê?
– Esquece...
– O quê?
– Tudo. Esquece. Esquece tudo a partir de agora, e responde aquela velha pergunta nunca feita por nós antes.
– Eu já respondi.
– Quando?
– Muitas vezes. Quando você não me escutava.
Sem sombra de dúvida, eu prefiro a luz natural que se desprende de cada movimento. A claridade de uma frase. A sombra de um fechar de olhos. O abraço de um trocar-palavras. Eu prefiro o contato natural e úmido entre tudo que existe e não existe em uma lágrima no travesseiro. E o dia amanhecendo com a minha pele amanhecendo.
março 22, 2004
[ Quando o Sol Enlouquece ]
Enquanto o corpo só pede cama, a mente não pára. Exige um esforço tremendo para que eu não perca o entusiasmo e toque adiante os vários projetos dentro dela. O final de semana foi extremamente importante. Ganhei forças e amor de uma pessoa especial e tão, ou mais, louca do que eu.
Um sol que se desloca do céu de uma cidade no interior do Piauí, e nasce à noite na capital da alegria. Se mistura entre as estrelas do céu da minha boca, e transborda todo o seu calor para o meu corpo.
Poderia ficar sentada ouvindo o barulho do mar durante horas ao lado dele. Inconformada, pois o tempo passa depressa demais quando há felicidade. Mesmo a distância pairando entre nós como um fantasma, o que nos separa é apenas físico. Eu espero. Eu creio. Eu estou com saudades. Eu também te adoro.
Enquanto você não volta a nascer perto de mim, o calor e o brilho pernacem comigo do lado esquerdo do peito.
março 19, 2004
[ Chute no Balde ]
Já estou num certo momento da minha vida que eu não preciso provar mais nada a ninguém. Então quer saber? Vai ver se eu tô lá na esquina distribuindo panfletinhos. :p
março 18, 2004
[ A Dura Arte de Recomeçar ]
Quando a vida te dá uma rasteira, o mais importante é manter a auto-estima e a cabeça erguida. Continuar a luta e voltar a brigar pelo seu lugar ao sol.
Ai ai... preciso dar um jeito em minha vida no próximo mês.
Você tem um emprego pra mim? :o)
Aceito tudo, desde os mais altos cargos até aqueles para servir cafézinhos... Risos.
março 17, 2004
[ Isolada entre Minhas Palavras ]
Os meus dedos visitam o teclado com sofreguidão ao mesmo tempo em que algum cantor menor de uma ilha cheia de jovens europeus que morrem de tédio enquanto o frio barrado pela calefação não cala as frases geladas que só abandonamos depois de usá-las todas nos dias e lugares errados, canta melodias esteticamente desafinadas. Eu procuro as palavras com dificuldade, pois não acredito na possibilidade das palavras procurarem por mim. Só pessoas, infelizmente. Aquelas que querem tirar algum proveito dos meus parcos conhecimentos sobre a vida virtual. Será que existe vida em outro lugar senão aqui? Caso eu tivesse a paciência que ninguém me mostrou, eu teria ido assistir a todas as aulas nesta semana e teria escutado mais desaforos e bobagens como na segunda. Se eu tivesse olhos para beber com moderação a barba rala do garoto que fala com simpatia e olha com uma convicção meio cômica enquanto a cidade derrete em fachadas vermelhas e auto-absorção, se tivesse a descompostura de rir de mim mesma, poderia hoje retornar para casa e finalmente me despedir da família para embarcar de uma vez por todas na minha própria vida. Ficar bem quietinha entre minhas próprias palavras. Tenho estado farta de tudo à volta. Quando chego a esse estágio, o isolamento é tão benigno quanto perigoso.
Consegui finalmente preencher todos os campos requeridos para fazer parte de uma lista de discussão que provavelmente abandone em poucas semanas. No campo destinado para a personalização da assinatura, lembrei de uma frase que vi em uma caminhada pelo mercado no domingo, junto a uma mesa que divulgava uma terapia milenar que combinava a sabedoria milenar oriental com métodos de neurolingüística: "Está na hora de fazer as pazes com os mistérios da vida", mas não a digitei. Minhas mãos então criaram um suporte para que meu rosto descansasse entre os dedos e os olhos se fechassem com mais lentidão. A exatos dois computadores de distância dali, um colega de trabalho assobia algum forró enquanto o sol disputa espaço em cortinas projetadas por designers.
The Dove – Words.
março 16, 2004
[ A Noite do Silêncio ]
Enquanto a chuva e a fumaça se desvanecem... Elas vão deixando apenas a certeza de que está tudo acabado entre nós. Consigo perceber o tímido luar adentrando pelas frestas da janela, lembrando-me tudo o que deixamos para trás. Só o que restou em meu peito foi adeus.
Vou caminhando para casa e pensando “Como nós podemos deixar acontecer um final desses?”. Um final em que cada um segue o seu caminho. O seu destino. A sua escolha. A sua vida. Cada um bem distante do outro. Nós deveríamos ter finalizado o nosso último momento com um beijo demorado. Só que é tarde demais. Não há mais nada a ser feito. Você já não pertence mais ao meu futuro e eu não acredito mais em nenhuma palavra que sai da sua boca.
É tarde demais... É como querer assaltar o amor com uma arma.
Nessa noite do silêncio, nós apagamos nossa luz de velas. Nossos sonhos e desejos inesperados. Nossos domingos no quarto. Nossos beijos de telenovela. Todos os passeios e planos inspirados na nossa vida de casal. Noite do silêncio. Noite em que o nosso amor morreu.
Não há mais palavras a serem ditas. Estou cansada demais para lutar... você nunca passou de uma doce ilusão.
Eu só queria que me abraçasse forte, segurasse a minha cabeça em seu peito e não me deixasse partir, me fizesse acreditar que nada do que eu vivi com você foi uma mentira.
Era tudo incrivelmente simples quando você estava para ser o rei dos meus sentimentos e eu a tua rainha. Onde foi parar todas as promessas que fizemos? Todas as nossas qualidades e todos os nossos defeitos? Eu ainda sou a mesma menina sentada na janela dentro do Maria Fumaça, percebendo que o trem corta o céu em plena tempestade.
Agora, deixe-me partir... Está é a parte mais difícil da luta travada dentro de mim. Não carrego mais as mágoas. Fui apenas mais uma vítima dos sonhos e da noite. Só que é tarde demais, não há como salvar esse amor que está morto. Não há mais palavras a serem ditas. Estou cansada demais para lutar.
Então me abrace bem forte e não me deixe partir...
Depois que a chuva e a fumaça se desvaneceram... Quando tudo está acabado entre eu e você. Quando o sol apareceu, nada havia sido deixado... apenas adeus.
março 15, 2004
[ Quero Falar Constantes Eu te Amo ]
"Era um homem e detestava se ver de ceroulas. Ela era Maria, e cada mancha na sua ceroula, cada botão e cada fio, cada odor e cada toque, faziam os bicos dos seios dela doerem com um júbilo que vinha do meio da terra. Estavam casados há quinze anos e ele tinha uma língua e falava bem e frequentemente disso e daquilo, mas raramente havia chegado a dizer eu te amo. Ela era sua mulher e falava raramente, mas o cansava com seus constantes eu te amo".
Espere a primavera, Bandini - John Fante.
março 11, 2004
[ Da série: Devaneios de Palavras ]
a cerca. o passado. os fantasmas. as criaturas. do mesmo lado. na frente. a volta. você vai voltar? voltar atrás.
cortar. não os pulsos. os caminhos. a ponte. o rio. a enchente. de palavras. de lágrimas. a chuva. os banhos. os sonhos. os bons. os ruins. os sumiços. os agitos. no peito. no corpo. na mente. o trabalho. o projeto. a diversão. sem você.
a manhã. a noite. não importa. o telefone. os sorrisos. você é. a magia. a paixonite. infantil? o carinho. o colo. os desejos. os beijos estalados. no nariz. no queixo. na alma.
[ Cada um com suas Paixonites Infantis ]
O Sr. Mendoim é muito engraçado. Procura várias maneiras para me deixar de lado e segurar firme e forte o seu maior objeto de desejo. Temos poucos minutos para ficarmos juntos. Mas ele insiste em me ignorar quando a presença de vários grãos preenchem a sua retina preta. Acredito que um dia, assim como aconteceu com as suas outras preferências, ele acabe enjoando desse estimulante e voltando pra mim.
Vivo ignorando o seu olhar blasé. Cada qual com a sua paixonite infantil. Ele com a dele, eu com a minha. Assim seguimos felizes e descansados.
Depois de receber alguns beijos especiais de “boa noite”, a insônia desapareceu por completo. Tenho dormido com anjos nordestinos. Eles embalam o meu sono ao som da zabumba e do baião.
A minha nova paixão está tão ligada a manhã quanto a noite. São os momentos que eu a sinto mais próxima de mim. Essa distância imposta por nós dois incomoda um pouco, mas ainda não é letal. Por enquanto é melhor ficarmos criando novas manhãs e noites. Cada uma de uma cor diferente. Cada uma temperada com uma pitada de saudade.
março 10, 2004
[ Ficção ]
Eu queria ser igual ao vento.
Mais rápida do que um avião
Mais feroz do que qualquer leão
Mais gelada que você
Mais serena que a morte
Mais constante na nossa vida.
 [ Recado Direcionado ]
Obrigada pelos dois presentes nesta manhã.
Como é bom ser acordada por alguém que a gente gosta. Às vezes, eu tenho impressão. Às vezes, eu sonho. Às vezes, eu espero que você torne isso real sempre...
março 09, 2004
[ Reservas Quebradas ]
Havia palavras por trás do silêncio, havia olhares acompanhando as palavras, havia mãos que não eram suas e tiravam minha roupa enquanto você chorava. Havia discussões, reconciliações, declarações, torturas, havia madrugadas em claro, textos que eu escrevia e não deixava você ler, beijos que me deliciavam e eu não deixava você perceber, havia o meu passado que me alertava contra o que eu senti por você no instante em que te olhei pela primeira vez. E hoje, você é o meu passado.
Não, não é como uma valsa. Nem tango. Nem jazz, nem blues. Nem música eletrônica. Nem rock triste. É como a tempestade que cai lá fora. É como todas as noites em claro, todas as discussões sem limites, todas as suas vontades impostas sutilmente. É como todos os longos beijos, todas as canções em comum, todos os sabores do seu sorriso e todos aqueles risos que apenas eu tinha o poder de arrancar de você. É como aquela sua obsessão de repetir sempre as mesmas palavras e pessoas do passado; quando estava triste, repetia o lenga-lenga de que era bom fazer flashbacks. E quando estava feliz, esquecia do mundo e curtia os momentos; quando estava nervoso, parecia murchar; quando gozava soltava um rápido suspiro e se fechava como uma ostra presa nas rochas. Esse suspiro sempre me surpreendia, eu pensava sempre: "ainda não suspirou por quê, se já está...". Quando finalmente você o libertava eu era quem sentia prazer.
Você foi o primeiro a quem eu me entreguei de corpo e alma. E espero que não seja o último. Que Deus me ajude se algum dia eu sentir isso de novo, porque minhas reservas foram quebradas por você. Descobri que não tenho mais medo (e isso me assusta).
março 08, 2004
[ A Alma da Mulher ]
Não há nada mais paradoxal do que ser Mulher. Quando eu era adolescente, eu jamais pensei em generalizar ou me encaixar em algum perfil. Mas é tão simples se enquadrar em todas as qualidades e defeitos de ser Mulher.
De pensar na maior parte do tempo com o coração. Esquecer de vez a razão e agir motivada pela emoção do momento e terminar vencendo graças ao amor.
De viver milhões de novas expectativas num só dia e transmitir cada uma delas num único olhar. Às vezes, num gesto ou num mero sussurro. Às vezes, o melhor é calar-se, e deixar que a situação ocorra de acordo com o imprevisível depois de um sorriso.
De cobrar de si a perfeição e viver arrumando mil desculpas para os erros daqueles a quem ama. Dar um tratamento especial no cantinho virtual ou não até ficar “redondo” e com “seu jeito”.
De hospedar no ventre outras almas; dá a luz e depois ficar completamente cega diante da beleza dos filhos que gerou. Mesmo ainda sendo uma semente tem que se conversar e colocar músicas suaves. Interligar ainda mais o contato para que o bebê sinta-se protegido e acarinhado. [Quando eu tiver minha filha, colocarei a música com o seu nome para ela escutar todas as noites até o seu nascimento. Ela ouvirá também música clássica e alguns gêneros do rock, e acompanhará a mãe pelas noites no RV quando crescer].
De dar as asas e ensinar a voar, mas não quer ver partir seus pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem mais. Acostumar a deixar solto tudo o que se ama. É complicado e só se aprende com o tempo. Mas aprende-se, isso é fato.
De se enfeitar toda e perfumar o leito, ainda que seu amado não perceba tais detalhes. Não importa. Nada como um dia após o outro.
De transformar, como uma feiticeira, em luz e poesia as dores que sente na alma só para ninguém notar. E de alguma forma arrancar de dentro forças para ainda oferecer o seu ombro para quem nele precise chorar.
Feliz do homem que por um dia souber entender a alma da mulher. Ou por um dia tê-la.
Parabéns para todas nós, misteriosas e doces mulheres!
[ Canceriana Nata ]

Eu achei essa calcinha m. mais m. fofinha e divertidíssima. E é uma delícia na pele.
março 05, 2004
[ While Your Guitar Gently Weeps ]
Ele mora na cidade sorriso. Entende-se muito bem com computadores e com instrumentos musicais. Toca tudo que cair em suas mãos. Talvez de forma virtual tenha sido isso que tenha ocorrido comigo. Caí em suas mãos e ele vive me tocando profundamente. É meu amigo querido. De grande estima mesmo. O amor transborda quando eu escrevo várias linhas em e-mails, assim como neste post agora. Ele também escreve. Muito. Muito bem. Bebo as suas palavras como um vinho suave (é o meu preferido), e vou apreciando toda a emoção contida em cada uma delas. Nesses últimos tempos ele tem estado muito triste devido a problemas familiares. Entre outras coisas. É um guerreiro. Forte e decidido. Merece tudo de bom, e por isso, tenho certeza que essa fase passará rapidamente. Mas, quando penso nos seus parentes, eu me lembro que a sua avó veio do sul, compatriota do meu pai. Às vezes, eu o escuto dizer que quer voar para a cidade natal da sua família. Onde as suas raízes são fortes e o seu sobrenome permanece em ruas e museus.
Gostaria de lhe desejar, meu querido menino, muitas felicidades e amor. Sou apaixonada pelo seu olhar penetrante, riso contagiante e o seu jeito durão. Fico contente por conhecer o seu lado doce e romântico, querido Ewan McGregor do meu coração.
 [ Recado Direcionado ]
”Pedi a noite para me presentear um sonho, só que o dia roubou a idéia da noite e me presenteou você”.
Obrigada. Fiquei lisonjeada.
março 04, 2004
[ Saudade de Mim ]
No meu canto adormecido nasce a saudade de mim. Um canto cheio de sorrisos e brigadeiro, vontades e magia. Enquanto esse pedaço adormece, o resto permanece num eterno estado de alerta inconsciente. Vivo com a consciência alterada. Já não é só a meu pensamento que a distância maltrata, e a minha estrada, meu pisar sentido. Sinto falta dos meus dias de sonhos e daqueles de pedra. Faço somente a prece do dia como se queria; esperança. Cansei de esperar por uma luz no fim das horas. De olhar para o relógio e me preocupar se ainda alcanço os ponteiros. Subo devagar a escada dos problemas. A resolução aparece enquanto passo leve por eles. Mesmo acabada. Perdida nos meus devaneios, eu nasço e renasço quando medito e afasto de mim o que se espera... E o que eu espero? Você. Quero ouvir tua voz em meu grito. E tua face à do meu coração. Intacta em mim sem tempo. Não traço a incerteza, o medo, o limite do meu ser invisível no mistério do ar, na formação e transformação de toda beleza inacabada do meu sentimento.
março 02, 2004
[ Não fala mais comigo ]
O mar não fala mais comigo, o guarda-roupas nunca falou comigo, meu pai não tem falado comigo, meu papagaio está dormindo, as margaridas não cheiram mais como antes e as paredes não dizem nada e me olham. O lugar passa. Eu passo pelo corredor, entro no banheiro, a torneira faz seu monólogo, mas não é uma conversa. A vela não está dialogando com o som, nem o som se dirige a mim e espera minha opinião, vai indo de uma música à outra sem se importar se estou gostando. Ou não. Não espera que eu peça uma música, simplesmente toca. Eu não espero mais que esperem minha voz, eu falo e me escondo, e me escondo e falo mais baixo.
Lá embaixo havia um diálogo. Minhas pernas tentam conversar, mas suas mãos ficam longe de escutar - precisaria se aproximar, e me ouvir, ouvi-las, é o que você quer? É o que eu quero? Eu quero dialogar. Não precisa ser assim, claro. Não há outro jeito, eu tento conversar com meu umbigo, não há saída. Minhas
saídas seriam ler e ler e ler, assistir um filme, mergulhar em outra realidade que não fosse a minha, dessa minha estou cansada. Mesmo. Cansada mesmo dessa minha não-realidade presente. Minha realidade é querer outras realidades, talvez presentes - em quem? Onde? Onde está minha mãe? Ali deitada, em outro quarto. Onde fica meu pai? Ali no telefone, em outro estado. Eu estou alterada, estado alterado de carência extrema. Saco.
Sem pai nem mãe nem imaginação, imaginação poderia me salvar - salvar de quem? Dessa maldita insônia. Estou morrendo por falta. De sono. Essa falta de troca, de imaginação, troca de imaginações. Escambo de realidades. Venda de colo, quanto meus ouvidos devem pagar por um colo? Troca de olhares, vejo você de outra forma, veja a si mesmo dessa forma - mexendo no meu cabelo enquanto fala, vamos fazer o quê? Esperar por uma frase, esperar por quê? Trocar a minha alma por um beijo. Não, não me ligue, eu não espero mais que um colo, não queira mais que poucas palavras, eu quero ficar quieta, eu quero falar muito, não espere a mínima coerência, tenho pensado tanto que cheguei à incoerência de não saber como dizer. Tento treinar com as paredes - ainda sei beijar? Acho que não, acho que nunca soube realmente. Você gostava de como eu beijava? Ok, muitas vezes eu não queria beijar, tinha uns ataques cinéfilos de beijos antigos, lábios colados numa posição que fazia rir. Ou, por aquele filme que eu gostava tanto, "na boca não" - mas o seu beijo, eu amava. Você simplesmente tinha que conviver com meus ataques, e eu com os seus. Era tão complicado assim, ou nos entendíamos em nossos desentendimentos? Entender não é importante. Eu te amava. Você entende porque alguns casais se amam e outros não? Entende porque eu não amei todos que eu conheci? E acha que conheci todos com quem fiquei? Acha que você me conheceu pouco ou bastante, o bastante para me odiar, um pouco para se sentir apaixonado no início ou lá pelo meio? Acha que estou complicando o simples, e apenas isso, complicando o que é simples?
Não nos falamos mais, é simples, isso é simples e difícil. Difícil para mim. Acho que não repetiríamos erros (brutais, imaturos) mas se repetíssemos, acho que eu... não, não acho que repetiríamos, nada se repetiria. Somos outros agora, sendo os mesmos, então acho que... a minha natureza, a sua natureza, fora daquele contexto, fora daqueles nossos problemas, dentro de outros problemas, sendo a realidade outra, essa, agora, atual, como seria? Conversaríamos sem receios, como antes? Seria espontâneo (isso é perigoso, dependendo de - de tantas coisas, de quem seja, e com quem, e quem está ao redor, e etc, tantas coisas, onde eu estava? - ah isso pode ser perigoso, ser espontâneo...) - mas seria espontâneo ou haveria um - muro? Defesas entre nós? Palavras entre nós? Quero colo - seu, não das margaridas. Procuro o colo delas. Agora. Eu converso com elas, reclamo que o mar não fala mais comigo, o mar verde-água translúcido com algas macias e perfumadas no fundo. O mar que morava em mim quando eu mexia no seu cabelo. O mar que se agitava em mim quando eu deitava com você. O mar que escrevia quando você me abraçava. O mar que era música enquanto a gente acordava. Eu, aos poucos, vou andando. Até o guarda-roupas, que nunca falou comigo, buscar alguma coisa que não se encontra lá.
* Essas noites de insônia estão me matando.
março 01, 2004
[ En-fim. ]
O cérebro não parou de funcionar nem um só momento durante essas quatro madrugadas. Não consegue relaxar, coitado. Está entusiasmado com os progressos dos seus novos projetos. Deslumbrado, porque no dia seguinte poderá mostrar ao mundo parte de mais uma das suas ousadias. O cérebro ainda desconfia que tenha algumas qualidades e que possa, às vezes, se desconectar do resto do corpo...
Ele permanece calado, trabalhando, ganhando tempo enquanto tenta assimilar-destruir qualquer dúvida e lembrança a respeito de certo relacionamento mal-resolvido. Finalizado, graças a sua força de vontade de sempre se expor. De querer receber a mesma atenção e lógica para resolver uma situação, e seguir adiante... Mesmo tendo a certeza de que pode causar a infelicidade e o sofrimento de certo órgão do lado esquerdo do peito...
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