"Fugindo por uma estrada
como outra qualquer
Quase sempre é alta madrugada
Por isso leve sempre
O seu pé de coelho
Ferradura com sete furos
Trevo de 4 folhas
e uma arruda atrás da orelha
Que o destino traga você então...
Pra perto de mim."
Eu posso sentir o vento me libertando-congelando-meu-corpo enquanto sigo de madrugada para o aeroporto com as janelas do carro abertas. Fico sentadinha numa mesinha da praça esperando você desembarcar. Os segundos são minutos. Os minutos são horas. Até que a moça-com-a-voz-metálica anuncia a chegada do seu vôo. Corro para o portão. E lá está você com aquele sorriso do tamanho do mundo e os braços abertos que abrigam o universo do nosso amor.
Ansioso por não ter dormido a noite inteira, por causa da expectativa da viagem. "Será que não estou esquecendo nada? Meu Deus, preciso dormir! Não quero perder a hora!! Como será que vai ser? Poxa, não vejo a hora de estar logo com ela! Preciso dormir, preciso dormir!!". Não durmo.
Ajeito as coisas perto da porta, chamo um taxi, e vou logo de uma vez para o aeroporto. Me aconchego em uma poltrona perto do monitor que insiste em dizer que eu chegara cedo demais.
Uma mistura de ansiedade e exaustão. Sono. "Ai, meu Deus, não posso dormir agora. Vou tomar café."
Embarco, finalmente. Vejo minha cidade pela janela. Como num efeito meio "morph", ela vai ficando cada vez mais parecida com aquele mapinha que vem na minha lista telefônica, que conheço de cor. "Minha casa está bem ali".
Logo, as nuvens tomam todo o cenário. "Poxa, você me deixa literalmente nas nuvens". Abro um sorriso enorme. Fecho os olhos, começo a sonhar com a chegada. O sorriso vai ficando cada vez maior.
Chego. Corro para o portão. E lá está você, linda como sempre. Perco a respiração. O coração acelera. O sorriso, do tamanho do mundo. Os braços abertos que abrigam o universo do nosso amor, agora querem apenas você, e tudo o que consigo despertar em você.
Posted by: JethroDawnfine em outubro 11, 2005 11:00 AMOs Três Mal-Amados
João Cabral de Melo Neto
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Nossa, até os comentários tão poéticos por aqui hein. ehehehe. Como é bom amar e esperar o ser amado. O doce prazer da espera (isso parece até propaganda de maternidade). Bjao MOça.
Posted by: Léo em outubro 11, 2005 12:03 PMADOREI!!!
Posted by: DO em outubro 11, 2005 07:18 PMsaudades de tu =)
bjus
Bonito voltarei
Posted by: calene em outubro 12, 2005 01:33 PME o destino te trouxe....
teu abraço forte...
teu sorriso belo...
O que mais posso querer....
senão você...
E eu...
Se o-tiveres,
a vida será consequência
da tua presença...
será mais bela...
será mais viva...
Sim, dai sim...se eu...o-tiveres...
viverei...
Não sei porque..mas adoro aqui..rs..
Bjo!!!