setembro 09, 2005

[ Banho ]

Ela escreve versos no vidro do box do banheiro. A água quente-fervendo queima em jatos as suas costas, mas a dor da espera é maior. Ele disse que chegaria para assistir dois filmes, para ficar enrolado no edredom com o ar condicionado ao máximo, e que deixaria ela desenhar eternamente nas suas costas com as unhas até adormecerem. E mesmo assim a pele dela estará limpa. Porque mesmo a rinite obstruindo as narinas, quando se está perto demais da alma o perfume é mais forte. E ela quer que ele a sinta crua. A porta abre devagar. Como pôde entrar tão violentamente em minha vida e ser assim tão discreto? Ela o abraça bem devagar. E vai moldando o suor do corpo e da camisa dele com as gotas de água que escorrem pelo corpo dela. A mochila entrega o seu atraso: trabalho. As roupas caem sobre o azulejo. No box, as unhas vermelhas ainda versam. Meias brancas, rabiscos poéticos. Acompanhada, ela abre ainda mais o chuveiro. Quero jatos mais fortes. Ela diz jatos. Mais fortes.


Por Musa Louca em 09.09.2005 - 11:54 AM
Comentários

[ Espera ]

A dor da espera é terrível.
Tritura o peito por dentro, bloqueia a respiração. Início de taquicardia.

A imaginação voa longe.
Passos apressados, imaginando as brincadeiras debaixo do edredom, ar condicionado no máximo.

A sensação é ótima.
Desenhos, lentamente esboçados em minhas costas, pelas pontas de seus dedos, suaves, eternos.

O aroma é contagiante.
O cheiro da pele crua, o contato com a alma, de tão perto e espremido que estamos; um no outro.

A imaginação voa longe.
À caminho de casa, pensando no contato de pele, suor moldando as roupas espremidas entre os corpos quentes. Escorrendo, mostrando o caminho.

A dor da espera é terrível.
As horas passam, a distância não se encurta, o coração acelera.

Tenho sua voz. Tenho o seu rosto. Suas risadas adoráveis, contagiantes. Como é que você consegue ser tão carinhosa, apenas usando a voz?

Anseio pelo resto. Espero. Respiro
Peito triturado. Dolorido.

Imaginação a mil: Apenas um reflexo do corpo humano para tentar "anestesiar" tanta dor, e trazer de volta o sorriso no rosto...

... enquanto espero.

Posted by: JethroDawnfine em setembro 9, 2005 12:54 PM

Gostei do clima,LU...
Beijão!!

Posted by: DO em setembro 9, 2005 03:52 PM

que mágico. eu ando usando muito essa palavra, ela é mágica mesmo. =)

Posted by: Abner Targino Francini em setembro 10, 2005 01:37 PM

Oi Lu, boa semana p vc;
Bjos
( pois é, o grau de liberdade do cara é mesmo mínimo!)

Posted by: Beto em setembro 11, 2005 06:45 PM

Que jeito mais ardente e poetico de montar um cenário e uma cena. Os sentimentos nos torna melhor na arte de escrever, sei disso.
Beijos e felicidades no amor, assim como na vida, inclusive a artistica.

Posted by: wesley darlen em setembro 12, 2005 01:27 PM

Isso, queima o cara mesmo!...rs...

;P

Posted by: Zen em setembro 12, 2005 03:04 PM
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