maio 25, 2005

[ Vulcão e Pétalas ]

Aquela era a primeira vez que se encontravam para ficar sozinhos. Já não podiam mais agüentar o desejo que sentiam um pelo outro. A cada toque de suas carnes, a eletricidade entre seus corpos crescia assustadoramente. Não podiam mais se conter. Foram para a casa dela. Era um lugar aconchegante e sensual. As cores do quarto exalavam calor e um toque de libido contida. Ele olhava para a boca carnuda da mulher e sentia-a fundir-se na cor avermelhada das paredes. E em cada toque dos lábios dela, era como se a casa inteira quisesse sugá-lo, incorporando-o à umidade de suas tonalidades vibrantes.
Sentiu os dedos da mulher descobrindo seu corpo. Teve um arrepio e apertou-a contra si. Seu sexo havia se intumescido bruscamente, inescrupulosamente. Usou as mãos e sentiu que o sexo dela também havia despertado. Um riacho fervente de caos e volúpia espalhava-se entre as pernas da mulher. Espalhou-se pelo quarto o cheiro acre daquela que seria a explosão do êxtase. Ele havia fechado os olhos para tocar-lhe o seio, enquanto a língua dela roçava a borda de sua orelha causando-lhe um delicioso desconforto.
Rasgou-lhe a blusa totalmente em transe. Ela gemeu um creme de prazer. Seus mamilos cresceram e tornaram-se minerais. Viu as mãos dela tornando-se garras. Da mesma maneira como havia lhe rasgado a blusa, viu sua camisa também arrancada, mas com ainda mais ira. E com as mesmas garras de rapina abriu-lhe fendas nas costas. Havia sido marcado pela insanidade daquela mulher de quem nunca imaginou que por trás da franja comprida e do olhar misterioso poderia ser capaz de tais coisas.
Ela o jogou na cama, despojando-o de tudo o que estava logo abaixo da linha do Equador do seu corpo. Logo ela vislumbrou a vida que se erguia entre as pernas dele e tomou-a entre as mãos, num gesto bivalente. Tocou-o com carícia, e a medida em que aquilo que tinha entre as duas extremidades de seus tentáculos tornava-se líquido aumentava a violência dos movimentos, fazendo com que o homem se retorcesse num híbrido de medo e delírio.
Seus lábios agora haviam se transmutado. A alquimia era constante e do vermelho magnético dos lábios dela surgia um tecido macio e cálido. Havia pétalas canibais que cobriam já tudo que se erguia do corpo dele. Era como se um vulcão em atividade fosse subjugado ao poder inexorável de um cataclismo de flores escarlates, paralisando tudo abaixo de si, mas mantendo a pulsação energética do subsolo.
Já não havia mais homem... não havia mais nada. Apenas sensações. Quando o vulcão começou a dar sinais de explosão, ela rapidamente o tirou da boca quente... e disse “Só quando eu me apaixono é que me permito saborear a lava”.

The Doors - Light My Fire.


Por Musa Louca em 25.05.2005 - 05:00 PM
Comentários

Bianca, definitivamente. "Um riacho fervente de caos e volúpia espalhava-se entre as pernas da mulher." Dá pra ser roteirista de quadrinhos de educação sexual distribuídos em presídios e penitenciarias, sério. hehehehehehehe Calma, não fique puta comigo. Um beijo.

Posted by: SérgioFIRSTITGIVETHNOBARPERFEITO em maio 25, 2005 09:17 PM

Bom feriado,LU..
Beijos!!

Posted by: DO em maio 26, 2005 10:57 AM

Definitivamente o melhor erotismo beira mesmo a pornografia...rs...na verdade pra mim essas divisoes estao mais na cabeca das pessoas.

Falando nisso, se jah nao conhece, tente ler alguma coisa da Hilda Hilst.

Posted by: Zen em maio 26, 2005 12:51 PM

Nossa... simplesmente Morrison diz:

Come baby, light my fire !!!

Posted by: Dan em maio 26, 2005 08:55 PM

Lu, q q foi isso amiga?
Fiquei até meio nervosa lendo seu post, beijocas!!!

Posted by: Pris em maio 26, 2005 10:53 PM

Lu, q q foi isso hein?
Q post... sensual ...
Beijocas...

Posted by: Pris em maio 26, 2005 10:55 PM

Caraca! Forte!
Mas sabe o que mais? Forte como sexo é mesmo :)
Tô adorando ler!
Bjs e fica bem.

Posted by: Danielle em maio 27, 2005 12:34 AM
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