abril 01, 2005

[ A Menina Que Dormia Na Diagonal ]

Eu poderia começar essa historinha com era uma vez. Mas por que sempre nos contam do passado? Será que a magia da vida não acontece mais nos dias de hoje? Pois então. Essa historinha começa assim no presente: é uma vez uma menina que só conseguia dormir na diagonal. Ok, ok, ok, você quer que eu explique melhor o que anjinhos significa dormir na diagonal. É simples, presta atenção. Cada vez que os pais da menina a colocavam para dormir direitinho na cama, retinha, retinha, no meio da noite ela começava a girar o corpo feito um ponteiro de relógio até ficar assim \. A mãe ficava preocupada porque o cobertor caía e o friozinho da madrugada não fazia bem para a asma da filha. O pai se perguntava o que havia feito de errado para que a sua princesinha dormisse daquele jeito. Ele tinha medo de que os seus sonhos ficassem todos tortos. Afinal, existem aqueles casos de pessoas que sonhavam de forma torta e acabaram se tornando adultos que nunca mais conseguiram realizar tarefas em linha reta. Eu sei que tem gente que não acredita nisso. Mas pense naquele seu amigo que vive caindo da bicicleta. Ou na sua avó que já bateu o carro na lixeira da rua umas vinte vezes. E o que dizer do tio que não consegue levar um garfo à boca sem sujar toda a calça de comida? Então, todos eles dormiam na diagonal. Por isso, a preocupação dos pais da menina. Consultaram médicos, cientistas, computadores, oráculos, fantasmas até. Mas nada. A menina continuou dormindo na diagonal. Só que, por um desses milagres da vida, ela se tornou uma adulta normal. Menos em um quesito: o beijo. Sempre que vai beijar alguém na boca, acaba beijando a bocheca. Ou o nariz. Ou a orelha. Qualquer coisa, menos a boca do coitado que está esperando um beijo todo apaixonado. Ela tinha que segurar com força a cabeça do garoto que queria beijar para que conseguisse tocar os seus lábios. Só que a força era tanta que ela já estava cansada. Até que um dia a menina conheceu um menino que não se importava com beijos. Ela não entendeu muito bem como alguém não se importava com beijos, afinal beijar é tão bom. Mas gostou do menino mesmo assim. E começaram a sair juntos, a dançar juntos, a caminhar juntos. Um dia o menino estava cansado demais e a sua casa era muito, muito longe. Aí a menina o convidou para dormir em seu castelinho. Ele ficou envergonhado, mas aceitou o convite. E, assim, os dois deitaram na cama. Qual foi a surpresa da menina quando, de madrugada, viu que não havia apenas um ponteirinho sobre o colchão e sim dois! Dois \\. Simetricamente tortos. O final dessa história é muito óbvio. Mas a gente sempre se recusa a enxergar o óbvio, não é mesmo? Então, aqui está o final para vocês: o caminho torto da boca da menina se encontrou com o caminho torto da boca do menino. Hoje, ela não precisa mais de truques para beijar. E ele finalmente aprendeu o quanto beijar é bom.


Por Musa Louca em 01.04.2005 - 01:01 PM
Comentários

Oi, musalindalouca, sabia que adoro vir aqui? Pois é, talvez você nem saiba nem tenha percebido, mas sempre passo por aqui sem deixar minhas pegadas. Mas hoje vim diferente porque quero dizer que adoro demais as várias faces dessa sua expressão. Permita dizer, mas adoro vasculhar tudo aqui. E o que me chama mais atenção é a sua narrativa direta, sem rodeios. Por isso, quando venho fico horas e horas curtindo suas estripulias narrativas. E por isso, volto e vaoltarei sempre.
Beijabrações
Luiz Alberto Machado

Posted by: LUIZ ALBERTO MACHADO em abril 2, 2005 09:18 AM

Po, eu sei que a história é dotada de sentido(s) e tal, mas não consigo evitar de dizer "que munitinho isso musa!". :)

Posted by: FaReNDouN em abril 3, 2005 01:05 PM

Imsónia
É terrivel acordar de sobresalto, eu sei. Ha! As vezes devemos, ou realmente queremos ficar sozinhos. É; a sua vida é realmente fascinante. Realmente. Muito... Agitada. É, com certeza. Eu poderia até me cansar de sequir vc quando vai ao trabalho ou quando sai com os amigos, mas isso é irrelevante agora. Prefiro quando trabalha em casa, ou simplismente enlouquece com as suas musicas... Como era antigamente... Mas isso já ficou repetitivo, e um dia isso teria fim mesmo. Poucas coisas tem fim. Queria ter podido lhe ensinar isso... Mas agora é tarde. Mas não perdi a esperança. Isso a gente nunca deve perder. Nunca! Pois bem. Acho que não tenho mais nada para fazer aqui. Boa Noite.
Não lhe direi nada. Não é necessásio. Eu já lhe disse tudo que eu queria... Que eu devia... Só espero que se lembre das boas palavras... De preferência só das boas. Adeus. Quem sabe "um dia a gente se esbarra"... Com certeza eu não sei... Eu não sei...

Posted by: Seth em abril 4, 2005 12:35 AM

Aonde nenhum homem jamais esteve

Eu sou mesmo uma pessoa estranha. Eu sei. Mas fazer o que. Ainda não perdi a mania de falar com você somente em pensamento quando estou sozinho. Sempre falei mais com as pessoas que amo desta forma. Eu senti vontade de vir aqui, na beira da praia, à noite,sozinho, como já fiz tantas vezes antes em diferentes praias e épocas, só para essa última reflexão. Não sei porque gosto tanto de ficar assim, de frente para o mar. Talvez seja por causa da brisa, do cheiro, do som do mar ou só pela paisagen; eu não sei realmente. É claro que esse lugar me traz lembranças suas, ou melhor, nossas. De quando namoravamos rolando na areia morma, rindo, felizes pela simplicidade de um sonho compartilhado, e vivido.
E quantos destes momentos não aconteceram? Poucos na verdade. Talvêz nenhum. Sim, porque vivemos nossos momentos juntos intensamente. Eu nunca vou poder esquecer. Eu lendo o seu trabalho por cima do seu ombro, atrapalhando você a se consentrar no que estava fazendo "maltratando" você... É... Bons tempos. Brigas bobas por motivos ainda mais banais... Reconsiliações com mais paixão que antes... Para mais sonhos. Mas talvêz, só talvêz, fosse exatamente tudo aquilo que eramos um para o outro, sonhos. A serem vividos, a serem considerados maravilhosos, mas sonhos.
Sei lá. Você me conhece. Sabe que sou difícil. Eu mesmo não quero pensar muito sobre isso. A vida continua, é claro. Ainda vou aos bailes, e como antes, me divirto bastante, sem que meus amigos saibam que aquilo é o modo de "exorcissar" tudo que me dá medo. Tudo que deixei para trâs. Ainda deixo as garotas perplexas pela minha frieza e indiferença, mas nada que não fosse como normalmente foi. A não ser com você. Você não deixava eu "esfriar".
Bom, é melhor eu ir embora, assim tiro esse assunto da minha mente. Essa láqrima teimosa do canto do rosto.Tenho de dizer a mim mesmo que acabou, deixar a vida tomar o seu rumo.
Sei que você está lá, a alguns quilometros daqui, continuando a sua vida. É; à sua vida, a minha vida, separadas.
Mas o que importa? O que aprendemos juntos do que "sonhamos" juntos?
Espero que um pouco daquilo que tão relutantemente diziamos um para o outro e não deixamos ser eterno:
eu te amo.

Posted by: Seth em abril 4, 2005 03:24 AM

E como é bom,ne LU...
Beijão a vc!

Posted by: DO em abril 4, 2005 08:08 AM

Fiquei devendo um comentário aqui em sua historinha semi-autobiográfica, tão bonitinha e feliz...
Antes de ler, ouvi... Um tanto melhor, talvez pela voz da narradora, talvez pelo tamanho conhecimento da história que demonstrou, com as entonações certas e tudo o mais...
Dá vontade de transformar em filme ou peça de teatro... Ou em história real...
Enfim...
Beijos,
Menino do Gorrinho
(que não sabe se dorme na diagonal)

Posted by: Menino do Gorrinho em abril 6, 2005 06:33 PM
Poste um comentário









Lembrar informações pessoais?