Guarde na memória o aroma das flores, garoto. Se, por sorte, houver entre os seus alguém com ares de jardim, chegue perto e colha algum sorriso. Enterre dentro de si abraços, beijos; mesmo os imaginários – não construa cercas entre o toque e a fantasia.
Deixe os primeiros passos criarem raízes, mesmo que pareça que te prendem ao chão – saberá depois que são eles o Teu ponto de partida: teu impulso para a vida toda.
Lembre das lesmas que você catou e pôs no bolso quando mal sabia andar, do teu olhar que via o vermelho e o negro apenas como diferentes até que alguém lhe mostrasse o sangue ou à noite.
Haverá gente flutuando a teu lado. Gente sem amarras, soltas no vazio de querer tudo sem saber por quê. Gente correndo por todos os lados – gente que até parada parecerá correr. Não se assustarão com teu olhar atônito.
Em toda esquina haverá um pedestal em que muitos desejarão subir para enxergar mais longe, mas suas cabeças, curiosamente, estarão curvadas e os olhos presos ao umbigo por uma fita cravejada de lantejoulas.
Guarde na memória os besouros que você viu lutar, a pomba esmagada na estrada e o cachorro com a cadela e o barulho deles, e o cheiro deles, a cor, a vida. Haverá bichos virtuais de toda espécie, mas ninguém poderá te convencer de que há um chip no teu coração e que basta um clic para te tirar do abismo. Ame o abismo. Ame qualquer coisa que te tire de um labirinto puro demais, limpo demais, seguro demais, com cheiro de hospital. Entregue-se ao que te empurra à vida. Role na grama sem prestar atenção às meninas de sapatos de plástico cor-de-rosa dizendo “ui”.
Haverá mentores – mulheres, homens, crianças, amigos, inimigos, ídolos, livros, personagens, tombos, melodias.
Haverá os que proclamam bibliografias, os que condenam a derrota, o suicídio, à desistência. Estes talvez apareçam com os pulsos cortados ou intoxicados em algum beco sem saída com o qual não contavam.
Muitos parecerão sábios – ilustrarão o próprio ser com referências coloridas, epígrafes de neon, calçarão as últimas tendências em aforismos, serão chamados cultos. E essa cultura lhes será tão cara que estampará seu caráter - uma vitrine - com uma plaquinha em baixo: não dôo, não troco, não vendo, não insista. E essa cultura não terá jamais o sabor dos sorrisos que não colheram, que ficaram em algum lugar, perdidos, esperando a contracena".
Como sempre um texto muito bom e reflexivo,MUSA LINDA...
Mas toda cultura tem que ter este tal SORRISO... é o que vale...
Beijo grande!!
Lu, que saudades de vc!! num some assim nao! :(
gostei do texto completo! :D
"Ame o abismo"
vou tentar aparecer mais, tenho andado em falta!
bju! ;)
Ok garota!...rs...
Vc esqueceu de citar as omnipresentes legioes de filhos da putas...rs...ou citou com outro nome...sei lah...
beijonaboca ;) nao de moleza para os pigfuckers!!!
Posted by: Zen em março 19, 2005 07:08 PMOh.. muiê.. pq violentamente arrasada?
Vc dá asas a nossa imaginação!!!
E como!! Bjs e Boa Páscoa pra vc ;)
não te esqueço nunca, viu?
Posted by: zed em março 25, 2005 11:04 AMNa infância todos os sorrisos parecem sinceros. Talvez devêssemos não perder esta ingenuidade infantil e continuar acreditando em nossos sonhos. Bjos moça.
Posted by: Léo em março 25, 2005 11:38 AMBoa páscoa pra vc Musa!!!
beijo :***
Oi, lindinha, é sempre bom demais visitá-la, sempre com novidades e o suficiente para matar minhas saudades. Aqui está muito demais.
Beijabrações
Luiz Alberto Machado
Oi Lu, bom dia. 22 de março. UM ano sem te ver...Saiba que continua dentro do meu coração...
"[ Quando o Sol Enlouquece ]
Enquanto o corpo só pede cama, a mente não pára. Exige um esforço tremendo para que eu não perca o entusiasmo e toque adiante os vários projetos dentro dela. O final de semana foi extremamente importante. Ganhei forças e amor de uma pessoa especial e tão, ou mais, louca do que eu.
Um sol que se desloca do céu de uma cidade no interior do Piauí, e nasce à noite na capital da alegria. Se mistura entre as estrelas do céu da minha boca, e transborda todo o seu calor para o meu corpo.
Poderia ficar sentada ouvindo o barulho do mar durante horas ao lado dele. Inconformada, pois o tempo passa depressa demais quando há felicidade. Mesmo a distância pairando entre nós como um fantasma, o que nos separa é apenas físico. Eu espero. Eu creio. Eu estou com saudades. Eu também te adoro.
Enquanto você não volta a nascer perto de mim, o calor e o brilho pernacem comigo do lado esquerdo do peito.
Por Musa Louca em 22.03.2004 - 10:44 AM
Posted by: Rogério Bezerra em março 28, 2005 08:44 AM