outubro 20, 2004

[ Duas Mãos ]

A chama da vela se apaga
Quando eu encosto a ponta dos dedos
Depois aproximo os braços da mesa
De fora para dentro
Desta casa. Desta cabeça.
Explodem pensamentos loucos
Dispersos pelas poesias de um mago
Ele atiça os elétrons
Provoca o meu cérebro
E me destrói em pedaços.

Não há por perto quem possa
Me acolher, me levar
Nem aquele objeto não-identificado
Nem aquele amor não-identificado
Nem aquela dor identificada e gigantesca

Ninguém assina o que se passa ou o que se escuta
Pelas paredes e pelas mobílias
Dos cômodos internos perdidos da casa em mim.
Todo mundo acha que vai viver eternamente a sua vida
Com pleno controle das situações e dos problemas.
Limpando e cuidando do seu próprio jardim.
Mas muitos se esquecem que as trovoadas e os terremotos
Não acontecem por acaso.
Basta que eu bata...
Sutilmente...
As minhas asas.


Poesia-resposta a que eu li no blog do Zen.
Num daqueles dias que você está mais para comentar em versos do que em prosa...


Por Musa Louca em 20.10.2004 - 01:21 AM
Comentários

Quatro maos

Com os dedos
Apago a vela
Disperso pensamentos loucos
Meu cerebro despedacado

Nada existe
Nessa casa
Paredes comodos mobilia
Estabilidade instavel

Trovoadas e terremotos
Acontecem por acaso.
Quando bato
Sutilmente
Minhas asas

Posted by: Zen em outubro 20, 2004 03:37 PM

e quando vc não quer saber nem de versos, nem de prosas, apenas da fúria????

Posted by: Paulo Schaun em outubro 21, 2004 12:13 AM
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