setembro 20, 2004

[ Ternura ]

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos.
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo.
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas, nem a fascinação das promessas.
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um trasbordamento de carícias.
E só te pede que repouses quieta, muito quieta.
E deixe que as mãos cálidas da noite
Encontre sem fatalidade o olhar extático da aurora.

Vinícius de Moraes


Por Musa Louca em 20.09.2004 - 02:47 PM
Comentários

Porra Lú, tô sem ternura nenhuma pra comentar sobre isso, acho que é um certo excesso de amargura que ainda perdura!!!

Posted by: Paulo Schaun em setembro 20, 2004 04:17 PM

Ah o amor, esse inexplicável para o qual tento achar explicação...
Faz um tempinho que não passava por aqui, continua ótimo.
Beijos

Posted by: João M. em setembro 21, 2004 12:40 PM
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