O rock está morto. Isso passa pela mente no exato momento em que tiro o meu corpo debaixo do seu. Fujo do seu beijo. E deito de costas para você. Fixo o meu olhar numa das estrelas fluorescentes perto de nós. Nossas respirações ainda estão ofegantes, adrenalina correndo rápido pelos corações, braços e pernas misturando-se. Uma verdadeira avalanche, tempestade, furacão, e, de repente, parece que vinte cinco anos da minha vida pararam de fazer sentido. Como se todo o dinheiro e tempo gastos em discos, fitas cassetes, shows, todas as canções que consolaram e emocionaram e assassinaram a minha alma, tudo isso dedicado ao mundo rock e pop fosse em vão. Como se eu precisasse de melodias, versos e microfonias para sentir alguma coisa, qualquer coisa que me tornasse mais viva, qualquer coisa que amplificasse a voz de meu desejo, qualquer coisa que me fizesse perceber que sou de carne, que sou de osso, que sou de sentimentos que se evaporam no ar, agora nada disso faz sentido, porque o cara ao meu lado agora é a música que me toca, que me importa, que me mata, é harmonia, é poesia, é magia, que fodam-se os Beatles, que fodam-se os Stones, que fodam-se os Stooges, que fodam-se os Ramones, que fodam-se os Temptations, que fodam-se os New York Dolls, que fodam-se os Sex Pistols, que fodam-se eu e você, literalmente.
Quero o punk e o pink, o glam e o glitter, o hard e o core, assim, assim, no volume máximo, através das minhas coxas pressionando a sua cabeça como headphones, e você escutando “gimme head, gimme shelter, I wanna be your man, I wanna be your dog, dreaming of love, dreaming of you”, porque com você encontro todas as canções que preciso ouvir, todas as baladas, todos os rocks, todos os barulhos, todas as batidas, todos os grooves, você é meu jukebox, você é meu rockstar, você é meu junkie, você é meu roadie, você é meu bandleader, você é meu tour manager, você escreve, produz e mixa os meus dias, está no topo das paradas e é hit do meu lado mais sujo, underground, perverso, que agora quer você de todas as formas, de lado, de frente, de verso, de lá, de cá, rápido, devagar, um solo de guitarra que não termina mais, os meus dedos fazem pentatônicas pelas suas costas enquanto você me conduz, e, então, quando o nosso gozo chega como se fosse um refrão, finalmente descubro por que sempre fui obcecada por rock: eu queria apenas sentir tudo em mim arrepiar.
E então apareceu você.
E o rock, bem, o rock está morto.
Como já disse... o rock não morreu, envelheceu e encaretou... deixou uma porção de órfãos... nos deixou sós... mas o sentido... o sentido jamais morre... quero fazer minhas pedras rolarem por sobre teu corpo... compor em teus sios suaves melodias... quero todo dia poder vislumbrar uma solução nova, e descansar da luta em seus braços... quero s epossível mais um abraço, mas uma canção... quero nosso barco com um motor novo singrando águas desconhecidas... explorar o âmago das cituações e conhecer a fundo sua realidade...
Quero tua mão em minhas costas, quero sua língua em minha boca... e quero esquecer do que não importa... se o rock morreu, a música continua viva!
ERrata cituações = situações!!!
perdão please... foi a empolgação!!!
Que esse arrepio seja uma constante na sua vida, moça! Abraços, Ney
Posted by: Ney Alexandre em julho 13, 2004 01:15 PMEita q o negócio parece q tá bom...:-) Mesmo com rock falecido...
bjo
O rock está morto, pelo menos para mim. Guitarras atualmente me irritam. E olha que isso fez parte da minha alma tempos atrás. Hoje, ao escuta-lo, me soa tão velho, pouco lembrando da vibração e energia de outrora. Prefiro me afogar em jazz, que me secou o que eram lágrimas.
Ou eu envelheci de vez ou me tornei um puta de um chato... (ou o rock se tornou chato, vai saber).
Que amor avassalador é este mulher!!? Seus ultimos posts só delatam o motivo das batidas hardcore deste presente músculo.
Beijos!
Oi, agora sei porque voce é uma poesia... vivendo música dessa forma...
Um abraço...
Que bela harmonia... e o melhor é não saber quem é melodia e quem é instrumento.. porque quem toca, ah.. a vida os toca, os sentimentos se tocam...
;o********
Peraê... eu tô na terra de Iracema. Com saudades de você. Beijo muito grande. Muito grande mesmo. Vim aqui, visitar você. :) Fu
Posted by: d-.-b em julho 15, 2004 01:22 PMNossa!! fiquei até sem ar com essa... "Se o rock morrer e me restar você, fazemos nós mesmos o nosso jeito rock de viver" amém!
Posted by: che em julho 16, 2004 04:02 PMAdorei sua homenagem ao dia do rock. Extremamente sensual e sexual!!! Bjos!!!
Posted by: Kary em julho 18, 2004 10:51 AMTe condenar?
Só se for pelo belo texto que escreveu. Estou com inveja do seu bandleader
um beijo
hey ho let`s go ho ho
seus pagodeiros