abril 29, 2004

[ Untitled, um lugar sem nome ]

Gostaria agora mesmo de arrumar minha mochila colorida e seguir. Para um lugar que não fosse esse. Nem aquele. Não tivesse sido fotografado e nem impresso nos folhetos de viagem. Seria tudo. E não saberia por onde começar. O que me separaria do guichê seria apenas uma passarela. Ele (o guichê), cada vez mais perto, e eu consideraria que talvez, talvez, ali estivessem todas as minhas respostas. Mas, e aí? Chegaria e perguntaria para a moça de cabelos esticados: Me dá uma passagem? Ela responderia com outra pergunta: Para onde, senhora? Um lugar que não seja, eu diria. Talvez, para minha surpresa, ela achasse tudo muito natural, tirasse a passagem, e me falasse quanto custa. Eu pagaria os determinados reais. E me lembraria daquele sorriso de canto de boca.
As placas me indicariam o portão de embarque. Como restariam alguns minutos, compraria um refrigerante na máquina. Pegaria minha mochila e subiria para o ônibus. Por sorte o número do meu ticket seria na janela. Sentaria quieta, colocaria os meus fones para ouvir algum rock triste. E esperaria a hora em que começaria a ver um monte de matinhos e placas. Essa paisagem permaneceria por muito tempo. Provavelmente, esse lugar aonde eu iria... Estaria bem distante de mim.


Por Musa Louca em 29.04.2004 - 12:53 PM
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