Alma pecadora e errante vaga pelas eternas madrugadas, lado a lado com os cordões das calçadas úmidas de sereno, que na verdade são as lágrimas das estrelas.
Sempre incompreendida, luto permanente, olhar transbordante que emoldura a face transfigurada pela desilusão em noites de olhos arregalados a saltitar na escuridão. Sem falar no corpo que arde febril e imobilizado pelos soluços presos na garganta.
Tento fugir, mas ela me persegue, me encontra, me cerca e me toma em seus braços. A tristeza carece de minha alma e a domina, sufoca, suga meu ar, minha vontade de continuar. Despe-me diante da covardia, despreza-me, e me apunhá-la pelas costas.
Tira-me do caminho da esperança e faz do meu desejo um labirinto. A lua chega e fiscaliza sorrateira e reflete falsas ilusões, um brilho perdido, um sorriso sem alma de uma boca de sal e me ensurdece com palavras um dia sussurradas ao ouvido e hoje soltas pelo vento.
Deixo escapar um suspiro longo e profundo que parece partir meu peito e um olhar complacente. Mais uma vez acredito que é possível e abro um pálido sorriso dos sempre descontentes de uma alma doente, condenada e apaixonada.
Como é pesada a cruz... Meus ombros doloridos e arqueados não suportam tanta dor e de repente me vejo de joelhos, soluçante e trêmula como uma folha seca vagando entre o bueiro e a beira da estrada.
Em segredo confesso querer arrancar de mim esta alma de poeta. Não suporto tal condenação, mas ser bandida, vagar pelas sombras, perder-se completamente por quase nada e estar incondicionalmente presa a algum coração sempre me pareceu fascinante e essencial como ar.
Nunca entendi os limites, os portões fechados, as chaves, os chinelos sem par, a falta da sua mão na minha, meu olhar que não encontra pouso e a agonia. Nunca entendi testas sempre enrugadas em profundas marcas de expressão transformadas em desolação, assim como não entendo a cadeira sempre vaga ao meu lado, o brinde solitário, os meus jasmins que não brotam flores.
Não há mais perfumes, o paladar se foi com o último beijo, o coração quase pára em meio a tanto silêncio e os dedos não se entrelaçam mais.
Alma pecadora, poesia que prende e me liberta, o fastio, nó na garganta, cheiro de chuva no meio da tarde quente, enquanto aguardo ansiosa pela chegada do inverno.
Ouço mais uma vez a mesma música, mas não consigo ouvir a tua voz, ouço a chuva e sinto o vento me abraçar.
Tento virar a página, há um capítulo novo esperando para ser escrito, quem sabe com rimas um pouco mais alegres...
How I Long - Gorky's Zygotic Mynci.
Oi Lu!Estava navegando pela net e vi em um site um texto seu como "autoria desconhecida" Como doeu! É que eu amooooooooo o que vc escreve e é péssimo ver seu nome associado ao anonimato.... Hunf! Eu ja coloquei passagens de textos seus no meu blog mas sempre coloco neles um link para sua HP, mas se não concordar eu apago.
Boa semana...
Beijos
É isso q a sensibilidade faz com a gente... complicado lidar com tantos e tão densos sentimentos...
Não, não é pra POA q eu vou viajar, Vizinha querida... mas ainda pretendo ir lá, claro! Aí eu te levo na mala! Hehe...
Nossa, ainda te devo uma ligação, né?
Beijos!
Bem que eu ando falando que vc não está bem...
Não gosto de te ver assim...
Se cuida,hem??
Beijos!!
Boa semana procê!
Beijoooo!
Às vezes é difícil entender por que certas coisas acontecem com a gente. Prefiro não tentar entender e acreditar que tudo tem uma razão de ser e faz parte da nossa evolução. Beijo grande, muita luz no teu coração!!
Posted by: Pernambaiano em abril 5, 2004 04:11 PMJá vi esse clipe do aquarela... acho essa musica tão nostálgica... me faz lembrar a minha infância... é mto gostoso... ando mto nostálgica ultimamente... Ah, te desejo uma semana maravilhosa! Com mtas alegrias e espero entrar aqui e encontrar um post bem alegre. Abraços
Posted by: Pathy em abril 5, 2004 04:52 PMCertamente os capítulos seguintes serão melhores. Aliás , devemos sempre estar em contínua leitura. Algumas nem valem tanto a pena, outras nos arrebatam , agraciam-nos com felizes sorrisos e espantos de admiração; e ainda assim devemos buscar novos capítulos. Devemos ter muitos finais felizes acumulados ao longo do existir...
Beios ( daqueles!! ) e ótima semana!
Posted by: Beto em abril 5, 2004 04:54 PMPuta que pariu....desculpa...que forte...Olha, apesar da dor trasparecida, existe uma beleza imensa na exposição de suas víceras sentimentais...Nossa. Vc escreve muito bem quando dói. Olha, o tempo é algo fundamental nestes casos. O início é magnífico.
Beijos
Muito lindo!
Sempre que puder virar a página, não pense duas vezes, pois a vida nãopára pra nos esperar :)
Beijo Grande!
Para que eu vou chorar!
Porra, essa tah em ritmo de quaresma mesmo...
;p
O amor... Minha anmorada-de-mentirinha, sita-se muito bem beijada...
Até minha querida
que essa página seja virada logo e que as próximas lágrimas sejam anunciadoras da alegria, sublime seguida do Amor Primeiro... Mas se estas tardarem em chegar, não se esqueça que, mas que sua amiga das cores, posso ser tua amiga das dores. Um grande beijo
Posted by: Galadriel em abril 5, 2004 10:48 PMVc devia casar...
Posted by: Zanni em abril 6, 2004 08:00 AMPassando de novo - OTIMA SEMANA JÀ SE PREPARANDO PRA PASCOA - beijos NANDO
Posted by: Bunitao do Bailao em abril 6, 2004 08:03 AMO amor é mistério e tem duas caras. Pode refletir o paraíso ou ser confundido com maldição. Por sermos humanos e estamos expostos a tudo. Eu cá acho este um sentimento dos mais estranhos. Quando amamos somos nós mesmos, livres, mas escravizados. Como o que Paulo escreveu aos Coríntios. É contra-senso, paradoxo. Mas que graça teria a vida sem o amor? Para que tanta alma dentro do corpo sem ser compartilhada?
De resto, apenas boa sorte para nós. Que nossas mãos encontrem outras para se juntarem e que sintamos o prazer de um abraço que nos aqueça em um dia nublado em frente ao mar.
Te mandei um email. Dá uma ohadinha, Beijos, maçãzinha
Ouvir a mesma música, mas nunca ouvir o "fade away"...
Posted by: Anderson em abril 6, 2004 11:01 AMEu sou péssimo em vários aspectos, mas odeio, de qualquer forma, coisas mal-resolvidas/esclarecidas. Se quiser (eu disse, veja bem, se quiser falar comigo), eu estou em casa depois das 23:30. Mas isto apenas se você quiser esclarecer algo com o sr. Mente Doentia aqui. Se não quiser, tudo bem, e faço de tudo para que você fique bem, começando a não deixar que digam meu nome pra você.
Posted by: Matt em abril 6, 2004 11:51 AM