amarelo

amanheceu. montanhas ao redor. meu coração está amarelo. como o ipê amarelo bem à esquerda. como o sol amarelo ali distante. atrás das montanhas verdes. repleta de árvores verdes. mas a minha saudade é amarela. essa saudade louca de você. com os meus pensamentos voltados pra você. todos amarelos. desde ontem. como as luzes dos carros nas estradas, iluminando os caminhos com nuvens amarelas. porque mesmo eu me divertindo e cantando junto com a equipe e os artistas, o meu semblante era amarelo de nervoso. em espectativa de notícias suas. e quando eu o ouvi rir e brincar comigo no celular hoje, os meus olhos e o meu sorriso voltaram a brilhar. como grandes estrelas. por você. só por você. esquece a cor amarela.


Soundtrack: Yellow – Coldplay

nota: em Ibirataia, sul da Bahia, trabalhando na Caravana do X Mercado Cultural, e morta de saudades. :)

Fios e palavras

Da minha noite saem. Fios, espera, suspiros, hálito e embriaguez. Das minhas costas saem. Pássaros. Voam livres. Distantes. Da minha alma saem. Palavras e músicas. Tocam a sua melodia. Prende-lhe a atenção. Escorreguem devagar e se derramam aos seus pés. E gravam um caminho. Um caminho diferente dos fios até mim. Das minhas vértebras saem. Gatos, cachorros, palavras, carneirinhos, bezerros, papagaios, doces, chocolates. Das minhas mãos. Palavras e silêncios. Um toque. O destino traçado. Na palma. Dos dedos. Saem fios e nós e fios e laços. Conosco entrelaçados. Do meu umbigo saem palavras. E quase palavras. Do meu umbigo saem cortes. Foras. Dentro. Dentro de mim há. Quase palavras, silêncios, ouvidos, receptores, microfones, catalisadores, nós, escorregas, balanços, gangorras, vozes, cenas, espaços, falta de espaço, amontoados, organizados, misturas, pureza. Enlaçados.
Da minha garganta saem. Fios. Laços. Pedras. Água. Mel. Flores. Pedras ainda maiores. Gradações. Absorve. Suga o que há. Dentro de mim escuto: é da sua voz que eu preciso. Não do meu umbigo. É absorver o que eu quero. Sair para trocar. Carinho. Não sair e acabou-se.
Quero receber. Pedras, chocolates, mel, pedras ainda maiores, gradações, ouvidos, vozes, quase frases, palavras, silêncios, toques, fios. Laços. Limpar o excesso.
Preencher uma página. Preencher seus olhos. Com o meu excesso. Imagine. Veja. Das minhas costas saem. Dragões, ninfas, borboletas, fadas, iemanjá, escorpiões, pássaros, fios. De onde não saem fios? Todos os espaços, em todos eles, há fios se enlaçando, entrelaçando, dissolvendo, recortando, cortando, e se unindo.
Da minha boca saem. Veja você, não vou dizer, olhe minha boca e veja por si. Mesmo. Dessa mesma boca. Saem. Receptores. Poros. Espaços. Montanhas. Praias. Areia. Dia de chuva ou sol na praia. Dia amanhecendo. Calor. Raízes. Asas. Folhas. Caule. Páginas. Pétalas. Pés. Dos meus pés saem. Desenhos na parede. Palavras no teto. Bagunça nos lençóis. Deslizes.
Do deslizamento saem. Palavras, quase, sim, saem, veja. Olha aqui. Meu umbigo. Minha barriga. Pele. Boca. Saem, recebem, olha, fala, qualquer coisa, o que você vê? Como ouve? O que saímos? Como chegamos? Já acabou. Começando: de você saem – minhas palavras.


Soundtrack: Writing to reach you – Travis

Everybody else’s doing it, so why can’t we? (revival)

sábado, 28 de setembro de 2002

Uma música que: (coleciono em CDs)
Me faz dançar: Rock the Casbah (The Clash)
Me faz feliz: Let it be (Beatles)
Me faz lembrar de um amigo(a): Made first (Tahiti 80)
Me faz lembrar de Kruel: Without You, I’m Nothing (Placebo)
Me faz lembrar de Ursinho Azul: Faz Parte do meu Show (Cazuza)
Me faz lembrar de BennyTheDog: Weakeness in Me (Joan Armatrading)
Me entristece: Bittersweet Simphony (The Verve)
Me alegra: I wanna be your dog (Stooges)
Me faz querer fazer amor (haha): Son of a preacher man (Dusty Springfield)
Me faz querer fazer streap-tease: Queen of New Orleans (Bon Jovi)
Me faz querer que me toque: The Sun Always Shines on TV (A-HA)
Me faz sair da deprê: qualquer uma do Letters To Cleo
Me faz pensar como o amor é: Even Angels Fall (Jessica Riddle)
Me faz ter vontade de pular de paráquedas ou dirigir em alta velocidade : Closing Time (Semisonic)
Me lembra um comercial de tinta de cabelo: There she goes (Sixpence None The Richer)
Diz muito sobre mim: Old Man (Neil Young)
Me faz lembrar alguém significante: One (U2)
Escreveria: qualquer uma do R.E.M (se tivesse capacidade)
Não gostaria de ouvir de novo: Bohemian Rhapsody (Queen)
Tocaria no meu casamento: Tiny Dancer (Elton John)
Tocaria no meu funeral: With a little help from my friends (Beatles)
Voz sexy: claro, David Coverdale
Faz meus amigos lembrarem de mim: qualquer uma do Suede and Counting Crows and Placebo and Belle and Badly Drawn Boy – eu indiquei insuportavelmente a banda pro pessoal
Toda mulher que se preze, recebe como carta e grava na alma: A Letter To Elise – The Cure
Gostava, mas agora nem tanto: Marquee Moon (Television)
Não admito que eu gosto: Speechless (Hanson)
Faria tudo para ouvi-la num show: Burn (Nine Inch Nails)
Me faz lembrar minha infância: She Drives me Crazy (Fine Young Cannibals) and Here Comes My Baby (Cat Stevens)
Parece com a minha adolescência: Alive (Pearl Jam) and qualquer uma do Bon Jovi
Muitas pessoas gostam, mas eu não: qualquer uma do The Vines.
Gosto de ouvir e lembrar: Suspicious Minds (Elvis Prestley)
É melhor quando tocada no carro: I Can’t Help Myself (The Four Tops)
Gostaria de acordar com: The Israelites (Desmond Dekker)
Gosto, e meus pais também: I Heard it Through the Grapevine (Creedence)
Foi tema de um dos meus filmes favoritos: Money (tcharam!)
Foi tema de um dos filmes do meu ex-loiro que eu guardei pra mim: Come Here (Kath Bloom)
Me faz pensar na lua: Dona de Mim (14 Bis)
Me faz pensar no sol: Wish you were here (Incubus)
Me faz pensar na noite: Crystal (New Order)
Me faz querer estar sozinha: Catapult (Counting Crows)
Me faz sorrir: Revolution (Beatles)
Me faz chorar: A Dois Passos do Paraíso (Blitz)
Me fez pensar no nome da minha baby (quando eu a tiver): Goodnight Elisabeth (Counting Crows)
Me fez escolher o nome da minha HP: Angels of The Silences (Counting Crows)
Gosto de ouvir em bares: Rocks off (Rolling Stones)
Não é do meu “tipo” mas eu gosto: Sure Shot (Beastie Boys)
Me faz lembrar alguém que eu quero, mas não posso: You’re always on my mind (Elvis Prestley)
Posso cantar bem: Celebrity Skin (Hole) – anyone can do it
Gosto, mas é só instrumental: Suntoucher (Groove Armada)
Para a trilha sonora com o Homem-Perfeito (Jardel) : Wedding Song (Bob Dylan)
Não foi lançada recentemente, mas adoro: The Ocean (Led Zeppelin)
Queria ter a voz de: Shirley Manson
Queria ter o talento de: John Lennon
Queria ter a história de: Nick Kent

Para hoje…

Que a manhã seja mais calma e bela entre todas as manhãs, porque hoje é um dia especial para os seus olhos. Que as borboletas lhe tragam a leveza e a inquietude por novas descobertas e novos conhecimentos. Que uma cesta recheada de beleza, felidade e surpresa seja entregue quando você despertar. Que as nuvens passem mais devagar e contemple os seus passos, por todos os caminhos onde fores. Que os pássaros lhe levem e o vento te abrace. Que o barulho das ondas do mar adormecendo na beira da praia sejam os estalos de beijos sussurrados por mim. E cada carinho familiar que receba hoje, seja mais vida que caiba dentro de ti.

Leve-me

Ela acordou leve essa manhã e decidiu passear pelas ruas do seu lugar. Se é que existe apenas um lugar na sua vida. E passou pela praça onde caminha todas as manhãs. Não viu ninguém sentado nos bancos lendo jornal. Apenas a vizinha, a moça das antenas de TV, apareceu na janela para lhe oferecer uma xícara de café. Cheiro antigo e engraçado, de café forte e coado. Como sempre o cachorro, o dono da rua, veio lhe fazer companhia até chegar perto do ponto de ônibus. Só que dessa vez, ela não parou. Decidiu continuar a admirar a beleza do cotidiano sendo levada pelos próprios pés. Caminhos conhecidos não precisam de comandos cerebrais drásticos. Você nem sente para onde está indo. Você apenas vai. Os seus pés guiam o seu destino.

A vida está estranha. Ou não. Na mesma. Ou não. Um reboliço interno se aproxima. Como se aproxima o evento costumeiro em que todo ano está envolvida. Mais trabalho. Mais noites sem dormir. Mais friozinho na barriga. Mais vontade de conhecer o mundo, principalmente quando ela conhece novas pessoas que vivem em outras partes do globo.

Deve ser esse sol de outono. Folhas no chão. Passos leves. Calorzinho no rosto. Calorzinho interno. Algumas coisas estão mudando. Por que as pessoas de antes são tão previsíveis nessa época do ano? Por que elas reaparecem e você ainda se surpreende com isso? Por que as novas pessoas aparecem e também são tão familiares? Por que todos os passos e músicas se modificam quando leve não estão os seus passos, e sim, o seu coração?


Soundtrack: Just Like Heaven – The Cure

angel & painter

i am a good girl. he is a bad boy.
i am his personal angel. he is my painter.
his favorite super hero is the superman. and i killed the superman in a mail box.
i love F1 like his best friend. and i will lend him my pink dress to wear his blue shorts.

his color is white. white walls inside the house.
and his hair is long. long hair like mine. we have long legs. too.
he made a puzzle with parts of my body in his mind.
he doesn’t know, but he is the painter of my heart.

i hold him while we fly, and he paints a smile on my sad face.
so we go to change the colors of the clouds… in the sky.

me leva amor

Vim, tanta areia andei
Da lua cheia eu sei
Uma saudade imensa…

Vagando em verso eu vim
Vestido de cetim
Na mão direita, rosas
Vou levar…

Olha a lua mansa…(me leva amor)
Se derramar
Ao luar descansa
Meu caminhar..(amor)
Meu olhar em festa…(me leva amor)
Se fez feliz
Lembrando a seresta
Que um dia eu fiz
(por onde for quero ser seu par)

Já me fiz a guerra…(me leva amor)
Por não saber
Que esta terra encerra
Meu bem-querer…(amor)
E jamais termina
Meu caminhar …(me leva amor)
Só o amor me ensina
Onde vou chegar
(por onde for quero ser seu par)

Rodei de roda, andei
Dança da moda, eu sei
Cansei de ser sozinha…

Verso encantado, usei
Meu namorado é rei
Nas lendas do caminho
Onde andei..

No passo da estrada…(me leva amor)
Só faço andar
Tenho meu amor
Pra me acompanhar..(amor)
Vim de longe léguas
Cantando eu vim…(me leva amor)
Vou, não faço tréguas
Sou mesmo assim
(por onde for quero ser seu par)

Já me fiz a guerra…(me leva amor)
Por não saber
Que esta terra encerra…(amor)
Meu bem-querer
E jamais termina
Meu caminhar…(me leva amor)
Só o amor me ensina
Onde vou chegar
(por onde for quero ser par)

Lá lá lá lá lá lá
Lá la lá lá lá lá….

Andança – Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós


Soundtrack: Andança – Elis Regina


Soundtrack: Andança – Beth Carvalho

Conectada

Pensei escrever em homenagem ao seu aniversário as baboseiras e as pirraças que fazemos quando nos falamos ou estamos juntos. Pensei em citá-las e descrever como é complexa a nossa relação “familiar”. Enumerar as minhas vontades, desde lhe dar um murro na cara, como a de lhe pôr no colo pra dormir de madrugada. E também a imensidão de nossas manias, assim como os nossos gostos musicais completamente diferentes. Mas pra quê? Você sabe de cor, você me conhece como poucos. Você, que não faz o “roteiro do amor” comigo, e é a pessoa mais chata que conheço. Possui alguns textos antigos, todos seus, neste blog, e briga comigo quando o seu time de futebol preferido perde. Risos.

Mas, meu querido ph, o mais importante que eu tenho a te dizer, é que apesar de tudo, de todos esses espaços de tempo preenchidos, esses espaços de tempo vazios, esses mal entendidos, essas não-vontades, esse brilho no olhar, e todas as nossas palavras não ditas e gestos esquecidos, eu teria vivido tudo igualzinho, todas as minhas desilusões, o meu casamento desfeito, minha loucura do outro lado mundo, se eu tivesse a certeza que eu te encontraria. Daquele mesmo jeitinho. Você, de bengala, se fazendo de desentendido. Você, com cara de santo, me tarando no cinema, perdendo o meu brinco. Você me perdendo, abrindo aquele abismo. Porque você é alguém que eu sinto falta, e que não tenho sentimentos definidos. Alguém que eu quero comigo, na minha vida, conectado. Sempre.

Conectado, eu te desejo do fundo do coração muito mais paciência, sabedoria, sucesso, felicidades, e que lhe falte um pouco de juízo, porque isso você tem demais, e amor, muito muito amor. Ah, que você pare de roubar minhas músicas!

Do seu Jardim.

connected
um com olhar de lobo mau e o tal frango assado rindo à toa. :p

[ mode on: alice ]

“Penso em seis coisas impossíveis antes do café da manhã
Um: tomar uma bebida que me faça diminuir
Dois: comer um bolo que me faça crescer
Três: animais que possam falar
Quatro: um gato que desaparece
Cinco: conhecer um lugar chamado País das Maravilhas
Seis: eu, Alice, posso matar o Jabberwocky”

Alice acorda de um pesadelo e pergunta ao pai se ficou maluca. Ele mede sua febre carinhosamente e dá o diagnóstico: sim. “Mas deixe eu te contar um segredo: as melhores pessoas são”.

memoirs II

Se for para esquentar,
que seja no sol;
Se for pra enganar,
que seja o estômago;
Se for pra chorar,
que se chore de alegria;
Se for pra mentir,
que seja a idade;
Se for pra roubar,
que seja um beijo;
Se for pra perder,
que se perca o medo;
Se for pra cair,
que seja na gandaia;
Se existir guerra,
que seja de travesseiro;
Se existir fome,
que seja de amor;
Se for pra ser feliz,
que seja o tempo todo!

a mensagem de um certo travesseiro do passado. enquanto eu apago todos os e-mails enviados do gmail.

Bullets

Então você vai se esgueirando pelas frestas, pelas paredes, pelas janelas dos carros. Você percebe um sinal de esperança pelos retrovisores. Não importa como você veja. Não importa o que lhe digam. Nada vai lhe fazer mudar de ideia. Quando a mudança está latente. Dentro de você. Pulsando dentro de você. Balas e doenças não lhe atingem. Correndo contra flashes de luz e barulhos ensurdecedores nas ruas. Você desvia de passos, de amarguras, de horas atrasadas. Às vezes, tropeça. Quase sempre tropeça. E sua muito. De cabelos molhados. De olhos molhados. Pessoas turvas. Caminhos secos e empoeirados. Ladeira longa e de pedra. Assim como você. Enquanto todo o resto está, graça a Deus, bem longe dos seus tênis.

Você não precisa dessa doença. You don’t.


Soundtrack: Bullets – Editors

If something has to change then it always does
If something has to change then it always does

You don’t need this disease, not right now
No, you don’t need this disease, not right now

Oh you don’t need this disease you don’t (+8)

If something has to give then it always will
If something has to give then it always will

You don’t need this disease, not right now
No, you don’t need this disease
Not right now, no, no, not right now

You don’t need this disease you don’t (+8)

Would you fall down
Would you fall down

Oh you don’t need this disease you don’t (+8)
Won’t fall down

You don’t need this disease you don’t (+8)

não sei, nem sou

então fui diluindo a loucura ao compreender que a nascente de tudo era um caos.
urbano e diurno.
aprendi a velejar pelas calçadas como uma sombra entre sombras sem inventar rastros.
ousei vestir os sapatos da morte e revelar-me ao círculo visceral da existência.
nem fui a insana ou a decrépita humana, apenas despi a coragem e vivi sem pele a lapidação da alma.
perdi o que não era essência, e agora, plena de mim mesmo: não sei, nem sou.

Happy Birthday

Oh, Sr. Razinza-Borboleta, que dia especial! Dia de escolher uma gravata bem bonita e comemorar com a família. Eu te desejo um aniversário repleto de mágicos acontecimentos, de torta imensa de chocolate, muitos sorrisos nos olhos, carinhos em cada gesto e beijinhos com sabor de brigadeiro, e para não enjoar de muito doce, vamos jogar mais morangos em cima para colorir e enfeitar. Tudo de bom e especial para você, meu querido amigo!

De volta a prisão

Hora de voltar a fechar as portas e as janelas
Hora de me encerrar dentro de mim
Hora de trancar o sótão, assim como o porão
Hora de se despedir do sol através das frestas
Hora de voltar para a minha interna prisão

Por trás das pilhas de DVD’s e livros, papéis embolados,
encontrei um mapa empoeirado
de um caminho distante até amarelada lua
onde se perdeu, irreparavelmente,
todos os beijos e memórias tuas

Uma entre todas as memórias tuas
era aquela sua mania de deixar no meu pescoço marcas
e quem se deliciava com essas manchas roxas
eram nossos corpos e nossas almas

Um entre todos os beijos teus
ganhou aquele na minha cama perfumada
de rosas e com um cheiro só meu
agarrada no teu corpo por toda madrugada

Se acreditei nas suas meias mentiras
era porque da minha boca só saiam verdades inteiras
e se pequei, por algum momento,
foi por não ter escondido nada, nenhuma besteira

Mas do que adianta remoer as palavras ditas e esquecidas?
se não mudam os fatos, os adeus e nem mais o presente?
o jeito é tramar e destramar as sombras, os sonhos, esta vida
de maneira forte, sensível e inteligente

A dor da perda

Ontem eu não estava preparada para me envolver, de novo, em mais uma confusão sentimental. As pessoas têm mania de me colocar nelas, mesmo eu estando desinteressada e distante da situação li-te-ral-men-te. Não necessita ter um grande senso geográfico para sacar a minha distância nisso. Apenas saber que eu estou aqui na América do Sul e ele no continente Europeu/Asiático. Cansei de ser o assunto do dia pra aquelas pessoas que um dia valem à pena, e no outro, eram só paisagem. Cansei de querer e não poder. De não ter a palavra-chave: reciprocidade. Cansei de amar e não poder amar. Viver um amor na esquina do mundo. Sem direito a toques, a cheiros, a imperfeições e a beijos eternos de 30 minutos. Mandei tudo às favas, e disse vá pastar (leia-se: “a better solution for your life: delete me from all your accounts”). Veja se me encontra em outra esquina do mundo. Quando eu conseguir ter esquecido todas as promessas trôpegas e os momentos doces.

Depois eu terminei tendo uma briga feia com um anjo que se veste de diabinho. E têm dias que ele é um diabinho mesmo, me atormenta até ele pensar que sou eu quem perde. Mas, na verdade, nós dois ganhamos mais e mais laços afetivos. Logo depois, recebi uma notícia que tirou o resto das cores da tarde, o mundo fez-se em branco e preto e já não restava mais nada, apenas à melancolia. Então, resolvi sair do trabalho e fazer o meu programa preferido, ir ao cinema sozinha. Escolhi o filme pelo gênero e título, já que comédias românticas sempre trazem respostas para as minhas dúvidas existenciais. E lá estava eu , com minha pipoquinha, me divertindo com o resto do público, assistindo um filme de história e trilha sonora deliciosas, parecendo que foi feito pra mim. Porque tive direito a respostas esperadas, a bandas adoradas e a papagaio em todo o roteiro.

Sabe, eu continuo aprendendo a encerrar ciclos. Fechar as janelas. Deletar as fotos do blog. Desativar a webcam. Ou simplesmente apagar a luz, sem o costumeiro ”Boa noite”. A dor da perda é uma das dores mais complicadas de se conviver. Mas ela é necessária para o nosso crescimento emocional, para o nosso amadurecimento, para o nosso aprendizado de como a vida funciona. Mesmo ela fodendo por dentro, destruindo-nos em mil pedacinhos pra depois esmagar. A perda é um dos fatores decisivos de como continuar a nossa própria história. Pois criamos coragem para vencer alguns medos e restabelecer nossa auto-estima e autoconfiança. Uma das frases interessantes do filme foi a “quando uma coisa acaba é porque outra está para começar”. E é assim que devemos seguir a nossa vida. Em momentos ganhando, em outros momentos perdendo. Ou vivendo intensamente com o que temos em nossas mãos.

Sai do cinema com passos e pensamentos flutuantes. E encontrei o “Sr. Inusitado” sentado me esperando. Parei na sua frente, abri um imenso sorriso, segurei na sua mão e perguntei “E então? Para onde vamos?”.


Soundtrack: IO (This Time Around) – Helen Stellar

This time around, x 4

You can be anyone,
This time around,
This love of ours,

This time around, x2

You can be anyone, x4