Luciana – Musa Louca – Maçãzinha – Lady in Red – Apple – Assassina Vermelha – Tutuca – Lu – Luzinha – Lucy – Love Letters – Neném – Rosa do Jardim
[photopress:4x4.jpg,resized,pp_image]
Foto de 8 anos atrás. Continuo a mesma menina.
[ Sou Assim ]
Sou assim sou sem cultura.
Sou, talvez, cabeça dura, não entendo o sofrimento.
Não temo a noite escura, sou tal qual uma escultura.
Sou talhada pelo vento.
Fui tragada pelas águas, sepultada pelas mágoas.
Fui queimada pelo sol, sou rio que no mar deságua.
Sou terra que a chuva enxágua, dos oceanos sou o atol.
Sou neve das cordilheiras, sou espinho, sou roseiras.
Sou brisa, sou vendaval, sou a natureza inteira.
Sou verdade, mentira, besteira.
Sou ouro-prata-cristal.
Sou sorriso de criança, sou os passos de toda andança.
Sou o paraíso-sem-fim.
Sou até tua esperança, onde tua vontade descansa.
Desculpe amor, SOU ASSIM.
Guarde na memória o aroma das flores, garoto. Se, por sorte, houver entre os seus, alguém com ares de jardim. Chegue perto e colha algum sorriso. Enterre dentro de si abraços, beijos; mesmo os imaginários – não construa cercas entre o toque e a fantasia. Deixe os primeiros passos criarem raízes, mesmo que pareça que te prendem ao chão. Saberá depois que serão esses passos o teu ponto de partida: o teu impulso para a vida toda. Lembre das lesmas que você catou e pôs no bolso quando mal sabia andar, do teu olhar que via o vermelho e o negro apenas como diferentes até que alguém lhe mostrasse o sangue ou à noite.
Haverá gente flutuando a teu lado. Gente sem amarras, soltas no vazio de querer tudo sem saber por quê. Gente correndo por todos os lados – gente que até parada parecerá correr. Não se assustarão com teu olhar atônito. Em toda esquina haverá um pedestal em que muitos desejarão subir para enxergar mais longe, mas suas cabeças, curiosamente, estarão curvadas e os olhos presos ao umbigo por uma fita cravejada de lantejoulas.
Guarde na memória os besouros que você viu lutar, a pomba esmagada na estrada e o cachorro com a cadela e o barulho deles, e o cheiro deles, a cor, a vida. Lembra daquele vagalume que você, um belo dia, viu brilhar. Mas que morreu sufocado no seu jarro. Haverá bichos virtuais de toda espécie, mas ninguém poderá te convencer de que há um chip no teu coração e que basta um clic para te tirar do abismo. Ame o abismo. Ame qualquer coisa que te tire de um labirinto puro demais, limpo demais, seguro demais, com cheiro de hospital. Entregue-se ao que te empurra à vida. Role na grama sem prestar atenção às meninas de sapatos de plástico cor-de-rosa dizendo “ui”.
Haverá mentores – mulheres, homens, crianças, amigos, inimigos, ídolos, livros, personagens, tombos, melodias. Haverá os que proclamam bibliografias, os que condenam a derrota, o suicídio, à desistência. Estes talvez apareçam com os pulsos cortados ou intoxicados em algum beco sem saída com o qual não contavam. Muitos parecerão sábios – ilustrarão o próprio ser com referências coloridas, epígrafes de neon, calçarão as últimas tendências em aforismos, serão chamados cultos. E essa cultura lhes será tão cara que estampará seu caráter - uma vitrine - com uma plaquinha em baixo: não dôo, não troco, não vendo, não insista. E essa cultura não terá jamais o sabor dos sorrisos que não colheram, e que ficaram em algum lugar, perdidos, esperando a contracena.
Sentada diante da porta, ela espera por um novo tempo que virá. As mudanças em seu corpo são visíveis por todos, menos para ela. Para ela nada importa apenas aquele olhar triste e distante que ela não consegue mais alcançar. Em que momento desse ano ela se perdeu no caminho? Talvez em nenhum, talvez nunca tenha existido um caminho. Só uma pequena trilha criada pela sua mente para libertá-la da prisão a qual foram os seus últimos anos. Viver algo novo, tão novo, que lhe parece tão amargo e tão antigo, como os malditos romances impossíveis que ela conhecia tão bem.
Com alguns anos a mais nas costas, ela continua com os seus projetos, ou o que ela pensa que são projetos. Acorda, conversa, se movimenta, vai para o trabalho, ama e se mantém firme no jogo do dia-a-dia. Quem sabe no próximo ano ela não esteja escrevendo notícias de uma Musa Louca que mora em Luanda? Então, para que conhecê-la agora? Se daqui a alguns instantes ela pode não fazer mais parte da sua rota? Você continua não acreditando, mas esse dia está mais perto do que imagina. E quando você menos esperar, num dia ela estará lhe abraçando em cumprimento, e no próximo, pode ser um abraço de adeus.
A questão física de corpo ou espaço, definitivamente, não é relevante nesse momento pra ela, se na essência mesmo, na droga da essência, ela continua a mesma tola-sentimental-criança-velha-rabujenta-chata-louca-garota. Gostaria que você conseguisse pará-la. Olhasse nos olhos dela e a mandasse acompanhar os anos que têm nas costas. Que a mandasse ler novamente o livro de histórias tristes e felizes que carrega na mochila diária. Pro trabalho, pra academia, pelas ruas de uma cidade, que ama, mas que poderia ser qualquer outra. Porque em qualquer lugar que está, a essência dela não muda. Na droga da sua essência, ela vai fazer amigos num piscar de olhos, vai continuar sorrindo que nem uma boba só porque o dia amanheceu bonito, e conversando com qualquer pessoa que se aproxime e lhe conte toda a sua vida no supermercado, no banco, no semáforo, por aí.
E o pior da essência dela, talvez, seja a parte que você mais goste: a imaginação.
Soundtrack: Everybody’s Changing – Keane
“but everybody’s changing and I don’t feel the same”.
Eu concordo quando dizem que nenhum homem é uma ilha. Estou sempre cercada de vida, de família, de amigos e de objetos os quais interagem o tempo inteiro comigo e com o meu humor. Tenho recebido muitos bilhetinhos via garrafas ao mar, mas também ocorrem tsunamis em alguns períodos impróprios. Elas surgem repentinamente, claro, e com muita força vão inundando e destruindo tudo o que há de bom em mim. De uma vez só. Depois com muita calma, volto a construir uma muralha, pedrinha por pedrinha, e tentando colocar tudo no lugar. Inclusive, um belo jardim mental onde planto todas as minhas dores e recordações para ver se nasce lindas flores.
A fé ainda me mantém firme e decidida. As coisas boas vêm àqueles que esperam. Como minha mãe vivia me dizendo “O que é seu está guardado!”. Porém as coisas que estão aqui, ali e acolá, apenas me lembram que cada uma terá seu dia exato para acontecer. Às vezes sou intoxicada pelos piores fantasmas, por pensamentos loucos, pela melancolia e pelo cansaço. Observo-os infiltrarem-se um a um. Eles tentam dizer que é tarde demais para mim. Que é melhor entregar os pontos e desistir do que foi conquistado. Mas, jurei a mim mesmo que vou viver para sempre. Já disse ao meu criador que Ele pode esperar. Sou forte. Não desistirei de lutar mesmo sendo procurada: viva ou morta. E quando precisar restabelecer as minhas energias, basta viajar para algum lugar ao sul do Céu. Basta caminhar a passos largos para os braços de quem amo.
E eu não culpo você por achar que esse mundo pode tornar má uma pessoa boa. Este mundo pode incitar os seus piores instintos, mas, no final, a loucura quem decide é você mesmo. É você quem define se transforma um assassino em um herói. Eu mesmo, eu me torno má e louca. Cada dia mais. Pois, eu nunca me imaginei entrando no Céu. Se o demônio fizer o que quiser, juro que vou viver para sempre. Quero apenas deitar o meu corpo no chão gelado. Num quarto barato de hotel. E imaginar que você, meu amor, dorme em uma cama de rosas. Mas… que no fundo mesmo, o seu desejo era o de estar deitado por cima do meu corpo, nesse mesmo chão, me possuindo de maneira intensa. A noite inteira. Todo dentro de mim. Forte. Pulsante. As suas roupas espalhadas pelo chão, junto com o que restou das ilusões da minha cabeça. Penetrando-me, como se fosse aplacar toda a sua e a minha dor naquele instante, como se não houvesse nada lá fora, nem o amanhã daqui a algumas horas. Pouco importando se o que estiver acontecendo é certo ou errado. Eu queria morrer de amor em seus braços. E assim, quem sabe os meus fantasmas iam embora?
Guardo uma prece que me ensinaram quando pequena. Eu a usarei quando precisar dela ao máximo. Para rogar ao Pai, Filho e o Espírito Santo. Sem assinar meu nome. Uma pecadora comum como outro qualquer. E no momento de encontrar meu criador… Será que ele fechará o livro da minha história? Com todos os belos e tristes momentos? Com todas as vezes que o meu coração foi partido? Ou que sonhei com um final feliz? Ou que não sonhei com final nenhum? Ou será que ele irá embora, pois será tarde demais para salvar minha alma? Ou porque tenho simpatia pelo diabo?
Uma vez me prometeram absolvição. Há somente uma solução para os meus pecados: eu tenho de encarar meus fantasmas. Eu tenho que encarar a mim mesmo. Sempre. E saber, sem nenhuma ilusão, que somente um de nós todos vai voltar para casa todas às noites.
Soundtrack: Sympathy For The Devil – The Rolling Stones
Sou as águas que formam as cascatas.
Os lírios que os campos enfeitam e senhoreiam.
A luz que ilumina os seus dias mais tristes.
As sementes do bem que os pássaros semeiam.
Sou o calor constante que aquece a tua alma quando o frio te arrepia.
Sou forte como um trovão e fraca como as gotas de chuva descendo juntas pela ladeira do lado da minha casa.
Enxugo as lágrimas que caem dos teus olhos com meus beijos borboletas.
Matando a tristeza que em ti existia.
Sou as flores mais raras do mundo. Que tombam em cachos no teu coração.
O orvalho que brilha na folha das árvores. Iluminando toda e qualquer estação.
Tenho nas faces os mimos das rosas.
O negro da noite traz nos olhos meus uma imensa ternura cativante que é transmitida para os teus.
Represento a plácida brisa que move os trigais nas grandes campinas.
Emano sinceridade e grandes virtudes.
E trago também no peito a magia do teu sonho de infância.
Sou as gaivotas que sobrevoam as praias.
O vale verdejante que corta as colinas.
O lago dourado que transborda doçura e que reflete a minha alma de eterna menina.
Sou tão suave quanto as pétalas de jasmim.
Brilho mais que as estrelas unidas.
Tenho luz de amor em torno de mim.
Será que um dia você será capaz de enxergá-la? (what is the light?)
…Dull days at forty, false friends at fifteen;
Let her have brave days and truth.
Let her go places that we’ve never been;
Trust and delight in her youth.
Ladies of Grace, and Ladies of Favour,
And Ladies of Merciful Night,
This is a prayer for a Blueberry Girl,
Grant her your Clearness of Sight.
Words can be worrisome, people complex;
Motives and manners unclear.
Grant her the wisdom to choose her path right,
Free from unkindness and fear.
Let her tell stories, and dance in the rain,
Somersaults, tumble and run;
Her joys must be high as her sorrows are deep,
Let her grow like a weed in the sun…
meus versos soltos me acompanham na madrugada, como anjos alados, em meus deleites.
meus passos invisíveis me acompanham pelas ruas da cidade, como poças d’água depois de uma tempestade, marcando meu território.
minhas fotografias me acompanham pelo olhar, como sonhos espalhados pelo vento, quadros em aquarela que eu deveria pintar.
meus beijos me acompanham, como pérolas guardadas, esperando você mergulhar em mim.
Saí de mim a procurar o mar. Ele que torna o mundo límpido e maleável. Era de água meu corpo. E a luz solar e a do luar acendiam a infindável aventura. Nenhum tempo existia nas ondas conformando esses momentos que um infinito verde repetia. E o mar dizia em seus murmúrios lentos:
- És estranha, menina. Em tua entrega um novo entendimento me acrescenta. Teu corpo é meu, por ele me carregas na consciência de mim em que me aumentas e somos um no mesmo movimento.
E eu respondia ao mar que no universo para amar é preciso ficar dentro do que se ama, a entender o seu inverso.
E seguimos. Em calmas, tempestades, vibrei dentro dos nervos das correntes com a alma nas mares de claridade mergulhada em auroras e poentes. Que intensas maresias eu respirei dia e noite! Com o rosto diluído bebi o som, ouvi a cor, plasmei de um só sentido todos os sentidos.
Nenhuma espada humana penetrava em carne líquida a conter estrelas em cujo brilho o céu se desmanchava. Sustentei e ergui longos navios pelas pontas dos dedos. Renasci os tristes afogados que em mim incorporaram. Não olhos, mas o olhar em que resiste a sensação da vida que deixaram.
Beijei distâncias, logo familiares, nos músculos de peixe meus gestos livres, possuí as penínsulas, altares da terra para o mar. No azul aberto, eu saciei as gaivotas mais selvagens, subterrânea paisagem entre as praias. Fui secreta a princípio e no fim das viagens. No horizonte onde a luz da cor desmaia, redescobri montanhas de esmeralda a iluminar um outro mar que eu via e aprendia em minhas mãos, com redes de alga. E o olhar, a configurar o que eu sentia, transformou-se em espumas, sal e ventos por onde a água respira. E fui resposta em todo cais deserto e sem alento, trazendo-lhe a esperança em que se acosta a fé dos marinheiros indomáveis, a invadir o futuro. E não havia apelo ou solidão irremediável para mim. E uma voz me repetia:
- O teu contato é leve e sem dano, me abandono, nas ondas me refaço, me encontro em ti, renasço tão humano, uma criança encantada em teu abraço.
E eu respondia ao mar chorando, o mundo a deslizar-me pelo rosto:
- Ó mar és meu amigo.
E assim, no mais profundo de mim, unida ao mar, fui vislumbrar a intensidade. E a retornar a terra, pude entender por dentro a contextura das magias. E nunca mais, e nada altera o sonho dessa minha aventura marítima.
Eu era um gato-gordo-doméstico à procura de uma almofada especial. Sempre ronronando, não para pedir carinho, mas, porque aquele barulho saia involuntariamente de mim. Eu era aquele vaso imenso no final da escada. Daqueles à espera de um tropeço que me faria espatifar em milhões de pedaços. E que só serviria de alerta no caso de assaltos. E nem bonito o vaso/eu era. Eu era aquela flor murcha e solitária dentro de um caderno de poesias. O último adereço a ser pintado no artesanato. Quando mais nada poderia preencher aquele espaço vazio, lá estava eu, o enfeite sem graça. Um quadro branco numa parede branca. Um ser invisível. Só. De cabelos gigantescamente cacheados e compridos. Porque eu não tinha mais vontade de fazer absolutamente nada. Nem de cortar meus cabelos. Eu era aquele peixinho dourado no aquário, louca para que o vizinho comprasse um gato. Eu era aquele passarinho no fio de alta tensão, admirando o horizonte, esperando a hora certa de voar. Eu era uma boneca de plástico quebrada. Com o corpo na estante e a cabeça no chão. Eu era aquela sombra nos muros da cidade, ouvindo músicas melancólicas em repeat. Eu era aquela minha boca na fotografia, esperando outros lábios que a completassem e a despertassem desejos novamente.
Então você me encontrou…
American mouth, deitada, desiludida, workaholic e muda. Eu não conseguia te perceber de verdade nos primeiros momentos. Você é tão diferente de todos quem conheci.
Um peixe-gato encantador. Capturou a minha mente para dentro da sua, e fez eu sentir a minha alma ser completamente beijada.
Agora sou um pássaro sem fio, sem tensão, sem dor. Aprendendo a usar de novo as suas asas. Com vontade de aterrissar e de permanecer nos seus braços até o amanhecer.
Agora voltei a me aventurar, subir em altas escadas de espirais para fotografar o meu mundo. Para você conhecer os lugares por onde passo. Com meus pés de vento. Para eu ser os seus olhos até o anoitecer.
Então você me encontrou…
O mapa do tesouro na boca de um cachorro.
Agora eu sou o seu travesseiro verde, com mensagem em outra língua, e não importa se você não me entender, basta que me aqueça.
Agora eu sou o verão, o sol, as nuvens brancas no horizonte, as cores fortes das minhas roupas.
Agora eu sou as músicas que trocamos, algumas em repeat, algumas sem sentido, algumas com duplo sentido, algumas com mensagens importantes para te fazer companhia.
Então você me encontrou…
Em algum lugar perdida na sua mente.
Agora eu estou sempre na sua mente. Sempre. Até o momento em que você liga pra mim e conversarmos frente a frente. Daí eu saio, só para te observar por outros ângulos. Uma pena que eu não posso acabar de vez com o seu grande problema. Eu ainda vou aí te buscar e te trazer pra mim.
Então você quase me perdeu…
Ao contar sobre o seu grande problema. Mas ele terminou nos unindo mais, não foi?
Agora eu não sou mais a princesa do castelo que acredita em finais felizes e previsíveis. Prefiro as promessas nos seus olhos. Será que as respostas que eu procuro estão neles?
Agora eu posso até estar me tornando uma velha-chata-rabujenta, mas com você, sinto ter realmente aqueles 12 anos de idade que a gente tanto brinca.
Eu não posso deixar ninguém se aproximar de mim enquanto me sentir assim.
“I wanna be your lover. I wanna stand together by your side.
I’m the girl in waiting. And I’m still waiting.”
Agora sou aquela garota levada-independente-escorregadia-determinada procurando um lugar para chamar de “lar, doce, lar”.
Agora eu voltei a respirar música. Ela sai pelos meus poros, me faz sentir do seu lado, mesmo estando a oceanos de distância.
Agora eu sou o seu brinquedo, a sua caneta, os seus óculos, o seu celular.
Agora eu estou tão distante e tão perto. Quando te vejo tenho a sensação que posso te tocar.
Então você me encontrou…
Esperando-te na janela para ver o mar.
Agora eu sou o recomeço e a colecionadora de cremes para o corpo. Durante o dia converso com pessoas estranhas ao atravessar a rua, na fila do cinema, em pé no metrô, e a noite desejo ouvir sua respiração e sua companhia pra dormir.
Agora eu esqueço o meu rosto e nome ao acordar, e me reinvento como outra.
Agora eu consigo me perdoar, não sentir mais raiva de quem me magoou tanto. A gente não muda ninguém. Cada um possui as suas verdades e acredita no que quiser. O botão “foda-se” não estava mais funcionando como antes. E eu cansei de esperar as pessoas passarem.
Então você me perdeu…
Quando não respondeu as minhas mensagens/expectativas.
Agora o meu nome é Saudade. Antes era apelido, mas se tornou o meu nome próprio graças a meus pais, a toda minha família (dos dois estados), aos meus dois melhores amigos (Sérgio e Kruel, sim Kruel) e o Teo.
Agora eu sou a noite, o dia, o fuso horário, quando fico a madrugada velando o seu sono e acordo com o barulho do seu despertador às 3 horas no meu quarto, e às 8 horas no seu.
Agora eu sou o meu destino, cada dia em uma cidade diferente, dormindo e acordando para uma vida diferente. Será que estou sofrendo da mesma síndrome de caminhoneiro do meu pai? But I can’t go back now… If you look around you see me.
Agora eu sou o meu livro, eu me escrevo todos os dias, de maneira aleatória, com textos e poesias idiotas, e quando não quero esquecer nada, faço rabiscos na minha agenda de papel reciclável.
Então você me encontrou…
Um objeto pontiagudo na caixa de costuras.
Agora eu sou você, no pior sentido que possa imaginar. Eu sou uma garota má, lembra? Tenho o diabo nos quadris, vou para qualquer lugar e levo mel na minha língua. American mouth.
Agora eu sou o mundo, assim acaba de vez a distância entre eu_e_você.
Agora sou aquela que já perdeu muita coisa nessa vida, já enterrou todos os seus mortos e jogou as cinzas nas flores as quais cultiva dentro da cabeça.
Se você vier para o lado da minha cidade e bater em minha porta, eu o cobriria de beijos e tudo deixaria de ser sonho para se tornar milagre.
Soundtrack: Flightless Bird, American Mouth – Iron & Wine
Do sonho estranho de ontem à tarde, eu pensava na frase que restou na minha cabeça: “o que você se tornou”. Então passei a noite tentando entender o que acontece comigo. Já faz algum tempo que perdi o interesse de ficar conversando besteiras no MSN, de jogar no computador, de falar com pessoas estranhas na rua (passo o dia com os fones no ouvido, distanciando-as). E têm umas duas semanas que não bebo vodka. Não distribuo mais sonhos e nem magia pelas esquinas. Não escondo mais a minha irritação. Hoje sinto as minhas dores entorpecidamente. Não tenho necessidade de esconder o rosto e nem o corpo, e continuo dançando no escuro do quarto, com o volume alto, e sem mais as estrelas fluorescentes nas paredes. E para saber do meu novo corpo, basta procurar na sessão de embalagens no supermercado, ou de vez em quando, corra veloz pelo asfalto.
Dentro de todos me perdi da esperança, da compreensão, da sinceridade. Dentro de mim novamente há uma vontade louca de expulsar o que me destrói. Gritando, espirrando ou escrevendo. As palavras resplandecem incompreensivelmente e a mente desiste de procurar entender. Não guardo nenhum segredo neste corpo. Não há mais nada dentro do meu ventre. Algumas cicatrizes restaram, elas revelam a lâmina e a faca as quais a minha pele foi submetida um dia.
Não me torturo mais mentalmente. Não me importo com o dia de amanhã. Não me incomodo mais com a dor de hoje. Tocam duas canções e as perguntas mudam ou deixam de existir. Não estou mais com vontade de lutar. O que eu precisava era ter você do meu lado. Mas o meu lado não é do outro lado do mundo.
Meu destino escreve certo por linhas tortas. Ou escreve torto por linhas certas, ou linhas por certo tortas. Enquanto os meus pés vão pisando em terrenos pontiagudos e desconhecidos. Com algumas sepulturas, inclusive, as minhas. O que me mata agora é não querer lutar. A minha estrada é seguir viagem, e eu só espero não querer mais voltar.
Soundtrack: A Bad Dream – Keane
Where will I meet my fate?
Baby I’m a man and I was born to hate
And when will I meet my end?
In a better time you could be my friend
I wake up, it’s a bad dream, no one on my side
I was fighting but I just feel too tired to be fighting
Guess I’m not the fighting kind
Wouldn’t mind it if you were by my side
But you’re long gone, yes you’re long gone now
Where do we go?
I don’t even know my strange old face
And I’m thinking about those days
And I’m thinking about those days
De vez em quando me visto de invisível. Saio nas ruas com frio, mesmo sob o sol quente de um quase verão. Tenho dois braços, duas pernas e um corpo que mente o seu verdadeiro tamanho. Estou perdendo as minhas calças favoritas. Mas quem se importa? Eu não. E quanto aos meus longos cabelos castanhos, enrolados como meus pensamentos, eles balançam e não sabem para qual lado seguir. Sou branca, e tudo a minha volta se torna escuro quando fecho meus olhos também castanhos, com rajadas douradas, como diz meu amigo inglês, o Adam. Já o Adam, meu computador, me manda levantar da cadeira e dançar, já que tenho todo aquele espaço no quarto e novas estrelas fluorescentes me esperando nas paredes coloridas.
Antes, eu gostava de unhas grandes, como se elas pudessem me ajudar na defesa contra o mundo, hoje eu as prefiro curtas e quadradas. Quero me tatuar, assim que conseguir desenhar o que eu desejo. Em dois lugares, irá doer muito, eu sei, mas quem se importa? Eu não.
Tenho o rosto e a voz de menina. Aproveitei bastante a infância, e não gosto mais de brincar com bonecas em 3D. Meus cílios não são postiços, e eu não uso lápis, meus olhos são naturalmente pintados. Tenho olheiras, isso é fato. Por mais que eu hiberne no inverno como os ursos, continuarei parecendo um urso, o panda. Tenho milhões de defeitos e qualidades, e um coração idiota, mas e daí, quem se importa? Eu não.
Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não, e nem disse que não
Eu sou o preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música,
A mais velha e a mais nova espada e seu corte
Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gitá gogoya
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo
Lembre-se de mim ao rever as fotos guardadas no armário.
Lembre-se de mim ao mascar chiclete da Turma da Mônica.
Lembre-se de mim ao ver vestidos coloridos e cabelos vermelhos.
Lembre-se de mim, quando precisar de mim.
Lembre-se de mim ao dar vários pulos pelo quarto.
Lembre-se de mim enquanto caminhar ouvindo música nas alturas.
Lembre-se de mim quando se tornar quem você sempre sonhou.
Lembre-se de mim, quando precisar de mim.
Lembre-se de mim porque esqueceu de ligar para um amigo.
Lembre-se de mim ao assistir o filme “Encontros e Desencontros”.
Lembre-se de mim quando encontrar a doçura nos olhos de um cachorro.
Lembre-se de mim, quando precisar de mim.
Lembre-se de mim quando comer chocolate com a roupa de dormir.
Lembre-se de mim ao assanhar os próprios cabelos.
Lembre-se de mim quando voltar a sangrar…
Lembre-se de mim, quando precisar de mim.
bebeu um litro de sede
matou a carne de fome
fechou as portas do céu
correu atrás da sorte
brilhou na estrela da testa
mudou o vento no ar
abriu a boca do mundo
respondeu a falta de assunto
num muro pintou os olhos de sol
Você mexe os cabelos e embala o corpo junto com a msica.
Você escreve poesias ao mesmo tempo em que seu cérebro grita besteira.
Você se entristece sentado na cadeira vendo o seu prato cheio de comida.
Você não gosta de ser enganado pela mídia, nem por qualquer político, por isso idealiza rebeliões.
Você acredita na poesia da alma, mas a sua está oca.
Você espera por uma pena suave para todos os pecados que cometeu, porém não crê que isso aconteça.
Você pensa em tocá-lo, mas ele está tão perto e tão longe.
Você anda por cada esquina com a sensação de que vai encontrá-lo… Ele vai sorrir?
Coletneas do Cure não são mais cura para tua dor. Teus poemas têm erros de concordncia e tua boca tem gosto de cereja. Seria melhor se teu gosto fosse de cerveja pra eu poder me embriagar em tua saliva e fazer disso um mero recurso literário sem valor. A arte é um esforço intil e ser til só é til pra quem se preocupa com os ponteiros no relógio e os nmeros nos calendários.
Caminho quilômetros quando tenho sade e sais de cobre nos dentes.
Quero colorir meu ombro e quero que minhas calças sejam todas pretas e minhas camisetas com estampa amarela sejam vermelhas.
Quero te conhecer, preciso de tempo, tenho que conseguir mais tempo, estou delegando tempo, compilando segundos, ampliando minutos e pensando mais rápido e agindo mais devagar, até porque assim dá mais tempo pra divagar.
Tenho tempo, quero falar contigo, tenho que te ligar, quero te atender, te ouvir se espreguiçar, bocejar e rolar na cama lá do outro lado, naquela voz macia toda picotada por vento cor-de-mel. Não queria que o sol brilhasse por um tempo na minha casa, então mantive as cortinas fechadas. Mas teus olhos me mostram o sol e eu tenho agora que deixar a luz entrar. Eu quero agora deixar a luz entrar.
Quero ainda poder, te dizer no ouvido improvisos que nunca dirás a ninguém e de que eu sempre me lembrarei, e de que tu sempre te lembrarás, e que servirá de água e alimento para a flor que eu guardei no meu peito para ti, e para aquela que plantei em teu sentimento com meu nome.
Quero ainda poder descansar em paz, pois, depois da chuva, sempre sempre sempre vem o sol. Ainda que tímido e fraco, vem o sol.
Recrio-te em mundos que invento ao meu bel-prazer. Nesses mundos eu ouço os sons verdes da minha infncia e os sons azulados da minha juventude. Penso em doze dias na semana e sete meses de inverno. Quero mais tempo, preciso de mais tempo e de flores na minha janela. Colo, abraço e passeios matinais. Penso nas msicas de voz doce quando penso em ti. Acalmo os olhos no horizonte que parece infinito e penso artes pelos cantos do meu quarto. Sorrio.
Invento-te em mundos que recrio, de meus dias de papel. Escrevo a minha história, lembro de horas, desenho novas nas minhas nuvens. Recebo ódio – falo, grito e tusso. Depois me camuflo e finjo que estou longe. Visto preto para queimar no sol e saio na chuva sem agasalho pra buscar o resfriado.
Desenho-te em pranchetas que não existem, faço cada contorno, curva e suspiro real. Tatuo na pele nua e quente as letras do teu nome em código de barras, para que não sei. Grito, grasno, transpiro.
Escrevo-te em poesias, quando penso que sou poeta e me engano pensando que sou sagrada. Quase sinto teu gosto quando te vejo sorrindo. Confundo meus olhos no teu passo manso indo embora, e desisto de imagens e ícones pelo simples prazer de te ouvir por algumas horas.
Fatio-te, me perco, de propósito, em todos os meus atos. E minto pra mim mesmo que não é verdade. E minto que minto, pois meus atos são sempre sinceros. E passo horas imaginando frases ou jogos de palavras com a palavra “mentira”, só pra te fazer sorrir, dormir bem, te fazer pensar.
Como um envelope, cheio de palavras pra você.
Cheguei. Aliás, já estou lá há muito tempo. Esperando que a porta abra. Vou pensando e do jeito que me vem os pensamentos, te escrevo essas linhas. Penso em rosas, onças e vermelho tinto. Nada de novo. O meu dia me cansa, me diminui e me torna chata. Meus extensos desagravos desabafos sem fim sempre me causam determinado cuidado. Cuidado com o contedo, pois é raro.
Sabe, tem dias em que todo o universo faz sentido, em todas as pequenas coisas que acontecem. Tem dias em que, voltando pra casa, caminhando pela rua de noite, as luzes da lua e do comércio são mais fortes que o teu desespero e tua falta de vontade. Tem dias em que teu dia se completa com um sorriso. Tem dias que o dia acaba tão cedo, apesar de acabar tão tarde.
E eu mesmo pergunto, “Por que não?.
********
Não há nada para se comemorar esse ano no meu aniversário (26.06). Estou indo daqui há pouco para uma cidade do interior passar o São João, e espero amenizar com isso um pouco a dor e a saudade que sinto da minha mãezinha.
*Uma canção escrita por mim para tocar no meu headphone.
Você pode inventar estórias
Só para se distrair.
Você pode fazer tipo
Contar mentiras, fazer bobagens.
Você pode contar segredos
Para estranhos.
Você pode tudo,
Menos me esquecer.
E toda vez que o céu
Mudar de cor
E a lua deitar com as estrelas
Você vai lembrar de mim.
E toda vez que um headphone
Passar ao seu lado
Em uma garota de cabelos cacheados
Você vai sim, lembrar de mim.
Você pode chorar
Pelos motivos errados.
Procurar o seu momento
Numa msica triste (rock triste?).
Sorrir ou chorar num show,
Lembrar dos murros que dei.
E se perder,
Tentando não me encontrar.
Você pode tudo,
Menos me esquecer.
E toda vez que o mar
Beijar a areia
E uma onda se acalmar.
Trazendo para perto de ti
Um brejeiro siri
Você vai lembrar de mim.
E toda vez que um beijo
For roubado
E um sorriso insistir em sair
Você vai sim, lembrar de mim.
Porque o nosso amor é diferente.
inerente.
E vai estar para sempre,
Na sua mente
E no meu coração.
Conquiste-me como se fabrica um vinho branco: de maneira rápida e avassaladora.
Engarrafe-me junto a ti.
Misture depois mais doçura, levedura e deixe o gás natural da nossa relação acontecer.
Ponha o meu mundo de ponta a cabeça.
Cuide para que a garrafa seja virada e revirada dia-após-dia.
Encha-me de surpresas e alegrias.
Observe que a tristeza começará a descer para o gargalo.
Congele-a junto com todos os nossos medos e o nosso passado mal-assombrado.
Em seguida, abra-a rapidamente e arranque a parte sórdida fora.
E, então, force a tampa e deixe-a estourar, transbordar com força e vontade a nossa paixão. Uma paixão repleta de borbulhas de respeito, carinho, poesia e amor.
Cansei de ser boazinha, sair como a coitadinha ou a miserável da história.
Cansei de ser colocada em caixinhas, como se eu fosse um objeto de uso particular ou algo lagardo de escanteio.
Cansei de ser confundida, endeusada, modesta e de me sentir o pior ser humano da face da Terra por causa das situações que me envolvo.
Cansei de ser o background, a opção perfeita e a imperfeita, mas que não chega nem a próxima esquina, quanto mais recebe um tchau.
Cansei de ser os amores e os desamores de gente que não se envolve, não entende e não percebe metade das coisas ao seu redor, que renega a própria sensibilidade por problemas de carência afetiva.
Cansei de ser folhas de papel amassadas, jogadas pelos cantos do quarto à espera de uma bela faxina.
Cansei de ser a menina dos olhos do papai. Quando o que quero, na verdade, é me libertar, me jogar ao mundo e brincar só com o fogo.
Cansei de ser cheia de princípios e solícita com quem não merece, com quem não me dá o mínimo valor e não marca a minha história.
Cansei de ser a que esquece das datas dos aniversários, mas tem sempre uma, duas ou dez palavras amigas para dizer a todos os momentos.
Cansei de ser a que deve procurar, implorar, deitar no colo em busca de carinho e algo mais. Agora quero me sentir uma estátua, tomar conta apenas do meu umbigo e um pouco ao redor dele.
Cansei de ser a que espera e nunca alcança, a que chora de rir de felicidade e por tomar apenas um gole de grapa, a que deseja o bem sem olhar a quem e sempre recebe de volta apenas um pacote de bolachas quebradas.
Cansei de ser apagada, solitária interna e intensa num paraíso montado dentro da minha cabeça.
Cansei de ser colorida. Preciso ser bem preta no branco ou vice-versa, e deixar claro o quanto certas coisas me incomodam.
Cansei de ser a brincalhona, a palhaça e uma das três mosqueteiras de um rei que eu não faço idéia de quem seja.
Cansei de ser virtual, anormal, ET na Bahia, musa e louca.
Cansei de ser eu mesmo.
Cansei de ser, só.
A resposta de Seth:
Espero
Espero que volte a ser boazinha, sem ser a coitadinha ou a miserável da história.
Espero que seja livre, e mesmo livre tenha sempre um lugar para voltar e chamar de seu.
Espero que seja a melhor pecadora da face da terra, mas que seja por cometer bem pouquinhos e que seja amada por ser quem é.
Espero que vá até a esquina e veja o outro lado dela, e que você goste do que veja.
Espero que se envolva com quem se envolve, que acredite, que tenha força e sabedoria para ver a verdade e enfrenta – lá.
Espero que minhas folhas se acabem.
Espero que não se queime, e que mesmo livre, ame e seja amada pelo papai…
Espero que reconheça e seja solícita e cheia de princípios com quem merece.
Espero que esqueça as dez palavras amigas, mas lembre do meu aniversário.
Espero que não se transforme nunca numa estátua, e deixe-me cuidar do seu umbigo, e também de um pouco ao redor dele…
Espero que espere… Mas alcance. Que chore de rir… Mas que não seja por nada tão ftil… E que não quebre as minhas bolachas.
Espero que iluminada, seja intensa comigo na nossa cama dentro da minha cabeça.
Espero que seja da cor que quiser, e que seja clara quando as coisas lhe incomodam.
Espero que seja a D’artanha de um reino do qual você saiba quem é o rei.
Espero que seja real, normal, et em qualquer lugar, seja musa… Mas não louca.
Espero que seja você, de qualquer jeito.
Eu vou enfiar uma uva no céu da sua boca.
E ai? Chupadora!
Eu sou ana e anas carregam a intensidade do mundo. Toda ana ama demais e tem enxaqueca. Toda ana dorme pouco e esconde as olheiras.
Eu sou ana e toda ana precisa de porquês. Anas são sempre sozinhas e estão sempre cercadas de gente. Anas estão num constante movimento.
Eu sou ana e anas se relacionam com a vida sem querer e profundamente. Anas têm esse hábito de fingir que não estão ligando, que não têm noção do perigo. Anas se importam. Anas se prendem em detalhes.
Anas são cada, tudo, amide. Excessivas. Anas são muito.
Eu sou assim, extremamente ana. E toda ana há de ser um poço sem fundo.
Acordo com o teu soluço a me perturbar
O sonho se transformou em pranto
Me reviro ao avesso com este dolorido canto
E mesmo que a minha face ofereça um amplo sorriso
E o brilho intenso dos meus olhos não mais seja reconhecido
Minhas gargalhadas ecoem por paredes de mármore
E as flores sejam sempre iguais, sem cheiros, nem cores
Mesmo que o jasmineiro, hoje, seja erva-daninha
O meu alimento seja o verme que de minha carne vive
e transforme a cada dia este corpo que um dia junto ao teu estremeceu
Mesmo que meus gélidos dedos não possam mais os teus entrelaçar
E minha respiração não mais se descontrole
e nem meu peito se descompasse
Só do teu nome ouvir falar
Mesmo que o meu arrependimento se prenda junto à cruz
que guia os passos teus em meio há tantas vidas
que se confundem em meio ao breu
e te faça refém de um sofrimento, já bem depois do esquecimento
Mesmo que os pássaros não cantem mais, nem mesmo a cotovia
Nem as cigarras, somente o coaxar de uma orquestra triste
De um solitário, que como eu a vida inteira se escondeu
E no afã do leito solitário sinto novamente o perfume de meus jasmins
Na lembrança doce de um sorriso teu
Não há mais canção, nem soluços, as noites são eternas
Só há silêncio, nem mesmo o vento vem me tirar para dançar
E, se nesse santuário impuro que um dia foi meu coração
E que nunca quiseste sua fronte repousar,
nem mesmo uma prece ousaste balbuciar
em uma singela ode a esta face que tantas vezes viste chorar
Mesmo assim…
Ainda trago no peito disforme o espaço nunca preenchido pela esperança
De um dia quem sabe me amar
E os sinos hão de dobrar, apenas quando em meus braços vier descansar.